É má política a subalternização do Ribatejo em relação a Évora. Nem sequer aludo ao Alentejo, uma vez que, cada vez mais, Beja e outras importantes cidades alentejanas também perdem, em toda a linha, para Évora. Não tenho o que quer que seja contra tão importante capital. O problema é que Santarém e outros municípios ribatejanos não podem ser preteridos, quase sempre, em termos nacionais, para a capital do Alentejo. Tenho vindo a analisar, de entre outros aspectos, as nomeações de dirigentes públicos, para organismos sediados no Alentejo: nem uma personalidade que seja de fora dessa região. Porém, no que toca ao Ribatejo, tudo é considerado nacional. Nesse caso, poderão vir vultos do Alentejo dirigir organizações, como a Companhia das Lezírias, de entre outras, só a título de exemplo. Muito Bem, desde que haja alguma reciprocidade, desde que, por uma vez, uma só vez que seja, um ribatejano, um beirão, um transmontano, um algarvio ou um duriense surja nomeado para uma instituição que gravite na esfera política de Évora. Dir-se-á que o que interessa é a competência. E eu serei o primeiro a aplaudir. Porém, como há personalidades competentes, em qualquer região, até haveria poupança, pelo menos, em deslocações, caso se optasse por figuras deste distrito, onde existem antigos governantes, ex-líderes regionais e outros dirigentes, com provas dadas. Acredito, vivamente, que a pretensão do Governo que visa reordenar o território, conferindo autonomia ao Ribatejo e ao Oeste, possa corresponder a um fase de mudança muito positiva para Santarém, a quem muito tem sido tirado, sem as devidas compensações. Bastará lembrar o fecho da Escola Prática de Cavalaria ou o fim da Região de Turismo do Ribatejo. Nesta cidade, como em outras do nosso distrito, abundam iniciativas de grande valor turístico e cultural, várias delas já premidas, há sobrantes razões de orgulho pelo valor do seu património. Importa, por isso, devolver ao Ribatejo o que ao Ribatejo foi tirado.
José Miguel Noras