Turismo, laxismo e provincianismo, de mãos dadas em Santarém

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Por Manuel Rezinga

Estamos quase a entrar na época alta do turismo e, em Santarém, não vislumbramos qualquer alteração ao status quo instalado, o que parece não preocupar os nossos edis que, pelos vistos, estão conformados com a situação de completa imobilidade no que respeita ao aproveitamento desse importante fator de desenvolvimento. A ausência de imaginação e de criatividade na adoção de medidas que incrementem mais polos de atração e o aproveitamento sustentado das potencialidades de Santarém e do seu Concelho, são sentidas por todos os scalabitanos. Não se compreende como é que, estando situada entre talvez as duas cidades mais visitadas do país (Lisboa e Fátima), deixa passar ao lado milhares de turistas, sem que se mexa uma palha para alterar a situação. Ainda se não houvesse nada de interessante a oferecer…

Uma cidade com três mil anos de história, com uma monumentalidade que até deu origem a que a apelidassem de “Capital do Gótico”, com acessibilidades como não conheço a nenhuma outra (três autoestradas, ferrovia, aeródromo, rio Tejo), com um potencial enorme junto da visitantes do Brasil (túmulo de Pedro Álvares Cabral e consulado), continua no marasmo turístico, fruto da inércia e inépcia intelectual dos seus autarcas. Para estes, parece ser apenas importante promover, fora de portas, o festival de gastronomia e o parque aquático, tudo herdado de anteriores executivos de cores mais carregadas, o que mostra bem a falta de novas iniciativas que ultrapassem, em visibilidade, os limites do Concelho.

Ainda no final do anterior mandato, a Câmara encomendou a uma consultora externa um estudo sobre o turismo no Concelho. Incluía uma série de entrevistas e reuniões de grupos de interesses, tendo como objetivo fazer um diagnóstico e proposta de medidas para o setor. Segundo é conhecido, esse relatório está pronto desde Setembro de 2017, o que torna estranho a sua não divulgação e incompreensível o seu não aproveitamento, antes do início da boa época para o turismo, que está aí à porta. De que está o executivo à espera? Não se sabe.

O dirigido e politicamente bem aproveitado apoio a festinhas e a constante presença em festas e eventos locais, procissões, missas e outras atividades certamente meritórias, mostra bem quais as prioridades dos nossos dirigentes autárquicos. Este provincianismo bacoco e indigente, não é mais do que a revelação das suas incapacidades e limitações, que vão deixando a cidade e o seu potencial turístico cada vez mais distante das boas práticas e do desenvolvimento que se vêem noutras cidades. Nem é preciso serem capitais de distrito, para nos envergonharem a nós, scalabitanos.

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