CRIMES E VENENOS

em Opinião

“La Mort par empoisonnement, l’arme perfide par excellence, celle des lâches et des faibles » (JEAN-CHRISTIAN PETITFILS).

 

I. ANTECEDENTES

 

Em Roma, desde os tempos mais remotos da República patrícia (século IV A.C.) que o envenenamento era um dos meios mais caseiros de alguém se libertar de um inimigo incómodo…

Cleópatra, por seu lado, antes de se suicidar, recorrendo à picada de uma áspide, experimentou diversos venenos como a hyoscyamus

 

niger, a beladona, etc. em escravos (usando-os como cobaias), a fim de aquilatar qual a faria sofrer menos…

A mãe de Nero, Agripina, para assegurar a sucessão de seu filho ao imperador Cláudio, mandou envenenar o infeliz com cogumelos, acrescidos e apaladados por um pot-pourri de ervas venenosas.

O seu rebento, Nero, mais prático, desembaraçava-se dos inimigos, recorrendo ao cianeto.

Os venenos de Locusta, a gaulesa, tornaram-se pois, neste ambiente tão propício, justamente célebres.

Primeira serial killer (historicamente documentada), com testemunhos de Apuleius e Suetónio[1] e autora de mais de setenta assassinatos[2] assassinou o Imperador Cláudio (com cogumelos venenosos), a mando de Agripina e Brittanicus, por encomenda de Nero, entre imensos outros inocentes, constantes do seu caderno de encargos…

Na Idade Média, séculos depois, proliferam, de forma inquietante, receitas, velhos engrimanços, livros de magia, alquimia ou de satanismo e feitiçaria, onde também se ensina a matar pelo veneno de inúmeras maneiras…

Nos nossos dias, estrelas de primeira grandeza na ficção de crime e mistério, como Ellis Peters (Dame Edith Pargetter), criadora da

imorredoura figura de um monge herborista galês, Brother Cadfael [3]; Marc Paillet (“Le Poignard et le Poison”); Peter Tremaine (“La Ruse du

 

Serpent”); Umberto Eco (“O Nome da Rosa”); Paul C. Doherty (“Sir Hugh Corbett”) e, nos seus outros pseudónimos, de Paul Harding (“Brother Athelstan”) e C. L. Grace (“O Livro das Sombras”); Elena Arseneva (“Boiardo Artem”); Boris Akounine (“Irmã Pelágia”) fazem um uso exaustivo (e quase sempre bem documentado) da Idade

 

Não especifica qualquer erva

 

O pardal do santuário, Lisboa, Europa-América, col Crime Perfeito, D.L. 1990 [The Sanctuary Sparrow, 1983]

  1. 18: unguento de centauro e amor de hortelão, para equimoses
  2. 37: pó de visco branco de carvalho, para um ‘ataque’ (parece tratar-se de um AVC)
  3. 39: decocção de trevo, para o coração
  4. 98: cozedura de trociscos, não indica para quê
  5. 139: pó de visco branco, para acalmar [ver a ref. p. 37]

 

O noviço do diabo, Lisboa, Europa-América, col Crime Perfeito, D.L. 1993 [The Devil’s Novice, 1983]

  1. 124: ‘ferver uma mistura aromática para aliviar a garganta’

 

Resgate para um homem morto, Lisboa, Europa-América, col Crime Perfeito, D.L. 1992 [Dead Man’s Ransom, 1984]

  1. 28: elixir de marroio, para as tosses e constipações de inverno
  2. 180/196/200: xarope de papoilas, para aliviar as dores

 

The Pilgrim of Hate, data?, obra não lida [publicada em português como O peregrino do ódio]

An excellent Mistery, id. [publicada em português como Terror nos claustros ou O mistério de Shrewsbury] O corvo em Foregate, Lisboa, Europa-América, 1997 [The Raven in the Foregate, 1986]

  1. 69: loção de betónia, sínfito e margarida-dos-prados para limpar feridas e arranhões
  2. 93: louro e menta, tussilagem, marroio-branco, verbasco, mostarda e papoila (acrescentados com um pouco de licor), bons para a garganta (tosse) e constipações; menciona ainda o problema das frieiras, com uma breve referência a ‘banha’, segunda referência a um produto de origem animal
  3. 99: preparado à base de ervas em óleo de amêndoas para as mãos ulceradas pelo frio e demasiado sensíveis para aguentar o unguento à base de banha de porco
  4. 116: aneto, erva-doce, hortelã, uma pequena porção de extracto de papoila e mel para dar um sabor agradável: xarope calmante para um bebé (apenas algumas gotas no leite)
  5. 111: referência à utilização de azeite perfumado [‘juntava as delícias da rosa e do lírio, da violeta e do trevo com o aroma rico e penetrante da arruda, salva e absinto’], ressalvando que a delicada arte dos perfumes, desprezível se destinada à vaidade, é admissível e digna de louvor quando usada num ato de adoração

 

O tributo da rosa, Lisboa, Europa-América, 1999 [The Rose Rent, 1986]

  1. 19: o irmão aparece ocupado com a banha e os óleos aromáticos; na mesma pág. outro personagem refere a gordura da lã para tratar das doenças de pele

 

The Ermit of Eyton Forest, data?, obra não lida [publicada em português como O eremita da floresta Eyton]

 

The Confession of Brother Haluin, data?, obra não lida [publicada em português como A confissão do irmão Haluin] The Heretic’s Apprentice, data?, obra não lida [publicada em português como O aprendiz de herege]

The Potter’s Field, data?, obra não lida [publicada em português como Morte no campo do oleiro]

 

O verão viquingue, Lisboa, Europa-América, 2002 [The Summer of the Danes, 1991] Não há qualquer referência a ervas

 

The Holy Tief, data?

