A propósito do FITIJ

em Opinião

Temos à porta o FITIJ – festival internacional de teatro para a infância e juventude, em Santarém, já a partir de 1 de outubro! Santarém é cidade com forte vínculo às Artes Cénicas. Além das associações, como o Clube Ribeirense ou a Académica, também a JOC e a LOC – movimentos operários católicos –, se alicerçaram nesse apego às Récitas estudantis. Assim, em 1932, o Liceu apresentou, no Rosa Damasceno, “A Noiva do Chico”, autoria do maestro Luís da Silveira, ensaiado pelo coronel Cardoso dos Santos, com Berta Correia no papel principal. Em março de 1939, um artigo de Artur e Melo, médico do Liceu, enaltece as Récitas dos estudantes: “no palco doma-se a emoção que a luz da ribalta mais exalta”. Em 1951, Joaquim Branquinho Pequeno é Agostinho, e Ruy Belo é Artur, em “Novos e Velhos”, encenado por Carlos Mendes. No ano seguinte, “Frei Tomás”, com Neto de Almeida no Apolinário e Alfredo Pinheiro na Comissão da Récita. A propósito, um escrito do professor Joaquim de Carvalho, no jornal “O Mocho”, dizia do “teatro uma arte só para a Corte, subindo à cena pela mão dos estudantes, como primeira Récita, em Coimbra, no ano recuado de 1570”. “O Troca-Tintas” subiu ao palco em 1955 para, um ano depois, vermos “Santo de Ao Pé da Porta”, com Carlos Guilherme Ribeiro no papel de Hermenegildo e José Niza na organização. No ano de 1956 representa-se “Os Vizinhos do Rés-do-Chão”, com Maria da Purificação no papel principal, subindo à cena, na Récita do ano seguinte, “A Bisbilhoteira”, com Correia Bernardo em Frederico. Também, a Escola Industrial e Comercial teve na professora Mariana Viegas, mãe do enorme Mário Viegas, a impulsionadora do teatro e, no ano de 1966, subiu à cena no Antigo Tribunal da Cidade, hoje o Conservatório, a peça: “As consequências de uma só mentira”, tendo no elenco: Carolina Pereira, Alda Costa, Conceição Rosa, Fernanda Oliveira. E fiquemo-nos por aqui, que tanto ficou por escrever acerca do Teatro em Santarém, com as palavras de Mário Viegas, citando Lorca: “um povo que não ajuda e não fomenta o seu Teatro, se não está morto está moribundo!”

Arnaldo Vasques

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