Comunicação visual “agitprop”

em Blogue de Notas/Opinião

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José Mateus

“Agitprop” resulta da contração das palavras “agitação” e “propaganda”. A  comunicação visual “agitprop”– cartazes, meios de comunicação, flyers e outros materiais gráficos variados – pretende comunicar conteúdos políticos e sociais, ideias, slogans, a um determinado público.

São conhecidos os posters e a literatura do tempo da revolução bolchevique, ou os cartazes e murais maoistas. E também alguns exemplos do 25 de Abril. Sempre que vemos manifestantes com faixas e cartazes, confrontamo-nos com este tipo de comunicação. Texto e desenhos minimalistas, com forte impacto visual, de modo a serem percecionados rapidamente, sem alteração de significado.

Nas manifestações mais estruturadas, esta comunicação resulta mais standartizada e objetiva. Frases curtas, por vezes repetidas, tipografia visualmente forte, caraterísticas gráficas mais geométricas.

Mas quando as manifestações são mais espontâneas e improvisadas, como tem acontecido recentemente, as mensagens visuais também o são. Nascem mais de impulsos individuais e adquirem quase o estatuto de posts do facebook. Vê-se diversidade de frases, tipografia, desenhos e caricaturas, símbolos e suportes. Pais com crianças, e estas com cartazes desenhados por si, com o estilo próprio de acordo com a idade. E meios de comunicação alternativos – como o jornal “espelho” – criado num formato extralongo, para ser colado em paredes.

Perde-se eficácia de comunicação, mas ganha-se criatividade visual e significado social. Ignorá-lo é um erro. Psicanalistas sociológicos precisam-se. E talvez possam começar por olhar para estas mensagens visuais.

 

 

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