VÍDEO – Alunos de Artes e Espetáculos da Ginestal dão vida à cidade

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Uma turma do curso profissional de Artes e Espetáculos – Interpretação da Escola Ginestal Machado, em Santarém, estão a viver uma experiência real de como é montar um espetáculo de arte em todas as suas vertentes, desde a representação, até à construção do texto e à cenografia. Esta turma está a realizar formação em contexto real de trabalho com vários grupos de teatro da cidade e utilizam as instalações da Incubadora d’Artes, na antiga escola de São Salvador, no centro da cidade.
Foi aí que os fomos encontrar numa das manhãs de trabalho com a orientadora do estágio, Sofia Vieira, do grupo Aqui há Gato. Mas já antes, no mês de janeiro, estes alunos tinham tido uma experiência de trabalho com Carlos Oliveira (Chona) do Teatrinho. Na próxima semana, nos dias 23 e 24 de fevereiro, vão poder frequentar um workshop com a coreógrafa Vera Mantero, e em março com João Fiadeiro no âmbito do acordo com a Associação Parasita, projeto de João Martins, jovem scalabitano, formado em dança e com trabalhos de referência internacional. Depois seguir-se-ão mais uns meses de experiências, seja com o Círculo Cultural Scalabitano (a quarta associação que acolhe os alunos em estágio), seja através de outras oportunidades que são proporcionadas pelos professores e orientadores do curso.
Neste trabalho com Sofia Vieira, os alunos vão apresentar uma “Visita Guiada ao Teatro”, que vai ser apresentada ao público nos dias 16 e 17 de março. Nesta visita, idealizada pela mentora do grupo “Aqui há Gato” com a colaboração destes alunos, a proposta é descobrir o espaço atual do teatro e os seus bastidores técnicos, a vida das pessoas que aqui trabalham e a história deste edifício (que até já foi hospital). Tudo com recurso a várias técnicas de teatro, desde a representação, à luz negra e às marionetas. Além de trabalharem aspetos da representação cénica, os alunos vão pôr à prova as suas capacidades de integrar um projeto profissional, colocando de pé um espetáculo, ou seja, todo o trabalho cénico, técnico e também como é a vida de uma companhia de teatro, além de terem de fazer investigação histórica documental, biblioteca e arquivos, de testemunhas como foi o caso da entrevista com o mestre Quintino, antigo carpinteiro de cena do Teatro.
“Este curso não prepara apenas profissionais para as artes, prepara cidadãos para a vida”, sublinha Margarida Gabriel, coordenadora do curso. A docente faz questão de frisar ainda que a presença destes alunos na cidade tem ajudado a dar vida à zona histórica e permite-lhes desenvolver dinâmicas de sensibilização a estes espaços, interagindo com os locais de residência dos grupos de teatro e de outras formas de cultura emergentes na cidade.
Alguns alunos já vinham de experiências artísticas anteriores, outros foram integrando os grupos ao longo do curso. Há aqui jovens que fazem dança, outros que integram grupos de teatro, músicos, praticantes de artes circenses, apaixonados pela imagem e pelo cinema, fãs de marionetas…e outros que apenas querem seguir psicologia ou outras áreas de e estudos e que afirmam encontrar neste curso um meio de valorização pessoal. Gabriel Silva, protagonista da peça “Mar”, encenada por Frederico Corado no Cartaxo, salienta que este estágio está a abrir outras perspetivas do que pode ser uma carreira no mundo das artes e da multiplicidade de formas que essas artes podem assumir. “Sabemos que é difícil entrar na universidade nestas áreas e temos de ter várias alternativas, que até podem passar por começar a trabalhar desde o final do curso”, acrescenta Carolina Seia, também ela elemento do grupo “Área de Serviço”, de Frederico Corado.
O curso de Artes e Espetáculos, que arrancou em 2013, vai ter continuidade nos próximos anos, conforme adiantou Margarida Gabriel. Em 2015/2016 saiu a primeira “fornada” de alunos diplomados e este ano as atividades “fora de portas” multiplicam-se. Em maio, os alunos vão continuar a estagiar com coreógrafos do ciclo “Nova/Velha Dança” e vão integrar um espetáculo da Associação Parasita. Já no dia 8 de março, vão fazer uma intervenção de arte nas ruas do centro histórico, em conjunto com os seus colegas dos cursos de Artes Visuais e de Multimédia, num evento que liga dois dos atuais residentes da Incubadora de Artes de Santarém, os alunos e a artista plástica Julia Fernandes, que expõe na Associação de Comerciantes pinturas ligadas ao tema “Mulheres Rosas e Espinhos”. Também teremos a participação da professora Fabíola Cardoso, do grupo de biologia da escola Ginestal Machado, para uma conversa de final de dia.
“Este curso não pode confinar-se às paredes da escola e deve ser um projecto de cidade, despertando e amadurecendo a participação ativa e consciente destes jovens cidadãos, dando possibilidade a outros jovens, já formados fora de Santarém a regressar e cruzar as suas práticas e estéticas com a cidade que lhes deu os sonhos. Desejamos contribuir para a construção de cidadãos ativos, informados e despertos para novas forma de viver em comunidade. Estaremos por certo a estimular novas formas de olhar a artes e por isso a formar novos públicos, a tentar caminhar para a continuação de uma cidade criativa”, sublinha Margarida Gabriel.
Os alunos estão agora em permanência na Incubadora d’Artes, espaço disponibilizado pela Câmara de Santarém para acolher os alunos em estágio, uma vez que os grupos não possuem as instalações adequadas para os receber

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