Espuma dos Dias – Touradas

em Opinião

Se a Ministra da Cultura tivesse lido um artigo de Ernesto Palma publicado há anos sobre as origens, espiritualidade e representações civilizacionais das touradas não teria pronunciado palavras depreciativas relativamente às artes tauromáquicas pois elas são pronunciadoras de pacífica alegria, de oposição entre o touro, o cavalo e o homem. Se a Ministra tivesse lido os livros de Ortega y Gasset e Salvador Espriu, nos quais abordam o tema teria tido o cuidado de não proferir barbaridades a denunciarem esfusiante analfabetismo acerca desta matéria. Não leu, o dito está dito, conseguiu concitar efusões de múltiplos teores de condenação mesmo no seio da bancada parlamentar do seu partido, incomodando aficcionados cultos, corteses e condescendentes com as bocas fundamentalistas escoradas na ignorância, intolerância e no politicamente correcto da normalização acéfala e dogmática.

No Ribatejo as touradas fazem parte da paisagem cultural do território, as principais cidades e vilas preservam cuidadosamente as suas praças de touros, quem gosta de touradas gosta, não impõe esse atributo, quem não gosta abstendo-se de censurar os amantes da Festa brava.

A Ministra sabe tão bem quanto eu sei os custos de ser diferente, ousar defender a diferença é uma atitude coragem, pois bem ao restringir os apoios aos espectáculos taurinos está a diferençar pela negativa uma arte milenar provinda dos cultos mediterrânicos nos quais existem múltiplas referências mitológicas entrelaçadas no mundo real.

Estou curioso em saber qual irá ser a reacção dos deputados socialistas eleitos pelo círculo de Santarém, parte de Lisboa e Alentejo, eles sabem quão prejudicados podem ser, eu estou confiante no momento de os socialistas impregnados de cultura tauromáquica fechem os olhos e castiguem a Ministra votando noutros partidos. O deputado António Gameiro criticou (e bem) a apatia civilizacional da governante. Além de ser castigo justo recorda o provérbio de não se pôr o carro à frente dos bois, ou seja: não transgredir a intemporalidade da nossa cultura.

Todos nos lembramos do governante censor de José Saramago, a governante Graça Fonseca na sua primeira intervenção no Parlamento ultrapassou Sousa Lara. Não lhe gabo o gosto, aceito e respeito o seu gosto de não gostar de touradas. Diziam os romanos: em matéria de gostos nada está escrito. Entende!

Armando Fernandes

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