Jovens estudantes de Alcanena “inventam” combustível de restos de peles

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Um grupo de alunos do 12º ano da Escola Secundária de Alcanena, o grupo P-Improvers, desenvolveu uma ideia de negócio para produzir pellets (combustível de caldeiras e lareiras) a partir de cascas de frutos secos, resíduos de pele curtida sem crómio (indústria dos curtumes) e de restos de saquetas de chá, posteriormente combinados com miolo de madeira e serradura de cortiça. Os jovens acreditam que este produto tem potencial energético para substituir inclusivamente a nafta usada das caldeiras das fábricas de curtumes.

A ideia base da qual partiram foi obtida através do CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro que lhes mostrou o potencial energético dos restos de curtumes curtidos sem crómio. O trabalho que estavam a desenvolver era para a disciplina de Geologia, do curso de 12º de Ciências e Tecnologia da Escola. O professor deu-lhes liberdade de criação e estes quatro alunos – Rui Ferreira, Maria Santos, Rodrigo Vasconcelos e Inês Gomes – desde cedo acordaram em criar algo que fosse relacionado com a reciclagem e com a agora chamada “economia circular”. Pensaram também na indústria do seu concelho e foram pedir conselhos aos CTIC. Combinando a ideia original deste centro com algumas pesquisas que fizera, os alunos pensaram em combinar os resíduos da pele com restos de cascas de frutos secos e restos de madeira. “Queríamos dar uma nova vida a resíduos que, boa parte das vezes, não têm qualquer aproveitamento”, refere Rui Ferreira. Este grupo cedo se deparou com a dificuldade financeira e logística de concretizar a sua ideia aqui por Alcanena. Tiveram que recorrer ao Centro de Biomassa de Miranda do Corvo, onde foram pedir aconselhamento e foi aqui que criaram os primeiros protótipos de pellets. É também aqui que estão a ser feitos testes para avaliar o poder calorífico deste combustível e perceber se podem ser usados a nível industrial em grande escala ou se podem mesmo ter potencial para substituírem outros combustíveis mais poluentes. Num teste empírico, os alunos garantem que estes pellets são semelhantes ao que existe no mercado.

Estes testes e horas de laboratório no Centro foram pagos pelos próprios alunos com parte dos 500 euros que receberam da Fundação Ilídio Pinho, à qual submeteram uma candidatura e foram selecionados para estarem entre os projetos finalistas que podem desenvolver a sua ideia. Mas já antes disso tinham avançado com uma candidatura ao projeto EmpreEscola, da Nersant, não tendo passado para a final dos projetos vencedores porque ainda não tinham um produto para mostrar.

Os alunos querem continuar a desenvolver a sua ideia, se possível com algum indústria e até já fizeram contatos com a empresa Martos Pellet, de Leiria, que fabrica pellets a partir de restos de paletes. Aliás, o grupo percebeu que boa parte da indústria de pellets produz a partir de madeira e de árvores que abate. A ideia dos P-Improvers é poder substituir esta matéria-prima por materiais recicláveis. A fórmula testada junta 40% de restos de madeira com 35% de cascas de noz e 25% de resíduos de peles.

O grupo não desiste e já entrou em novos concursos, nomeadamente, o Arrisca C da Universidade de Coimbra, e o Nova Challenge da Universidade Nova.

Além dos pellets, os alunos chegaram a pensar em desenvolver um protótipo de retardante para incêndios, à base de cortiça, para misturar na água que é usada pelos bombeiros.

1 Comment

  1. Isso seria óptimo,dado que,segundo eu penso,existe neste momento uma falta de aprovisionamento do mercado de pellets,por razões ,nem sempre muito claras,tendo em vista uma forte subida de preços (já processada) dos pellets, pelos produtores nacionais desta fonte de energia

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