 

Frère Cadfael fait pénitence, Paris, 10|18, 1995 [Brother Cadfael’s Penance, 1994] Não há qualquer referência a erva

 

Média, como pano de fundo de muitos dos seus romances, onde se envenena, mata e tortura com estilo.

Na Renascença, atinge-se (talvez) o apogeu histórico do uso de venenos para os fins mais diversos.

É por essa época que se populariza a designação dos venenos como “pós de sucessão”.

Na Europa beneficia-se da experiência mais antiga e requintada da farmacologia islâmica e judaica, sendo célebres os desvios criminosos de descobertas (puramente destinadas á cura de doentes) de um célebre médico persa, Abu Bakr Muhammad ibn Zakaryya al Razi (Razès), que destilou o álcool, usando-o como antisséptico, o cloreto de mercúrio (sublimado corrosivo) e o arsénico, para fins terapêuticos…

Cedo engenhosos homicidas lhes descobrirão outras utilizações.

 

Ficou célebre a “Cantarella” do sinistro clã dos Bórgia (ou Borja, família valenciana, que se celebrizou pelos desmandos, no decurso do papado do pai, Alexandre VI, como pelos incestos e envenenamentos dos filhos, Cesare e Lucrezia…).

Usavam em profusão misturas de arsénio e fósforo, de efeitos de comprovada eficácia, quando diluídos em vinho…

Mais tarde, após o concílio de Trento, as memórias do Cardeal Sforza Pallavicini, brilhante teólogo jesuíta (1659),[4] dão-nos conta de mais de seiscentos homicídios por envenenamento, pelos anos 1650.


São eles da autoria de Giulia Tofan, acolitada por sua filha, Girolama Spera, ambas naturais de Palermo.

Criando um veneno original, a “Acqua Tofana” ou “Manna di San Nicola di Bari”, utilizado sobretudo em Nápoles e Roma.

Consistia, ao que parece, numa mistura sabiamente doseada de arsénio e chumbo (e algumas pitadas de beladona).

Mas os envenenamentos, com o período barroco, atingirão de facto, o seu ponto mais alto…

 

  • O CLÍMAX – “L’AFFAIRE DES POISONS”

 

 

A marquesa de Brinvilliers, Marie Madeleine d’Aubray, foi, sem lugar a dúvidas, uma das mais célebres figuras de envenenadora da História moderna.

Foi supliciada e morta, por sentença, de tribunal da dita Grand’ Chambre, presidindo à mesma o presidente do parlamento, De Lamoignon , a 16 de Julho de 1676.

Tinha envenenado seu pai, dois irmãos, seu sogro e tentado ainda matar outra irmã (além de ter ainda envenenado muitas outras pessoas), com a ajuda de seu amante, o bastardo gascão Jean- Baptiste de Sainte-Croix, capitão no regimento de Tracy e alquimista amador.

Antes dos crimes, experimentava a eficácia dos venenos que propinava em doentes pobres do Hôtel-Dieu (Hospital de Paris, no

 

século XVII), que visitava, plena de caridade, dando-lhes “tisanas reconfortantes”…

Possuía, como se vê, o espírito de experimentação científica que já observámos em Cleópatra…

Usou, para o efeito, vitríolo, arsénico e veneno de sapo. Poucos meses depois, desencadeia-se o inferno em Paris.

Partindo de declarações da marquesa, sob tortura, denúncias crescentes, na maioria não anónimas, desencadeiam o inferno na corte de Versalhes.

Trata-se do tremendo escândalo dos inúmeros assassinatos pelo veneno (de maridos, pais, rivais amorosas); orgias e missas negras; abortos a torto e a direito; sacrifícios rituais de bebés, de mistura com práticas de alquimia e ocultismo.

Envolvendo diretamente figuras da nobreza e do governo da época, do superintendente Fouquet a Marie Louise, duquesa de Vitry; Antoinette, duquesa de Vivonne; sua irmã, amante oficial de Luís XIV, Françoise  de      Tonnay-Charente,         marquesa                  de                 Montespan;             Jacqueline, Viscondessa de Polignac; Jean Maillard, Conselheiro do rei; Étienne Guibourg, filho do príncipe de Montmorency, capelão e vigário em Saint-Jacques de L’Hôpital (este assassino também de diversas crianças, no decurso de missas negras, que celebrava para senhoras  da nobreza); Olympe Mancini, condessa de Soissons e tantas (e  tantos) mais…

 

O rei viu-se, pois, forçado (ele próprio, vítima de mais do que uma tentativa de envenamento) a tomar medidas imediatas para for fim ao escândalo que a História designou como “L’Affaire des Poisons”.

Para o efeito, criou-se um tribunal de jurisdição extraordinária (semelhante aos que foram criados, também por Luís XIV e que julgaram o Superintendente de finanças, Nicolas Fouquet e o Chevalier de Rohan) por Ordem real (Lettre patente), de 7 de abril de 1679.

