Um mau acordo

em Opinião

Por: José Niza

Mais vale um mau acordo do que acordo nenhum.

O acordo que há dias foi assinado pela ministra da educação e pelos sindicatos dos professores é um mau acordo. Um acordo em que as cedências do governo foram demasiadas e exageradas. No entanto, se este acordo falhasse, ainda seria pior. É que, na Assembleia da República, os partidos da oposição, para namorar os votos dos professores, ainda abririam mais os cordões à bolsa. Do mal, o menos.

Para se ter uma ideia correcta e completa dos benefícios que os professores já auferem, e daqueles que vão passar a auferir, é necessário ter duas realidades em conta: por um lado, as vantagens que decorrem do acordo agora obtido; por outro, as condições excepcionais de que os professores já desfrutavam ANTES das mais-valias que agora conseguiram.

Quando, em Portugal, se pretende avaliar o que quer que seja, a prática habitual é fazer comparações com o que se passa na Europa. Na maioria esmagadora dos casos essas comparações são-nos desfavoráveis.

Mas há excepções.

E, uma delas, é a do estatuto remuneratóro e laboral dos nossos professores.

Vejamos o que se passa, comparativamente, em relação aos países da OCDE:

• Nos ensinos básicos e secundário, a quantidade de alunos por professor é de um para onze. Na OCDE, a média é de um para dezasseis, mais 30% do que em Portugal.

• Portugal é um dos países da OCDE que melhor paga aos seus docentes. Por exemplo, e no que respeita a professores com mais de quinze anos de carreira, os salários médios praticados são superiores aos da Suécia, Itália ou Noruega! Nos lugares de topo da carreira, os nossos ordenados estão ao nível dos da Alemanha e da Finlândia. E acima dos da Dinamarca, Reino Unido ou França!

• Se compararmos os números de horas de trabalho anuais, concluiremos que os professores portugueses, ao cumprirem 1440 horas/ano, trabalham menos 250 horas do que a média da OCDE. Isto é, menos 18%!

Permito-me ter a convicção de que estes números arrasadores são desconhecidos da esmagadora maioria dos Portugueses, incluindo os próprios professores. Porque, caso fossem conhecidos e debatidos – designadamente na Assembleia da República – nem os sindicatos teriam o descaramento de fazer as exigências que fizeram (e que em parte foram satisfeitas), nem os decisores polítcos da oposição teriam a desfaçatez de alinhar, da forma como o fizeram, com os “coitadinhos” dos professores das grandes manifs.

Mas há mais.

Segundo o ministério da educação, 83% dos professores avaliados no ano passado conseguiram a classificação de BOM. E só 0,5% – meio por cento! – foram classificados como Suficientes ou Irregulares. Deduzo que os restantes 16,5% terão obtido a classificação de Muito Bom ou Excelente.

Somos, realmente, os maiores! Um país de super-dotados!

Outro dado da questão foi que, para se obter a classificação de Bom, apenas bastou não faltar às aulas, cumprir o serviço e fazer alguma “formação” (não se sabe qual, nem onde).

Isto é: para se ter Bom, basta estar vivo!

E são estes Bons professores que vão passar a somar 270 euros mensais aos 3.091,82 que já recebiam. Feitas as contas, um vencimento sete vezes superior aos 475 euros do tão regateado salário mínimo.

Foi este o acordo conseguido. Um acordo injusto. Um mau acordo. Parabéns ao patrão da Fenprof, Mário Nogueira. E ponto final. Não se fala mais nisso.

Impõe-se agora – espero eu e espera o País – que os professores e os sindicatos parem de se obcecar com o brilho dos euros para finalmente olharem para as escolas, para os alunos, para o ensino, para o insucesso escolar, para o absentismo, para a violência, e façam por merecer o generoso salário que os Portugueses lhes pagam.

23 Comments

  1. Que o Sócrates tenha um ódio de morte aos profs a gente percebe. Um aluno que teve de ir para a Indy para tirar o canudo e mesmo assim com as habilidades que se conhecem. Agora que este senhor tenha um ódio tamanho aos professores não se percebe. Para mim isto é do foro da Psiquiatria. Vocês sabem do que eu estou a falar como diria o amigo Óctavio Machado.

