Na América de Trump, os racistas estão a ganhar

em Opinião

Como sabem, não morro de amores por Donaldo Trampa (tradução fidedigna do inglês) e penso ser completamente desnecessário explicar o porquê desse desagrado figadal, bastando, ao leitor, devotar um pouco de atenção à conjuntura norte-americana para perceber que, se um escarro amarelo-alaranjado pode ter um ego monstruoso, então, o actual presidente dos EUA corresponde a esse tipo de excreção. Uma coisa nojosa e visguenta que vem cá de dentro, e que cuspimos, por reflexo, de modo a garantir algum alívio corporal.

Contudo, pior que se ser uma forma política de expectoração, no meu entender, é ser-se uma forma política de expectoração com poder e capacidade de influenciar os outros – de quebrar barreiras essenciais à sã convivência comunitária –, fazendo com que as hienas sorridentes concorram, firmes e esperançadas, a cargos públicos de destaque.

Ora, trago isto à baila, porquanto ocorreram, recentemente, votações de magnitude apreciável na pátria do Uncle Sam, ou seja, as eleições primárias destinadas a escolher os candidatos às “midterm elections” (eleições intercalares) nos Estados da Florida e do Arizona. E que tem isso de importante? No que tange à crítica que afloro nos dois primeiros parágrafos deste artigo, a relevância escora-se nas opções dos militantes e simpatizantes do Partido Republicano no Estado cuja toponímia evoca a viçosa, fresca e bela abundância de flores.

Nesse sufrágio preliminar do “Grand Old Party” (GOP) na Florida, quem triunfou foi um tal de Ron DeSantis; um congressista federal propenso ao orgasmo apaixonado sempre que Trump opina sobre um qualquer assunto; um dos principais opositores à investigação criminal que procura aferir se os russos interferiram, mancomunados com o bebé grande que gosta de as agarrar pela mediana virtude, nas eleições presidenciais de 2016.

Ron DeSantis, que de santo nada aparenta ter, após a vitória interna, resolveu desvalorizar Andrew Gillum, o respectivo adversário democrata, depreciando a sua ebânea cor de pele e afirmando que macacadas são dispensáveis.

E é isto que me perturba! Na América de Trump, os racistas ganham!

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