Chamavam-lhe “Chambre Ardente”, segundo o Lieutenant Général de la Police, Gabriel Nicolas de la Reynie, em recordação dos tribunais medievais.

Pois que, por ordem do rei, este tribunal funcionava em salas lúgubres, forradas com tapeçarias negras e iluminadas por tochas e archotes.

Tinha um precedente: após o escândalo dos placards, em 1534, François I de Valois nomeara uma “Chambre Ardente”, no ano seguinte e alguns protestantes (denunciados como heréticos) acabaram sendo queimados vivos…

Voltando a 1679 e por virtude dos inquéritos e julgamentos deste tribunal, descobriu-se um incalculável número de envenadores e envenadoras, operando (como contract killers) em muitos casos, no interesse de senhoras nobres que lhes pagavam, ou fornecendo-lhes venenos adequados para elas cometerem, por si próprias, os seus homicídios.

 

Igual (ou superior em sociopatia grave) à marquesa de Brinvilliers, foi Catherine Deshayes, dita Montvoisin ou “La Monvoisin”, que assassinou um enorme número de pessoas, recorrendo ao veneno, tendo sido queimada viva na praça de Grève, em 22 de Fevereiro de 1680.

Quantas e quantos se lhe seguirão …

 

Ao que parece, durante o reinado de Luís XIV, quatrocentos e quarenta e dois….[5]

 

III       OS VENENOS NO POLICIAL

 

Num dos maiores clássicos do policial dos anos trinta (“Poison in Jest”, 1932) John Dickson Carr fala-nos sobre a Hiosciamina, veneno apenas empregue até aí (tanto quanto se lembrava) pelo sinistro Dr. Crippen. E baseia o título da obra numa cena do ”Hamlet” (Acto III, Cena II), em que uns comediantes que a seu pedido, representam perante o Rei Claudius e a rainha Gertrude, onde ocorre um assassinato com cicuta, perante o seu pavor, exclama “No, no, they do but jest, poison in jest!”.

E   explica:   “não,   não,   é   tudo   ficção,   o   envenenamento   é   de brincadeira!” (Ato III, Cena II). O que é obra, pois nesse preciso livro,

 

três pessoas são assassinadas, duas com hidrobrometo de hiosciamina, uma com arsénico

Em “The Burning Court” (1937), considerado, sem favor, um dos seus melhores títulos, também fala (como fizera na obra anterior) da Marquesa de Brinvilliers.

Erradamente, pois a Marquesa de Brinvilliers foi executada em 1676 e a Chambre Ardente (“Burning Court”) foi criada, como dissemos, por Luís XIV, em 1679…

Em “The Punch and Judy Murders”, lançado no ano anterior, de novo faz surgir o arsénico em dois homicídios…

Se, ao acaso, começarmos por enumerar algumas escolhas de envenenamentos nas obras de Edgar Wallace (generoso nas doses e ignorante dos efeitos…), Agatha Christie (não vou ser exaustivo, nem podia, desenganem-se… há venenos demais); Conan Doyle (en passant…), o espantoso (e hélas, quase desconhecido) escritor checo Leo Perutz (1884-1957) , encontramos, entre muitos outros:

  1. Morte por vírus ou bactérias inoculados pelo assassino (coli communis; pneumococus, peste bubónica, tuberculina),
  2. Estriquinina,

 

  1. Sulfato de atropina, no creme de barbear;

 

  1. Haschich, do bom, à maneira do século XIII… 5.Veneno de “Naja” (cobra do brejo);
  2. Vitríolo, pastilhas de ar comprimido para fabricar “Eau de Seltz”;

 

  1. Neve carbónica e ar líquido;

 

enfim…podia facilmente chegar-se às duzentas maneiras de por expeditamente um ser humano no caixão, recorrendo, se necessário, à Miditradização (com arsénico), como Dorothy Sayers explica, em “Strong Poison”, de 1930, ou a forma mais subtil ainda, em “Unatural Death”, (bolha de ar numa artéria, hoje evento banal) em 1927!

JOHN DICKSON CARR, ainda ele, nos “Red Widow Murders”, 1935, dá- se ao luxo de fazer o homicida hesitar entre o tipo de veneno empregue, para terminar por nos presentear com uma solução mortal, oferecida à vítima (médico, aliás), como remédio soberano para as (suas) dores de dentes….

E isto, para recorrer apenas aos nomes maiores do policial!

 

No seu sétimo romance, de 1926, (“THE MURDER OF ROGER ACKROYD”), AGATHA CHRISTIE ironiza: “O veneno é o ingrediente mais clássico do romance policial; tem de ser raríssimo, oriundo, sempre que possível, da América do Sul, tirado a uma tribo que o utiliza para envenenar as suas flechas. Provoca sempre uma morte instantânea que a ciência ocidental é incapaz de explicar”.

É tão difícil (de facto) distinguir se se está perante um acidente, um suicídio, uma negligência estúpida, decerto, mas não criminosa ou, enfim, perante um crime particularmente perverso?

E é facílimo, então, hoje em dia, com a internet, obter o saber necessário para misturar aqueles produtos anunciados na televisão: insecticidas, lexívia, certos raticidas ou herbicidas de jardim, diluentes, desentupidores de retretes, alguns enérgicos detergentes…

 

Ou então, obter uma poção mágica das mais eficazes, no armário do próprio avozinho a assassinar…

É tão fácil ao assassino beneficiar de erros judiciários, com o uso desta arma cobarde.

