Síria: o palco dos horrores continua de pé

em Opinião

Por Nuno Gomes

“Imagens chocantes, a humanidade morreu hoje na Síria”. Foram estas as palavras de um representante da UNICEF aquando do vil ataque químico de há um ano no país.

Afinal, pelo que se continua a ver, naquele território ainda resta “humanidade”. Pouca, muito pouca! Ficando no ar a interrogação: até quando?

Não têm sido os filhos de Assad e dos rebeldes a sucumbir. As vítimas são crianças, filhas de gente inerme, numa guerra que não pediram, numa guerra que não querem.

As imagens que teimam em abrir os telejornais de diversos canais televisivos têm sido de uma sórdida tirania, mostrando ao mundo o caráter mais negro do Homem: a crueldade despida de qualquer pudor e de compaixão.

Como se observa, as crianças continuam completamente expostas ao sofrimento. A serem mortas, ou mutiladas, ou a desaparecerem sem deixar rasto. As que tiverem a sorte de não perecer irão viver para todo o sempre com sequelas psicológicas irreversíveis.

Hoje, pouco importa saber de quem é a culpa. Que se apure mais tarde. Porém, o jogo do empurra teima em não cessar: Assad culpa os EUA; a Síria culpa Israel; a Turquia culpa o regime Sírio; a Rússia culpa os rebeldes; a ONU não culpa ninguém, limitando-se a rotular as atrocidades como “crimes de guerra”.

Nos últimos oito anos têm sido diversos os países a quem se podem imputar responsabilidades. Quanto mais não seja, pela cumplicidade. Pois quem finge não ver não deixa de ser cúmplice. Na verdade, há quem continue a cerrar os olhos a um desastre humanitário que deveria fazer corar de vergonha qualquer verdadeiro responsável político. Sim, repito, verdadeiro responsável político, pois muitos se comovem, mas nenhum governante apresentou, até agora, uma verdadeira estratégia de solução e, vontade genuína, que possa conter este conflito.

Recordo que esta guerra tomou proporções horrendas, levando alguns a comportamentos de fim de linha. Ainda recentemente, ficámos a saber que familiares preferiram matar-se uns aos outros para se livrarem da tortura física e dos abusos sexuais a que eram sujeitos. O desespero tem assumido um nível tal que muitas mulheres também se suicidaram para não sofrerem com o trauma do estupro.

Segundo dados recentes da Organização das Nações Unidas, o conflito já fez perto de setecentas mil vítimas. Para além disso, quase sete milhões de cidadãos viram-se obrigados a deixar as suas habitações, sendo empurrados para países vizinhos, onde permanecem em campos de acolhimento precários e indignos.

Diante de tanto caos, desespero e sofrimento, urge que os responsáveis políticos assumam responsabilidades e ajudem de uma vez por todas a dar um futuro a esta gente.

Gente que (só) continua à procura de algo que desde há muito deixou de fazer parte das suas vidas: de Paz!

 

 

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Ultima de Opinião

Cacharolete futebolístico

Os últimos tempos têm sido pródigos em acontecimentos no já prodigioso círculo

A noite do tempo?

Uma das reivindicações mais frementes do feminismo actual reside na do corpo.
0 0.00
Ir para Topo