Editorial – A Volta e as touradas na televisão

em Opinião

A Volta a Portugal em Bicicleta está na estrada, por mais alguns dias – termina a 15 de agosto, em Viseu, depois de percorridos 1626 quilómetros. Passou pelo Ribatejo, logo ao segundo dia, e a televisão mal deu notícia do acontecido. Quando a RTP-1 entrou em directo, já os ciclistas estavam a chegar ao Porto Alto. Quer isto dizer que o essencial do percurso ribatejano no nosso distrito passou em claro. Cartaxo, Santarém, Alpiarça, Almeirim e Benavente tiveram direito a brevíssimas imagens nos resumos da Volta, tão mais fugazes quanto o vislumbre do rápido olhar que teve da Volta quem se deu à maçada de sair de casa para ver os ciclistas a passar na estrada. O apoio que a Comunidade Intermunicipal da Lezíria deu à Volta merecia mais da organização e da RTP. Provavelmente, estaremos a comparar o incomparável pela diferença de meios, mas a imagens, belíssimas, das vilas e da paisagem do Tour de França, que ainda muito recentemente a televisão nos deu, são a prova da nossa pobreza. Também neste desporto que já foi dos mais populares no país. E a mesma sensação colhemos perante os recursos da Vuelta ou do Giro. Ora uma Volta que assinala 90 anos e 79 edições (no começo não se realizou todos os anos) merecia maior e melhor cobertura da nossa televisão.
A mesma televisão está agora a ser criticada pela afición taurina, e em particular a afición ribatejana, descontente com o facto da RTP se limitar a três transmissões de corridas de toiros por ano, e se recusar a mais. As touradas, antes em queda de audiências, estarão agora com mais público, segundo os estudos de audiência mais recentes. E é essa a razão acrescida que leva a afición a insistir com o canal público. Note-se que os canais privados em sinal aberto, TVI e a SIC, já antes tinham acabado com transmissão destes espectáculos. Não sabemos se o que os move, nesta decisão, é a perda de audiências ou o politicamente correcto com o crescente grupo de pressão anti touradas. Uma verdade, porém, é incontornável: o espectáculo da corrida de toiros é permitido e regulado por lei, e, enquanto assim for, um canal público, como é a RTP, tem o dever de lhe dar cobertura. Convinha, por isso, que o director de programas, Daniel Deusdado, explicasse com clareza o porquê de apenas três corridas. Já agora, e para informação dos leitores, a segunda das três corridas de toiros com direito a transmissão pela RTP está agendada para 11 de agosto, e terá lugar na Figueira da Foz, a partir das 22h, enquanto a última transmissão será a 12 de outubro, uma corrida de gala à antiga portuguesa a partir do Campo Pequeno. Mas toiros bravos e corridas são parte incontornável da identidade ribatejana. E a vila de Coruche, inda agora mesmo, irá dar máxima expressão ao toiro nas suas tradicionais festas, como fazemos eco nesta edição.
A mesma RTP, criticada pela parcimónia na Volta e na transmissão de touradas, é também censurada, mas por transmitir documentários. Agora mesmo, o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia acaba de o fazer, a pretexto de o canal publico ter exibido o documentário “Colesterol: A grande farsa”, e com isso ter supostamente prejudicado alguns “doentes” que estarão a abandonar a terapêutica contra o colesterol. Ora, também nós vimos o filme, e não nos parece que advenha da sua exibição algum risco para a saúde pública, como o Dr. Carregeta quer insinuar. Talvez possa é obrigar os médicos a explicarem-se melhor sobre o colesterol e as estaninas, o que não é forçosamente mau. Perigo para a saúde pública, é a censura.

Joaquim Duarte

 

 

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