Seria um inocente envenenamento alimentar.

 

Ou um erro de doseamento, na dose medicamente prescrita? Tudo é possível…

E, além do mais, os ajudantes estão ali à mão: no solo (arsénio, antimónio, chumbo), nas plantas de jardim ou de estufa, ou no herbário, carinhosamente tratado por alguma boa alma (ópio, curare), nas drogarias, nas farmácias, agora até nos centros comerciais e “drugstores”…

O cianeto, mesmo espumoso, não está mesmo a calhar para uma morte do mais clássico que há, em novelas de mistério?

Sparkling Cyanide ! Querem título mais estimulante?

 

Por exemplo, a genial Agatha Christie (que não falava do que não sabia), sabia, neste campo, do que falava.

Em Agosto de 1914, incorpora-se no destacamento da Cruz Vermelha Britânica, como servente auxiliar (Voluntária) e, mais tarde, (as suas deficiências em relações humanas com os feridos não eram superadas pela sua boa vontade) é destacada para o dispensário farmacêutico de Torquay.

 

Aqui, já se lhe não exige jeito com pessoas, mas capacidade para memorizar conhecimentos técnicos. E este evento será precioso para a sua futura carreira de romancista.

Rapidamente se familiariza com os arcanos da toxicologia.

 

O seu feitio organizado memoriza e regista as diferentes nomenclaturas, as propriedades químicas dos diferentes elementos empregues nas medicações, as infinitas possibilidades das substâncias: os venenos, os contravenenos, os segredos das plantas venenosas.

EDITH PARGETER (sob o pseudónimo de JOLYON CARR, embora mais conhecida por um outro, ELLIS PETERS) publica por seu lado, “Murder in the Dispensary” em 1938, onde o hidrato de cloral é apenas o despoletador de um drama Shakespeariano.

Como o fará CHRISTIANNA BRAND em 1944, com o seu clássico “Green for Danger”. Aqui será a morfina a protagonista.

Da experiência vivida por ambas, agora no quadro na segunda Guerra Mundial (Agatha Christie vivera-a na primeira…), dos dramas  humanos que explodiam nas salas operatórias, farmácias, enfermarias, corredores, por entre feridos e mutilados, alertas de ataque aéreo e ritmos de trabalho destruidores resultaram obras literárias de excelente valia.

Em “The Black Spectacles”, escrito em 1939, JOHN DICKSON CARR, (no famoso capítulo XVIII, dedicado, na sua integralidade, a analisar a personalidade dos envenenadores), somos presenteados com um

 

quadro inquietante dos envenenadores-homens: “…falo-lhes desses mestres em hipocrisia, dessas eternas espadas de Dâmocles, permanentemente suspensas sobre a cabeça das esposas.

Deus sabe como as mulheres envenenadoras são perigosas. Mas os homens são ainda mais perigosos para a sociedade, com estratégias diabólicas de aplicação e de gestão, na criteriosa aplicação de doses generosas de estriquinina e arsénico”.[6]

Para estes homicidas vale tudo.

 

Ópio, digitalina, o “clostridium botulinum” do presunto, antimónio, cianeto, pesticidas e raticidas vários, nicotina.

Morfina, estricinina, curare, acotina, beladona, brucina, inoculação de bacilos da tuberculose, difteria ou tifo.

Ou envio para a morte, por vaporização nasal de bacilos mortais.

 

Ou os venenos de aranha, que fizeram as delícias de MAXIME CHATTTAM, no seu best-seller Maléfices

Veneno, uma verdadeira cozinha do Demónio.

 

Omito as sempiternas referências aos Bórgia e à famosa viúva Tching, de que nos fala JORGE LUIS BORGES, na sua famosa “Historia Universal de la Infamia”, que usava, como instrumento mortal

 

“gordas lagartas envenenadas, cozidas com arroz”, petisco irresistível para os chineses do fim do Século XVIII…

Curioso que GLEN PETRIE, em 1995, no seu romance “The Hampstead Poisonings”, onde faz reaparecer o inerte leão marinho, irmão de Sherlock, Mycroft Holmes, põe na sua boca a seguinte reflexão: “deram-lhe arsénico e morreu…que maneira cobarde e insensível de matar”.

Mas que requer algum “know-how”…

 

JULIAN SYMONS, um dos meus escritores favoritos dos anos sessenta, em “The Blackheath Poisonings”, datado de 1979, mas que se situa no final do século XIX, diz-nos, a propósito do envenenamento por arsénico, que este ”é particularmente odioso”.

Para mim, qualquer envenamento o é. Sou um boçal.

Aliás, nesse mesmo livro (que deu um excelente filme…), associa o envenenamento a perversões sexuais ou comportamentais que quase inevitavelmente, segundo ele, o acompanham.

Agatha Christie, por seu lado, como insuperável Rainha não coroada do Crime, é muito mais pragmática.

O envenenamento, como outras patifarias, são apenas a forma expedita e amoral de ter acesso a uma herança, ou de se desembaraçar de alguém que se tornou insuportavelmente incómodo….

Sem mais filosofias ou considerandos.

 

Nos seus numerosos romances onde introduz o uso de venenos[7],  entre tantos outros, o problema da prova é essencial.

