Cacharolete futebolístico

em Opinião

Os últimos tempos têm sido pródigos em acontecimentos no já prodigioso círculo futebolístico. A espantosa renovação de peças e guiões com o fulgurante recrutamento de actores de óperas bufas, manipulação de robertos e outras marionetas, assim como de Augustos e palhaços pobres a fingir de ricos é tão bruta e tão grotesca que existe material em quantidade e qualidade para autores do calibre de John le Carré ou Georges Simmenon poderem escrever livros de grande êxito em fundo português mafioso onde não faltam protagonistas sombrios e até um chantagista de nome Pinto a viver algures no Leste da Europa.

Já não ficamos surpreendidos com as perversas novidades, os desafios à Polícia Judiciária, as barreiras colocadas a essa mesma Polícia impedindo-a de praticar determinadas diligências, a desvalorização do processo no antecedente na procura da garganta funda, os jantares clandestinos filmados no Altis (por quem?), o reboliço mediático agora apimentado pelo pedido de demissão do assessor jurídico do Benfica e a dispensa do jornalista Saraiva como responsável da comunicação social do Sporting, apesar ou por causa de ter viajado até Budapeste.

Mistérios sobre mistérios, de Polichinelo, todos os canais ao molho no rebusco de notícias requentadas, comentadores comedores de vogais consoante os seus interesses e paixões, sem esquecer o regresso de Meirim (este é jurista) e Baganha de apelido desportivo e justiceiro despedido.

A maioria dos intervenientes no cacharolete rasgam as vestes não sabendo nós se em sinal de arrependimento, se evidenciando indignação ou pura e simplesmente no intuito de confundir os adversários (inimigos nos partidos) no reino do pé na bola, mão na carteira e no gravador.

A procissão principia a sair do adro, as claques andam silenciosas, certamente, a desfazerem-se dos engenhos pirotécnicos, para já prevalece a gritaria, os anjos da guarda guardam costas dos presidentes dos clubes, os rapazes arrecadados em prisão preventiva tiveram um verão calmo, veremos qual será o seu comportamento após o julgamento. É de temer o pior.

Os psicólogos e os sociólogos afadigam-se em explicações acerca do fenómeno, o Zé Povinho não faz corte de mangas, coça a cabeça, esfrega os olhos, pergunta a si mesmo quando termina este forrobodó alucinante, azedo e contribuir de modo incisivo para o abastardamento social e cultural das comunidades.

O ludopédio vive em permanente sobressalto. A era dos abrolhos vai chegar. Acreditem!

Armando Fernandes

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