Tábuas de cozinha de Jamie Oliver são fabricadas em Pernes (c/ vídeo)

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O famoso cozinheiro britânico Jamie Oliver usa tábuas de cozinha “made in” Pernes, fabricadas pelo empresário Raúl Violante que conseguiu retomar a sua atividade na indústria de madeiras. O cozinheiro tem a sua própria linha de tábuas de cozinha, que comercializa por todo o mundo, e que são feitas de forma personalizada na empresa de Raúl Violante, a Gradirripas.

Só nos meses que antecederam o Natal do ano passado, esta empresa vendeu mais de 50 mil tábuas para o mercado inglês e, segundo Raúl Violante, já existem contatos para a venda de produtos para a Alemanha e para o Canadá.

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O empresário pernense conseguiu este contrato “importante” através de um importador inglês que contata diretamente com a estrutura empresarial de Jamie Oliver. “A informação que o importador nos transmite é de que o Jamie Oliver valoriza as nossas tábuas, sobretudo as tábuas para pizzas”, refere Raúl Violante, visivelmente satisfeito por ter retomado a atividade industrial, depois de ter passado por processo de insolvência na sua antiga empresa. Violante é o sucessor de longa tradição – seis gerações – de empresários da indústria dos torneados e da madeira.

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“[A Gradirripas] é uma empresa jovem com força e dedicação que está a apostar em nichos de mercado”, refere ainda o empresário, acrescentando que este aumento de atividade da empresa traduziu-se no aumento de postos de trabalho. Há seis meses eram apenas dois funcionários, agora já são 10. “Numa altura de crise como a que vivemos, é uma mais-valia, com potencialidades de expansão”, diz Raúl Violante, abordando depois o setor na vila: “no caso da indústria de Pernes há nichos de mercado que se podem agarrar, e podemos inverter o decréscimo que houve na indústria de madeira e criar mais postos de trabalho”. “É um desafio para os empresários que deixaram de fabricar. Estou convicto de que vai surgir procura e começa a haver dificuldade de oferta”, frisa ainda o empresário, dando exemplos: “já se estão a fazer tampas em aglomerado de cortiça porque não há quem ofereça tampas em madeira, também já vi bolas de matraquilhos em cortiça porque não há quem as fabrique em madeira. “Pernes tem a tradição e o know-how de empresários, de torneiros e de marceneiros que estão no desemprego e, por isso, pode ter condições para inverter este estado de coisas. Não digo que Pernes volte àquilo que era antigamente mas gradualmente pode voltar a ser um centro interessante da indústria de madeira”, finaliza Raúl Violante

Para o industrial, começa a haver na Europa um certo  “cansaço dos produtos do extremo oriente, sobretudo dos produtos chineses, que impõe grandes quantidades para quem quer comprar às vezes pequenas quantidades”. Além disso, Raúl Violante refere que os “importadores europeus e o consumidor final começam preferir produtos europeu, como cerâmicas e vidros”.

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O seu principal cliente, Jamie Oliver, é um dos principais cozinheiros da Europa e é conhecido por preferir tábuas de madeira em vez de tábuas de plástico. Tem vários programas de TV nos quais chega a apresentar os seus pratos servidos em tábuas de madeira. “Ele valoriza muito a tábua de cozinha, tábua de queijos, tábuas de centros de mesa, tábuas de pizzas”, refere Raúl Violante, empresário que é responsável por oito modelos de tábuas da linha de Jamie Oliver.

Marcas de Pernes

Esta linha de produtos esteve em exposição durante a apresentação das marcas registadas da vila de Pernes, nomeadamente, da marca “Torneados de Madeira – Pernes” e “Pastéis de Santo António”. Esta apresentação decorreu no domingo, dia 17, e Salomé Vieira, presidente da Junta de Freguesia de Pernes, explicou como decorreu este processo de registo de marcas que contou com o apoio da Nersant. “Não foi um processo fácil, começou em março de 2010 e terminou agora no mês de janeiro. A marca Pastéis de Santo António foi registada em dezembro de 2012 e a marca “Torneados de Madeira” foi registada em janeiro”.

Estas marcas “podem e devem agora ser aproveitadas pelas nossas empresas”, frisou a presidente da junta, que considera este processo uma mais-valia para o desenvolvimento da freguesa.

António Campos, presidente da comissão executiva da Nersant, saudou a Junta de Freguesia por ter iniciado este processo de registo de marcas e deixou o apoio da associação empresarial. O dirigente recordou o estudo estratégico sobre torneados, realizado em 1997, e que acabou por não surtir efeito, “mas que se mantém atual”, sublinhou. “A marca é um estímulo que o poder político dá aos empresários para iniciarem uma nova etapa”, frisou António Campos. O dirigente lembrou ainda que existem mecanismos de apoio aos empresários deste setor, nomeadamente, o Passaporte de Emprego que permitirá aos jovens (e menos jovens) criarem o seu posto de trabalho, e uma nova medida do IEFP, a sair em breve, e que passa pelo apoio à criação de unidades de produção cooperativa. “É importante reindustrializar, como afirmou o ministro da Economia”, disse ainda António Campos.

A marca “Torneados de Pernes” abrange móveis, molduras, utensílios de cozinha e casa e brinquedos. A marca “Pastéis de Santo António” diz respeito a um doce muito popular e típico da freguesia e que se julga ter origem conventual, pois em Pernes existiu o Convento de Sant’Ana. Este doce é tão popular que a junta até já teve que fazer a defesa desta marca em janeiro, porque houve uma tentativa de cópia.