“…eu podia demonstrar que Miss Arundell tinha sido envenenada com fósforo, mas ainda existia um pequeno problema. O corpo estava enterrado há dois meses e eu sabia que havia casos desse tipo de envenenamento onde se não encontrou nenhuma lesão e o aspecto post-mortem era muito pouco conclusivo.[8]”.

Também JULIE KRISTEVA nos traça o itinerário da busca de provas[9]: “Era então Alba que o andava a envenenar! A sua farmácia, a abarrotar de psicotrópicos; o livro aberto no capítulo “Venenos”, ao lado da truta com gengibre. Não era difícil de reconstituir o itinerário. Primeiro, Alba começava por lhe dar generosamente doses de neurolépticos e outros antidepressores, com consequências incertas e imprevisíveis. … a sonolência, a excitação ou o abatimento da vítima depressa se tornam visíveis e são suficientes, no começo, para saciar o empenhamento do alquimista; depois, lança-se no estudo dos venenos: arsénico, antimónio, chumbo ou mercúrio?”.

Falemos (ao acaso) de dois venenos, por exemplo o curare e a estricnina, cujos sintomas são semelhantes (os dois venenos derivam da mesma planta, Strychnos Ignati).

 

Com uma diferença. O curare tem uma potencialidade mortífera impressionante: injetado sob a pele numa quantidade ínfima, causa a morte em dez minutos…

Por ela se sabe que, sempre que o cadáver aparece com a face congestionada ou inchada, podemos estar seguros sem ser médicos legais, que a morte foi causada por um veneno, agindo sobre o sistema respiratório.

Christie, nada disto esquece, pouco disto deixa ao acaso….

 

Daí ter sido magistral na descrição de crimes por envenamento. Podemos ter a certeza de que, em The Moving Finger e Sparkling Cyanide, Four and Twenty Blackbirds, A Pocketful of Rye (1942, 1945, 1948 e 1953), ela consegue atingir o máximo possível de virtuosismo sem prosápia, na opção por enredos de ficção policial que se constroem com venenos…

Mas, para matar sem punhal ou pistola, nem é preciso venenos.

 

Como entre tantos outros truques, que encheriam um livro, MELVILLE DAVISSON POST (1869-1930) não se esquece de nos informar que basta, num dia gelado de inverno, deixar aberta a janela de um quarto de um doente com pneumonia e, horas depois, não nos esquecermos de fechá-la de novo…

E já está.

 

Falar de venenos, leva-me a falar também dos que deles nos podem curar…

 

E nesse ângulo, em 1943, BEN HECHT, no seu conto (“Ellery Queen’s Mystery Magazine”) “Quinze Médicos Assassinos”, apresenta-nos uma historieta fabulosa de ironia (mas pouco lisonjeira para os barões da Medicina) onde uma vida é salva por…catorze assassinos.

É que os médicos, além de curar, podem ser inapreciáveis para determinar como o criminoso matou, feriu ou mutilou a vítima, usando os seus conhecimentos de fisiologia e química orgânica….

Estamos, di-lo um dos protagonistas da popular série televisiva (tripla) de Bruckheimer, C.S.I. (Las Vegas; Miami; Nova York), na época do ADN…

Quão enorme a distância percorrida, partindo de um Dr. Thorndyke, pomposo amontoado de lugares comuns vitorianos e positivistas (mitigados); dum Fu Manchu, com os seus venenos para aterrorizar dactilógrafas boquiabertas e a que nos apresenta às figuras (igualmente inverosímeis, mas quanto mais fascinantes) de uma Dana Scully, católica e criativa médica e agente do FBI (X-Files, série TV de Chris Carter), de uma doutora Samantha Ryan, forensic doctor, competente e humana, ou de um Lincoln Rhyme, tetraplégico e superdotado narcisista e criminologista de eleição (criação de JEFFERY DEAVER), excelentemente protagonizado no cinema por Denzel Washington.

 

No primeiro caso, o médico forense DR. JOHN EVELYN THORNDYKE, criação do londrino RICHARD AUSTIN FREEMAN[10], que começa as suas deambulações pelo crime em 1907 (em Red Thumb Mark de 1907, The Blue Sequin, de 1908, ambos publicados no Pearson’s Magazine e que continuarão, ao longo das décadas de dez, vinte e trinta).

  1. Freeman, morre aos oitenta e um anos, deixando-nos um espólio literário precioso.

É que FREEMAN também sabia do que falava. Como CHRISTIE.

Embora, ao passar a sua ciência ao papel, não tivesse o talento desta e o fizesse sem a mínima graça…

Doutor em cirurgia, começa a sua atividade nas colónias.

 

Uma doença grave devolve-o à metrópole, força-o a ensinar e, por fim (felizmente para nós) a escrever a tempo inteiro.

A sua criação consiste numa figura quase omnisciente (para a época), em criminologia e patologia forenses.

Este médico-jurista, tem origem num autor que, pretendendo, à época, teorizar sobre o género policial, tem um especial cuidado em construir, com rigor e exatidão científicas, as suas histórias.

 

Dotado de enorme capacidade inventiva, varia constantemente o estilo das suas obras, descobrindo (ou sendo, pelo menos, um dos primeiros e o melhor, a popularizá-las), dos enigmas ao contrário (inverted story), no decurso da qual o crime começa por ser-nos apresentado do ponto de vista do criminoso, antes ainda da sua perpetração e do início do inquérito.

O leitor acompanha assim a peregrinação do investigador, na procura e prova da verdade.

