
Já lá vão oito longos anos, depois da inauguração da grande obra com que o polícia, escritor, guionista, comentador, maçon e Presidente de Câmara nas horas vagas, pôs a pão e água este triste Concelho. Falo do tal Jardim da Liberdade que passaria a ser a nova sala de visitas de Santarém, na boca desse aprendiz de autarca, de cuja gestão e obra ainda muita gente tem o desplante de defender e que se pôs na alheta, logo que viu o buraco onde se tinha metido. A ele e a todos nós, munícipes que temos sofrido com o estrangulamento financeiro provocado pelas suas opções e do seu vice que, por acaso, é o atual Presidente. Na política o crime parece que compensa. Mas não era sobre isso que eu queria escrever-vos. É que passei pelo tal sítio, mesmo junto ao que deveriam ser três estabelecimentos de hotelaria e que, entre o vazio total e vidros partidos, não lobriguei nada que pudesse parecer-se com o que foi prometido na altura da inauguração: duas cafeterias e uma marisqueira que iriam dar movimento e animação àquela zona.
Aprofundei o tema e encontrei algumas explicações para esse vazio. Então parece que a Câmara não tem tido sorte com os concessionários dos espaços que não pagaram as rendas contratadas e foram despejados. Um deles queixa-se que ele é que teve azar com o senhorio que lhe alugou um espaço cheio de buracos e onde chovia como na rua e ainda por cima já lá tinha gasto mais de 300 mil. Está tudo em tribunal e assim irá estando por muito mais tempo.
E eu pergunto, mas que Câmara é esta que possui três espaços em zona nobre da cidade e que os deixa ao abandono sem qualquer retorno financeiro durante estes anos? Não há advogados para negociarem a coisa? O interesse público não se sobrepõe ao particular? Será falta de vontade ou apenas incompetência?
Tivemos o investimento mais ruinoso das últimas décadas, originado pela megalomania e vaidade de um polícia avençado de autarca que aterrou em Santarém vindo do espaço. Investimento que originou um ajustamento financeiro pior que o da Troika, que nos obriga a ter um estacionamento tarifado durante cinquenta anos sem se poder alterar. Que tem impedido a resolução de problemas estruturais no Concelho e que, ainda por cima, não foi rentabilizado nas poucas estruturas edificadas do local que dependem só da Câmara, como é o caso destas.
Senhor Presidente, se não é capaz de resolver o assunto, sugiro que deite tudo abaixo e coloque lá mais umas estátuas manhosas. Fica mais barato. Já agora, uma pode ser a do seu antecessor. Para o povo se rir com gosto.
Manuel Rezinga
manuel.rezinga@hotmail.com