Para a presidente da Junta, a defesa destas duas marcas é uma “forma de encontrar novas oportunidades e caminhos para potenciar o desenvolvimento local”, associado ao turismo. Neste âmbito falou ainda das obras por concluir no Mouchão Parque, nomeadamente o paredão central e a requalificação urbanística no interior da ilha. Um recado para Ricardo Gonçalves, presidente da Câmara de Santarém, ali presente e a quem pediu “um empurrão” neste processo da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente. “A Câmara de Santarém tem um palavra importante a dizer e tem que dizê-la por obras”, sublinhou Salomé Vieira.

Ricardo Gonçalves respondeu de seguida para dizer que  “as informações que temos sobre o Mouchão Parque é que as obras começam este ano, entre abril ou junho, e terá a duração de quatro meses”. Quanto à obra de requalificação do interior da ilha, que considerou como “ambiciosa”, disse que não tem a certeza se poderá ser feita ainda dentro deste quadro comunitário de apoio.

Para Ricardo Gonçalves, Pernes está a fazer a aposta certa através do registo e salvaguarda das suas marcas. O autarca metaforizou que “o nosso petróleo é o turismo e a gastronomia é parte desse petróleo”. “É importante sermos diferenciadores, especializarmo-nos em algo porque a especialização leva a mais competitividade”. O presidente da Câmara falou ainda da importância de haver cooperação entre as especificidades da economia local e o ensino superior, nomeadamente, o Instituto Politécnico de Santarém. “Acho que na Escola de Gestão deveria de haver unidades curriculares específicas que falassem sobre a nossa economia real, sobre torneados de madeira e sobre a indústria da pedra” exemplificou. Ricardo Gonçalves anunciou ainda que a câmara de Santarém vai convidar um conjunto de personalidades de Pernes e de Alcanede para elaborarem um programa comemorativo dos 500 anos dos forais das duas vilas, que se assinalam em 2014.

“Perdemos as limas para a Vieira de Leiria, perdemos as pás para Amarante e Mangualdade, perdemos os cabos em madeira para Barroselas, perdemos os suportes e argolas de cortinados para Águeda. Vieram cá aprender todos em Pernes. Será que vamos perder tudo? Acho que não porque este registo das marcas dá-nos alguma esperança”.

História No século XVIII, o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas de Portugal e deu início a um processo de industrialização do triângulo Tomar-Torres Novas-Pernes, através de Jacóme Ratton. Este francês foi depois buscar o italiano Pedro Schiappa Pietra para instalar uma indústria de serralharia em Pernes. Em 1772 foi criada a fábrica de limas e de serralharia na Quinta de S. Silvestre, onde um conjunto de artífices italianos se dedicava ao fabrico de enxadas, pás e verrumas. Esta industrialização atingiu o apogeu na segunda metade do séc. XX com uma forte indústria de torneados que exportava para todo o mundo. Pernes atingiu o pleno emprego e foi polo de atração de mão-de-obra de freguesia vizinhas.  Chegou a estar pensada uma linha de comboio entre Pernes e a estação de Mato Miranda (Vale de Figueira), no início do séc. XX. A indústria de madeira beneficiou também com as duas guerras mundiais e com a Guerra Colonial. Na Primeira Guerra Mundial os cabos das pás e das picaretas foram quase todos construídos em Pernes. Na Segunda Guerra Mundial os industriais de Pernes construíram também muitos cabos de madeira para pás e picaretas para as minas da Panasqueira, de onde saía o volfrâmio português para o fabrico de material de guerra. Na Guerra Colonial aconteceu o mesmo com a produção de caixas de madeira para os militares armazenarem o seu material de guerra. 

 Crise Os torneados iniciaram a sua fase de declínio com o aumento do fenómeno da globalização e com a entrada de produtos em plásticos da China e dos países de Leste. Sofreu nova “machadada” quando a ASAE também exigque restaurantes deixassem de ter utensílios de madeira.

 

7 Comments

  1. Gostei de ver na televisão a notícia sobre os utensílios de madeira de Pernes. E nem de propósito, pois tenho andado por várias casas comerciais a procurar tábuas de cozinha, e o que eu pretendo não tenho conseguido encontrar. Numa próxima ida a Lisboa, passarei por Santarém a comprar boas tábuas de cozinha. Obrigada pela vossa informação e muito sucesso no negócio, Parabens.

  2. Lamento que neste forum nao estejam pernenses a opinar. …………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. A FENIX da mitologia grega de volta em Pernes ? Espero que os erros do passado ( ndividualismo do patronato que levou a quase falencia dos torneados de madeira ) nao se voltem a repetir. A GRADIRIPAS do Raul Violante com o projecto Jamie's foi dar vida a que estava de joelhos. Ja e' tempo de deixar de chorar no molhado. Pernes tem maos de artistas que necessitam de voltar a acreditar neles proprios. Nao e', infelizmente, uns anitos parados que a habilidade se perdeu. Um empurraozinho e ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………,,,,, Mesmo com os mercados a serem cada vez mais competitivos a SORTE PROTEGUE OS AUDAZES. Vamos la' mostrar de que madeira e' feita os pernenses. RUDI B. – FI

  3. …………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………… Espero que os erros do passado ( INDIVIDUALISMO do patronato que levou 'A quase falencia dos torneados de madeira ) nao se voltem a pepetir. ……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………. Esta' melhor assim. RUDI B. – FI

  4. Sempre uma troca a emperrar …………………………………………………………………………………………………… Espero que os erros do passado ( INDIVIDUALISMO do patronato que levou 'A quase falencia dos torneados de madeira ) nao se voltem a REPETIR …………………………………………………………………………………………………….. Assim … sim. RUDI B. – FI

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