A ele se deve a possibilidade de falsificação de impressões digitais, o congelamento do cadáver, a fim de tentar alterar o momento real da sua morte (para o médico que procede à autópsia), etc.

E isto entre 1907 e 1912…

 

O patologista Reggie Fortune (criação do britânico E. C. BAILEY, com o romance “Call Mr.Fortune”, em 1920); o professor de Química na Universidade de Columbia, Craig Kennedy, criação do americano ARTHUR B. REEVE, em “The Silent Bullet”, de 1912; o Dr. Lancelot Priestley, cientista em física e química, criado pelo REVº. JOHN RHODE (UK) em “The Paddington Mystery”, em 1925; o médico DR. David Wintringham, criação da inglesa JOSEPHINE BELL, em 1937 (“Murder in Hospital”), são alguns exemplos, na chamada “Idade do Ouro” da ficção policial, em que se centra o papel de herói e profeta numa personagem que tem formação científica.

 

Sozinhos ou com o seu escriba, admirador ou discípulo, o fiel Watson, que é o nosso procurador ingénuo, dentro da trama do romance.

Ou seja: desde o início, a investigação do crime andou a passo com a medicina, a farmacologia, a química orgânica, a ciência dos simples.

FLORENT BONNEVY (“Sauve-du-Mal”), médico que maneja venenos e poções (sem mencionar as experiências científicas, feitas em conjunto com outros cientistas), ao serviço da figura sinistra do regente Philippe D’Orléans, é detective e herói, em 1715-1725, nas obras da francesa DOMINIQUE MULLER .

É este émulo de Sherlock Holmes que nos diz que “les tricheurs poussent comme le chiendent”, pelo que todos os conhecimentos de farmácia, medicina e alquimia são poucos, para vencer o envenenamento e a falsidade, onde quer que se escondam….

Outro caso já referido (este igualmente, de quem fala do que sabe…) é o de CHRISTIANNA BRAND[11].

Esta   inglesa,   educada   na   Malásia,   casada   com   um   cirurgião, enfermeira          auxiliar   na      segunda guerra,    usa         os     seus   preciosos conhecimentos na matéria, para nos presentear com o livro já referido, (“Green, for Danger”), que se tornará, como os “Ten Little Niggers” ou “The Hound of the Baskerville”, um dos maiores clássicos de sempre do policial britânico.

 

A figura do Inspetor COCKRILL (ao que dizem, inspirada na de seu sogro na vida real…) é um achado e reaparecerá em outros livros da autora.

Gás e dióxido de carbono na anestesia, morfina, tudo serve para matar.

Dentro e fora de hospitais ou clínicas, em humildes lares de pequena burguesia de Nova York ou em britânicas mansões rurais, sob o olhar atento (à morte ou à salvação) de uma fiel governanta.

Os romances de temas farmacêuticos, médicos ou hospitalares, instalam-se a partir da segunda guerra mundial.

Como o (re)demonstrou ROBIN COOK [12].

 

Professor de Medicina em Harvard, oftalmologista e generalista, está como peixe na água, descrevendo (como Brand, aliás) de forma perfeita, equipamentos, meios de diagnóstico, instalações e hábitos de trabalho do meio médico, dos administradores hospitalares aos maqueiros.

Começando com o que constitui hoje um clássico na matéria (Coma, de 1977), um thriller, que se desenrola num grande hospital de Boston, gerador de uma incomodidade arrepiante (no leitor, por nada poder fazer!).

Cook continua fiel a este tema com inúmeras obras, de que entre as muitas que produziu (pelo menos uma por ano), destaco: Brain, de 1981.


Neste livro, onde o horror atinge o gigantismo de um STEPHEN KING ou dum GRAHAM MASTERTON, um jovem médico defronta-se com um balanço (que comprova) de que pelo menos dezassete doentes do serviço de neurologia foram assassinados, em termos que mais vale não referir…

O médico louco (por êxito, poder ou dinheiro, não necessariamente psicótico) reaparece em Godplayer, de 1983; as conspirações genéticas em Mindbend, de 1985; um sórdido tráfico de fecundação in vitro, em Vital Sign, de 1991 e até temos terrorismo bacteriológico em Vector, de 1999[13].

Infelizmente este oftalmologista astuto vê demasiado bem o interesse dos “lugares-comuns” da “literatura best-seller para consumidor médio” e o desenrolar e o estilo, cheio de clichés, das suas obras, ressente-se disso (mas certamente não a conta bancária)…

A americana PATRICIA DANIELS CORNWELL, nascida em 1956, em Miami, faz nascer por fim nesta competição mórbida a Doutora KAY SCARPETTA, forensic (médica legal), caçadora impiedosa de serial killers em competição desapiedada com temíveis rivais, (a Profiler Samantha Walters; a Drª Dana Scully, de X-FILES, a Drª. Sam Ryan, esta britânica).

 

Postmortem, de 1990, ganha nada menos que o Edgar, o Creasey Award, o Anthony Award, o Macavity Award e o Prix du Roman d’Aventures. Seguem-se-lhe, igualmente bons, All That Remains, de 1992; The Body Farm, 1994; Cause of Death, 1996; Unnatural Exposure, de 1997; Black Notice, de 1999; Isle of Dogs, de 2001; Trace, de 2004.