  2. Caro Niza!
    Como referência da minha juventude, o senhor infelizmente parece estar a padecer de uma doença que, melhor do que eu, o senhor poderá classificar. Tirei um curso de 5 anos na Universidade de Coimbra, dois anos de intenso estágio, post graduações, quilómetros de horas de formação na área científica do meu curso, trabalho há quase 37 anos e ganho LÍQUIDOS 1.920 euros. Se tivesse seguido a sua profissão, médico, pergunto lhe: será que ganharia tanto como eu?!O senhor parece senil pelo que escreve.

  3. É que na sua já provecta idade as coisas têm, efectivamente, de ser chamadas pelos nomes, mas é patético constatar que o senhor fez uma figura rídicula ao escrever tanto disparate e insistir em "inverdades". O senhor, sim, o senhor prestou um mau serviço ao país: pela inexactidão das suas atoardas e ainda, tendo custado tanto dinheiro à nação na sua formação académica ( o meu curso custava ao país, na altura, por ano, cerca de 60 mil escudos e o seu? Recorda se?) Seria bom para a sua reputação, SABER as horas que os profs do ensino secundário, os tais que ganham balúrdios e preparam "mal"os jovens para entrar no ensino superior, gastam por semana na sua profissão, Caro Senhor, acredite se quiser, trabalho entre 55 a 60 horas semanais!

  4. Ler os disparates do senhor neste jornal é constatar que a idade não perdoa. Antes a a idade que o cassetismo mental socretino, não será, caro Niza? Quem te viu e quem te vê.
    É pena que a parte final da vida das pessoas se fine de uma forma tão patética.

  5. Este senhor destila ódio pelos professores. Se houvesse justiça na terra, os seus mestres retiravam-lhe tudo o que se sabe e ficaria analfabeto como nasceu.
    É uma vergonha as mentiras que diz em relação a tudo, ou seja, nada do que diz é verdade. Demonstra ignorância e ódio que o cega. Este foi um mau acordo, mas para os professores que foram absolutamente assaltadas por este bando de mentirosos, que por alguma razão que só eles conhecem, maltratam os professores. Essa gente não merece ter futuro…

  6. Mais um parvalhão. Onde é que haverá uma turma de onze alunos? Este parvo (mal intencionado) faz a estatistica incluindo os professores que desempenham outras funções.
    O País está cheio de parvalhões destes.

  7. Caríssimo José Niza,

    gostava de começar por lhe agradecer o facto de me ter informado que ganho €3091 uma vez que a secretaria da minha escola insiste em pagar-me muito menos apesar de ter sido avaliado com bom e insistirem que tenho de ficar mais uma mão cheia de anos para subir de índice (teimosias de quem lê – mal – a legislação, certamente). Obrigado, portanto.
    Agora, uma coisa que não entendo são aquelas contas que dizem que cada professor em Portugal tem uma média de 11 alunos. Será que dividiram o número de alunos pelos professores? É que não sei se o José Niza sabe é que a maior parte dos alunos tem mais de uma disciplina, o que distorce um nadinha 🙂 as contas não acha? De qualquer maneira, penso que aqui se aplica aquela expressão "95,5% de todas as estatísticas são inventadas". Mas o José Niza, sabe disto, certo? Estava só a ver se os seus leitores estavam atentos. É que se não sabe devia estar calado e não falar daquilo que desconhece – chama-se honestidade intelectual.

  8. Sr. Niza. (…) O Sr. sabe que os 3.091 são o máximo iliquido que um professor poderá atingir depois de 40 anos de serviço. O Sr. sabe que não há 5% que o atinjam. O sr. sabe que a média fica abaixo dos 2.000. ilíquidos. O sr. sabe que não nenhuma rurma com 11 alunos com, amédia é de 24. O sr. sabe que a média que fez incluia os professoresw que se encontram noutros serviços. O sr. sabe que o professor é detentor de no mínimo, uma licenciatura. O sr. sabe isso tudo. Se não sabe não dê palpites. Se sabe é (…), reacionário e mau português.
    Fale do que sabe ou cale-se, (…).

