Nersant sai em defesa da Fabrióleo e ataca decisões da Câmara de Torres Novas

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A Nersant saiu publicamente em defesa da Fabrióleo, fábrica de Torres Novas que tem um prazo inferior a 10 dias para encerrar por completo a sua atividade por decisão do IAPMEI com base em pareceres da Câmara Municipal de Torres Novas e da Agência Portuguesa do Ambiente. Esta empresa é acusada de poluir a Ribeira do Serradinho e da Boa Água e foi inspecionada recentemente, por cerca de 10 entidades, um processo que culminou com a decisão final do IAPMEI de mandar fechar a fábrica, com base sobretudo em dois pareceres desfavoráveis que são vinculativos: o da autarquia torrejana, que rejeitou inclusivamente a atribuição de Declaração de Interesse Municipal à fábrica; e ainda o parecer da Agência Portuguesa do Ambiente.

A Nersant vem a público criticar e lamentar a posição da Câmara Municipal de Torres Novas e classifica as decisões do município como “persecutórias”. A associação acusa ainda a Câmara de ter tido “atitude parcial” e de não “mostrar uma postura construtiva e de diálogo” que permitisse a viabilidade da atividade da empresa e a defesa dos cerca de 80 postos de trabalho. A Nersant considera que seria possível terem sido encontradas soluções que “garantissem o respeito pelo meio-ambiente e o cumprimento de todas as regras e obrigações ambientais”.

Por outro lado, a Nersant fala da questão da poluição do Tejo e compara a postura do município torrejano com outros municípios com problemas de poluição. “A Nersant não compreende que a autarquia de Torres Novas escolha prejudicar e pedir o encerramento de empresas em vez de seguir o exemplo dos seus congéneres, como foi o caso recente da poluição no Tejo, trabalhando com os empresários e as instituições envolvidas em soluções que permitam o equilíbrio e o crescimento do seu concelho”, lê-se no comunicado.

A associação informa que tem acompanhado os “esforços” alegadamente realizados pela Fabrióleo para melhorar os seus processos produtivos e para garantir que existem menos impactos no meio ambiente. Refere ainda o célebre pedido da empresa para que fosse construído um coletor municipal nesta zona das Ribeiras da Boa Água e do Serradinho que fosse ligado diretamente à ETAR municipal, gerida pela empresa Águas do Ribatejo, e que desta forma fosse possível a todas as empresas presentes nesta zona tratarem os seus efluentes, deixando de os enviar para as ribeiras e resolvendo o problema dos maus cheiros nesta zona.

A Nersant informa também que está ao corrente do trabalho realizado pela Universidade Nova no apoio à melhoria dos processos produtivos da Fabrióleo, trabalho esse que terá permitido já identificar mais de fontes poluidoras nesta zona.

“A Câmara de Torres Novas tinha conhecimento que, ao propor à Assembleia, o indeferimento da Declaração de Interesse Municipal inviabilizaria a legalização das obras de interesse social e ambiental efetuadas pela Fabrióleo”, lê-se ainda no comunicado. Por fim, a Nersant diz que vai prestar todo o apoio à empresa no seu processo de defesa” e que se afasta completamente da posição tomada pela Câmara de Torres Novas, reservando-se a si o direito de apoiar “esta ou outra qualquer empresa que manifeste disponibilidade e compromisso para cumprir e evoluir na obediência das regras ambientais e com a legislação do seu setor”. Refere também que, na ótica dos seus associados, a competitividade “não pode ser alcançada por meios ilegais e por má conduta de cidadania”.

O presidente da Câmara de Torres Novas, Pedro Ferreira, afirmou “não esperar” esta tomada de posição da Nersant, lamentando, por seu turno, que a associação empresarial não tenha ela própria, com os técnicos que possui e com a capacidade de “bater a portas”, encontrado uma solução para uma empresa sua associada e apareça a defender “uma solução administrativa” para o problema.

Pedro Ferreira lembra que a Fabrióleo tem conhecimento, desde 2015, que a estação de tratamento de águas residuais, pertencente à empresa intermunicipal Águas do Ribatejo, não tem capacidade para receber efluentes industriais e sublinhou que, apesar de o IAPMEI referir os pareceres vinculativos da APA e do município, existem também os pareceres da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), da Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), do Agrupamento de Centros de Saúde do Médio Tejo, da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

Para o autarca torrejano, “estando identificado quem prevarica, seria criminoso o município atribuir” a DIM pretendida pela Fabrióleo.

1 Comment

  1. Estamos num FILME DA MAFIA. O guiao : PADRINHO/NERSANT a defender um amigo. Esta organizacao perdeu toda a credibilidade aos olhos da opiniao publica. Falar a favor de quem degradou/envenenou o meio ambiente e’ mesmo de quem tem a mente turva. Tera’ sido da POLUICAO?

    R.B. – FI

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