Torres Novas – Jovens atores estreiam peça inspirada em livros de Gonçalo M Tavares

em Cultura/TVRibatejo

O escritor Gonçalo M. Tavares escreveu 10 livros inspirados, de clara ficção, mas inspirados em personalidades reais da história da literatura e da filosofia. Deste conjunto de histórias a que foi dado o nome de Bairro, os atuais encenadores do Grupo de Teatro Juvenil do Teatro Virgínia, em Torres Novas, escolheram quatro histórias e quatro figuras para colocarem em cena na peça “O Bairro” que sobe à cena este sábado, dia 7, às 21h30, e também no dia 10, com sessões para escolas às 11h e 15h.

O desafio foi de compilar numa peça de uma hora as principais ideias de cada uma das histórias. Os livros escolhidos foram Senhor Walser, Senhor Kraus, Senhor Breton e Senhor Calvino. A ideia central dos criadores foi de desafiarem os jovens atores a trazerem para o universo das palavras de Gonçalo M. Tavares as suas experiências pessoais nos “bairros afetivos” das suas relações reais. Assim, os textos são fidedignos ao original do escritor mas o desenho cénico é uma criação partilhada entre os encenadores Ricardo Correia (ator, encenador e docente de teatro) e da sua companheira Rita Grade (mestre em dança). Da fusão das duas linguagens, o teatro e dança nasceu este espetáculo de histórias, cada uma com princípio, meio e fim, mas ligadas entre si pelo imaginário de um bairro onde cada um de nós poderia ou pode habitar.

A construção do espetáculo foi partilhada com os jovens atores, conta-nos Ricardo Correia, acrescentando que a escolha destes textos teve o objetivo de criar “um imaginário em torno destas personalidades que foram pessoas reais”. Embora com abordagens distintas, os dois encenadores convergem no essencial. “O nosso processo de trabalho é diferente mas nós arranjamos maneira de colocar tudo em comum e de encontrar umas tangentes”, refere Ricardo Correia, acrescentando que “a abordagem da Rita é da dança, clássico, do mais rigoroso, e da minha parte é mais ligado ao espaço e ao serviço da palavra”.

Neste ponto de encontro de duas artes, o espetáculo é uma catadupa de pequenas histórias mas com uma grande componente audiovisual e de movimento. Para os encenadores ajudou muito a continuidade de trabalho que este grupo juvenil tem tido ao longo de vários anos. “Eles têm muitas competências adquiridas, já fizeram teatro noutros anos, têm ferramentas e sabem o que estão a fazer, sabem falar disso sem que haja qualquer imposição doutrinária da nossa parte”, refere Ricardo Correia. Inicialmente, os encenadores propuseram exercícios livres aos jovens e desse trabalho foram surgindo linhas de trabalho. Um dos “mapas” deste caminho foi colocar os jovens a pensarem nos percursos diários que cada um faz no seu quotidiano e, dessa forma, perceber como “contaminar” a cidade real de cada um com a cidade imaginada de cada um dos textos.

Entre os textos escolhidos, e que são cada um uma história isolada, ficam algumas pistas. O Senhor [Robert] Walser (escritor suíço de língua alemã) vive na periferia da cidade e traz dessa realidade a sua visão. [André] Breton (poeta e teórico do surrealismo) faz uma entrevista a si próprio e apresenta um lado fractal da realidade, refletindo as suas diversas faces. [Karl] Kraus (ensaísta, dramaturgo e poeta austríaco) traz-nos o imaginário do poder, dos chefes e da organização da sociedade. [Italo] Calvino é abordado nestes textos pelas suas novas formas de imaginar e viver o mundo.

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