  9. Pelo teor das respostas dadas, conseguimos depreender duas coisas, em primeiro que são professores a responder, e em segundo que o Sr. Nisa tem muita lucidez ao analisar o panorama dos actuais professores. Chamam-lhe mentiroso, mas ninguém contradiz os valores apresentados com clareza, além disso só lhe conseguem chamar velho, parvo e senil.
    Como devemos classificar estas respostas (bom, muito bom ou excelente).
    Todos necessitamos dos professores são uma classe indispensável, devem ter um estatuto de acordo com a profissão e com as capacidades do país, nem mais nem menos, não esqueçamos que o nosso salário mínimo é 475.00€

  10. De tanta barbaridade no decorrer de "tão brilhante" prosa uma delas me entusiasmou, 27 anos de ensino e só agora descobri que ganho €3091 e ainda vou ganhar mais €270, fantástico. Claro que como não me pagaram tal quantia, imaginem o que me devem. Obrigada "Mestre" José Niza, sim "Mestre" pois é magnifica a notícia que me dá. Já agora quanto lhe pagam a si para escrever texto de tão parca qualidade? "fazer alguma “formação” (não se sabe qual, nem onde), — se não sabe informe-se antes de escrever, denotava um pouco mais de cultura, pois escrever do que não se sabe e ainda por cima dizê-lo parece-me uma passagem de um atestado de incompetência, —- dou-lhe algumas pistas sobre a nossa formação. É de programação oficial, tipo aprovada pelo ME, sabe o que isso é, e quanto às horas tipo a terminar às 22h ou mais tarde, percebe também? CONTINUA

  11. CONTINUAÇÃO Sabe também temos filhos, que por acaso também são alunos e com estes pais que nem tempo tem para eles realmente valha-nos os nossos colegas professores, nós tomaremos os deles em cuidado e assim tudo anda de pernas para o ar. Quanto às horas de trabalho, 10h, 12h, 15h por dia é trivial…. Poderia continuar, mas são 23.39h, vou trabalhar e a manhã começa bem cedo. Conselho, sim conselho, tenho idade e experíência para tal. Faça um exame à sua consciência e trate o que de mal vai consigo porque o que relatou é de alguém que que está muito de mal consigo próprio. A ofensa é muito feio.

  12. Caro José Niza:
    Mais uma vez não posso estar mais de acordo consigo. E todos estes comentários que recebeu serão normais já que parto do principio que quem os fez pertencerão a classe, portanto meu caro Niza acho muito oportuno os comentários que escreveu até porque você tambem vai ajudar a pagar o que resultou deste acordo.

  13. Professores ou não (eu não sou), percebe-se que este senhor não sabe percebe nada de educação nem sabe o que se passa nas escolas.
    Mas estamos habituados a que qualquer um mande bitaites sobre qualquer coisa.
    Somos realmente o país dos especialistas em tudo… uma das razões (entre outras, é verdade), porque somos os mais pobres e ignorantes da Europa!

  14. Agora sim! Depois de ler estes comentarios (quase todos de professores!), chego a mesma conclusão que o Miguel Sousa Tavares. « os professores não vivem neste mundo, não têm a noção real do pais em que vivem, são de outro planeta» In TVI. Sinceramente….quem lê o que li fica de boca aberta com tanta asneira que estes professores dizem, como é que os nossos alunos podem ter boas notas? Não me admiro, num programa de TV ha não muito tempo uma professore não sabia quem era o primeiro rei de Portugal e ainda ficou ofendida se a estavam a chamar de burra !!! Não ! Realmente é a qualidade de professores que temos, arrogantes e procupados com o dinheirinho no fim do mes

  15. Sr.Zé Pereira

    Se o tal Miguel sou eu, só lhe quero dizer que o Senhor como professor esta mais uma vez a dizer asneiras! é que eu sou licenciado e por acaso a minha melhor cadeira era Matematica. Mas se fica satisfeito por me odender, estaja a vontade.

  16. Exmos.Senhores professores! Já agora, alem de ofederem o Sr.Niza alguem teve a capacidade de dizer aqui neste forum, se os dados que o mesmo mencionou estão incorrectos? é engraçado mas só ouvi falarl mal deste senhor, e parece que agora tambem da minha pessoa, mas ninguem contraria os dados mencionados….porque sera?
    Força Sr.Zé Pereira, chame lá mais um nome, o senhor faz rir

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