Jornalista atenta, com estudos aprofundados de medicina legal, não foi difícil a Patricia Cornwell, dotada de um estilo elegante, educado mas sem concessões ou hipocrisias, criar um universo ficcional povoado de serial killers sádicos, pedófilos de snuff movies, criminosos com longa prática de homicídio por encomenda. Que nos apresenta sempre num enquadramento de horror tranquilo, vivo e suportado por indiscutíveis conhecimentos técnicos.

Problemas graves, de doença bipolar e alcoolismo, parecem, infelizmente, comprometer uma carreira de primeira água.

Com ela, vai longe a análise do crime com olhos de médico (no caso, a médica KAY SCARPETTA).

Parecia estar a equipar-nos para um voo no espaço, com botijas de ar comprimido, máscaras e capuzes. A A.I.D.S. era um risco sério, no  caso de uma picada de agulha ou corte, ao trabalharmos com um cadáver infectado, mas uma ameaça maior eram as infecções aeróbias, como a tuberculose, a hepatite, a meningite. Atualmente calçávamos dois pares de luvas, respirávamos ar purificado e cobriamo-nos com batas descartáveis. Alguns médicos, como Rader, usavam luvas de

 

malha de aço inoxidável, que faziam lembrar cotas medievais…cada um de nós recebeu um par de óculos plásticos com lentes cor-de- laranja, para acrescentar à indumentária. Rader ligou uma fonte de luz, chamada Lumalite, uma pequena caixa negra com cabo de fibras ópticas de realce dos tons de azul. A pele [do cadáver] estava rosada do “livor mortis” pelo frio, com mórbidos retalhos de sangue escurecido.” (From Potter’s Field, 1995).

Mas será com os anos oitenta, mais precisamente, quando a televisão (como o cinema o fez, nos anos vinte a cinquenta…) condiciona crescentemente a escolha de temas e até o estilo dos autores de policial, que este subgénero se irá desenvolver, como melhor se verá ao assistirmos (se dotados de coragem) a um episódio das séries de TV CSI, Criminal Minds, Trauma, etc .

Temos mesmo, graças a STEPHEN BRADY, a criação de uma figura comovedora, a da Doutora SAMANTHA RYAN[14] , filha de um polícia atomizado num atentado do IRA, personificada pela atriz AMANDA BURTON, que deve, em grande parte, o seu êxito, ano após ano, à perturbante personificação da heroína na TV, sob excelente direção de Bill Anderson…

Para terminar, penso que abordo um tema que está destinado a tornar-se popular na erradamente designada literatura de evasão.

 

Mas apresentar-se-á mais e mais em novas obras, presa de imperativos de marketing editorial e fílmico que a esvaziarão por completo, de méritos que, até hoje, tenha sabido conservar.

Poderá parecer que, ao escrever isto, pretendo iniciar uma modesta guerrilha contra o evanescente conceito de ficção de crime e mistério, livros sobre envenamentos ou crescente sadismo dos mitos urbanos do género na atualidade.

Nada mais injusto.

 

Tenho para mim que a desconstrução, se assim podemos dizer, do trabalho e da sociedade, pela conjugação de computadores, nano tecnologias e robótica, instrumentos geradores de mudanças ainda no início[15] é um formidável meio de melhoria da qualidade de vida humana. Aplicável ao cinema e aos telefilmes, está bem de ver.

E que o policial, de que, sem lhe dar nome de baptismo, há já duzentos anos, tantos escritores de mérito falavam, está para ficar. Mas, como dizem os alquimistas, o que é alimento por excelência, pode ser também veneno… depende da quantidade e das circunstâncias.

 

[1] The Twelve Caesars, 2007, Penguin

[2] Katherine Ramsland, Inside the Minds of Serial Killers: why they kill, 2006, Greenwood

[3]  ERVAS

 

Relação das ervas utilizadas pelo Irmão Cadfael nas obras de Ellis Peters

A ação decorre entre 1136 e 1146, na fronteira anglo-galesa do atual Reino Unido. O personagem é indicado como botânico, jardineiro, droguista

Apresentação/designação dos remédios/medicamentos, plantas ou ervas medicinais: bálsamos, comprimidos, cordiais, cozeduras, decocções, eletuários, elixires, linimentos, loções, medicamentos, mezinhas, pastas, pastilhas, poções, pomadas, pós, sucos, unguentos, xaropes

Designação dos espaços: jardim, ou jardim de ervas medicinais, herbário, horto, horto medicinal, laboratório, estufa, oficina

 

As ligaduras utilizadas são sempre de linho

 

Um gosto mórbido por ossos, Lisboa, Europa-América, Livros de bolso, 1983 [A morbid taste for bones, 1977]

  1. 9: ervas existentes no herbarium do Irmão Cadfael: arruda, sálvia, alecrim, aljofareira, gengibre, hortelã, tomilho, aquilégia, cebolim, mostarda, funcho, atanásia, basílico, aneto, salsa, cerefólio, manjerona; para além destas plantas ‘rasteiras e tímidas’, as peónias, as papoilas brancas ou púrpura
  2. 15: suco de papoila, usado num caso de convulsões, citado ao longo de toda a obra

 

Um corpo a mais, Lisboa, Europa-América, Livros de bolso, s.d. [One corps too many, 1979]

  1. 20: alecrim, tomilho, erva-doce, anetos, salvas, lavanda [muitas das ervas referidas são também para usar na cozinha]
  2. 54/84/181: potentilha, para preparar um unguento para o tratamento de feridas e escoriações
  3. 113: lavanda, sem indicação da utilidade

 

Justiça à moda antiga, Lisboa, Europa-América, Livro de bolsos, D.L. 1985 [Monk’s hood, 1980]

  1. 16: o cozinheiro refere cicuta para ‘obrigar’ alguém a abandonar um cargo
  2. 17: rosmaninho, marroio e saxifrágia esmagados num pouco de óleo feito com sementes de linho esmagadas, sendo o excipiente um vinho encarnado feito com cerejas com caroço – faz bem ao defluxo nasal ou dos olhos, serve também para a tosse; e ainda sálvia, para as escaras
  3. 19: raiz de acónito em óleo de mostarda e óleo de sementes de linho; embora extremamente venenoso, faz milagres em massajem nas articulações dolorosas e velhas, em pequena quantidade [lavar bem as mão depois de aplicar]
  4. 30: mostarda, para vomitar
  5. 37: o irmão acrescenta ao unguento referido na página 19 a presença de alho-porro
  6. 55: verbasco, mirra, arruda, rosmaninho e mostarda, num xarope para a tosse
  7. 113: uma deslocação para tratar de um irmão doente reúne remédios para a garganta, o peito, a cabeça, um unguento para esfregar no peito, gordura de ganso [primeira referência a um produto animal, mais à frente referida como banha de ganso] e ervas fortes
  8. 119: poção quente feita com vinho misturado com especiarias, borragem e outras ervas febrífugas – alivia a respiração, relaxa os tendões e acaba por fazer suar
  9. 121: massagem com sálvia para alívio do peito e garganta

Nesta obra há ainda a referência a ervas para usar em culinária, tais como sálvia e manjericão, hortelã, rosmaninho e arruda

 

A feira de São Pedro, Lisboa, Europa-América, Livro de bolsos, D.L. 1987 [Saint Peters Fair, 1981]

  1. 7: papoilas orientais
  2. 124: sementes de papoila secas ao sol; água de angélica para a enfermaria; unguento de amor de hortelão para tratar de um golpe
  3. 183: pasta de folhas de amendoeira e unguento do manto de Nossa Senhora, específicos para queimaduras

 

O leproso de Saint Giles, Lisboa, Europa-América, col Crime Perfeito, 1988 [The Leper of Sain Giles, 1981]

  1. 13: loção de parietária, para as escrófulas
  2. 15: alcana, anémona, hortelã, escrofulária e grãos de cevada, sendo a maior parte ervas de Vénus e da Lua – conteúdo do armário dos remédios da Leprosaria
  3. 29: mel e ervas (sem indicação de quais), xarope para a tosse; na p. 38 indica ervas expectorais, mel e vinagre
  4. 88: mentol e vinagre de azedas, para reanimar de um desmaio (cheirando)
  5. 154: poção para dormir, à base de papoilas, de dedaleiras, e mel

 

A virgem presa no gelo, Lisboa, Europa-América, col Crime Perfeito, D.L 1990 [The Virgin in the Ice, 1982]

 

[4] Corroboradas por elementos obtidos por David Stuart, in Dangerous Gardens, FR Ed, 2004.

  • [5] Augustin Cabanès e Dr. Lucien Nass, in Poisons et Sortilèges, 1903, Plon, Paris; Henri- Robert, Les Grands Procès de l’Histoire , Plon, 1922 ; Jean-Christian Petitfils, L’Affaire des Poisons , Perrin, Paris, 2010.
  • Na vida real, só na Grã-Bretanha e até 1939, Carr cita-nos uma lista: Hoch, químico; Palmer, Pritchard, Lamson, Buchanan, Cream e Hawley Crippen, médicos; Richeson, sacerdote; Frederick Henry Seddon, mediador de seguros; Armstrong, notário; Waite, dentista; Vaquier, inventor; Wainewright, artista plástico; Carlyle Harris, estudante de medicina. Das mulheres, para usar linguagem Bíblica, o “seu nome é multidão”.

[7] Em The Mysteryous Affair at Styles (1920); Lord Edgeware Dies (1933); Why Didn’t They Ask Evans? (1934); Death in the Sky (1935); Sparkling Cyanide (1945); A Handful of Rye (1953); The Labours of Hercules, Dumb Witness (1937); Pale Horse (1961); The Mirror Crack’d from Side to Side (1962)

[8] (AGATHA CHRISTIE, Dumb Witness, 1937)

[9] (Le Vieil Homme et les Loups, 1991)

[10] n. 11/4/1862; m. a 28/9/1943.

[11] N. a 1907- m. em 1988

[12] Nascido em 1940, em Nova York.

[13] Sem esquecer, num plano mais clássico,“Fever”, de 1982; “Outbreak”, de 1987; “Mortal Fear”, de 1988; “Mutation”, de 1989; “Harmful Intent”, de 1990; “Blind Sight”, de 1992; “Fatal Cure”, de 1993; “Terminal”, de do mesmo ano; ”Acceptable Risk”, de 1994; “Chromosome 6”, de 1996; “Invasion”, de 1997 “Contagion”, de 1995 e “Toxine” de 1998.

[14] Série Silent Witness, de 1996 a 2004.

[15] Veja-se por exemplo as vantagens do “telework”, associando-o a uma descentralização da política cultural adequada para os subúrbios dos grandes centros urbanos.

 

 

Carlos Moutinho de Macedo

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