Fabrióleo denuncia alegadas descargas ilegais na Ribeira da Boa Água

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A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirmou à Lusa que vai averiguar a alegada descarga de dejetos e escorrências de aterro de uma suinicultura para a Ribeira da Boa Água em Torres Novas. A investigação surge na sequência de uma denúncia apresentada pela Fabrióleo, uma das empresas e a principal acusada de poluir esta Ribeira e que recebeu ordem de encerramento, ainda em processo de contestação.

A Fabrióleo emitiu um comunicado a referir que detetou, na tarde de domingo, “uma descarga ilegal de água suja, com espuma e com um cheiro intenso a dejetos de porco” e que recebeu “imagens mostrando uma grande quantidade de efluente de pecuária/lixiviados a correrem” de uma pecuária, bem como de “resíduos/lamas/lixiviados a correrem” de uma empresa de compostagem.

Em resposta à Lusa, o gabinete do ministro do Ambiente afirma que a APA recebeu uma denúncia apenas referente à empresa de compostagem, a Componatura, “a qual já havia sido notificada para construção de cobertura dos sedimentos de armazenamento de lamas para valorização agrícola dos solos”, o que cumpriu. “Depois das chuvadas dos últimos dias, uma equipa da APA vai ao terreno averiguar se houve escorrências para a linha de água. Temos já informação de que pode ter havido um aluimento de solos”, adianta a fonte do Ministério.

A mesma fonte afirma que na informação recebida da Fabrióleo “nada é mencionado sobre “uma descarga ilegal de água suja, com espuma e com um cheiro intenso a dejetos de porco a ser realizada diretamente para a Ribeira da Boa Água”, e que, segundo a Fabrióleo, terá acontecido na zona de Gateiras de Santo António, “junto à pecuária Ti António”. Esta “versão” da descarga foi também difundida pela página de Facebook “Almonda Limpo”, um canal de comunicação que o movimento Basta, conhecido pela defesa do rio Almonda, vem acusar de ser uma página criada pela própria Fabrióleo para fazer denúncias de outras empresas.

Apesar de, na ótica da APA, a Componatura ter cumprido o que lhe foi determinado, a agência do ambiente “vai efetuar uma fiscalização ao conjunto dos locais mencionados”. No comunicado enviado à Lusa, a Fabrióleo diz ter comunicado estas descargas às autoridades e de ter enviado “imagens que mostram resíduos/lamas/lixiviados a correrem da empresa Componatura”. Estas imagens são aliás reproduzidas pela página “Almonda Limpo” e que aqui mostramos conforme a mesma página as reproduz.

Os proprietários das empresas Componatura e pecuária “Ti António” negam a acusação, tendo a Componatura declarado que, com as fortes chuvadas, houve um aluimento de composto orgânico que estava ao ar livre, “situação que não tem implicações ambientais, por se tratar de um composto para a agricultura”, tendo o incidente sido reportado às entidades competentes, como impõe a lei. “A questão ambiental não se coloca porque as lamas, para valorização agrícola dos solos, são rececionadas e armazenadas numa zona coberta, onde são tratadas e, depois de estabilizadas, são transferidas”, disse à Lusa Luís João, engenheiro da empresa, responsável pela área de resíduos. O proprietário da pecuária Ti António disse à Lusa que a acusação feita pela Fabrióleo “é uma calúnia, não tem o mínimo fundamento, e pode pôr em causa o bom nome e o trabalho” desenvolvido pela empresa “ao longo de uma vida”. António Lopes Gameiro, da pecuária, afirmou que as últimas chuvadas fizeram transbordar “uma pequena represa que recebe as águas das ribeiras e de escorrências várias”, que, apesar da “cor de terra e de argila”, é “só água”, nada tendo a ver com a estação de tratamento de águas residuais da pecuária, “que trabalha segundo todas as normas ambientais”.

A Fabrióleo aguarda a decisão final do IAPMEI sobre o encerramento da exploração desta unidade industrial tomada na sequência de uma vistoria realizada à empresa no passado dia 23 de Janeiro. A empresa exerceu o contraditório aguarda o fim do prazo para se pronunciarem todas as entidades competentes nesta matéria, cabendo a decisão final ao IAPMEI. O município torrejano e a APA, cujas posições são vinculativas, têm apontado “desconformidades” na localização e impossibilidade de “licenciamento/legalização do estabelecimento industrial existente” por incumprimento das disposições do PMD. Também a ARH Tejo diz não estarem reunidas condições, em matéria de utilização dos recursos hídricos, para que fábrica continue a operar.

 

1 Comment

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    Como a FABRIOLEO nao quer ser so’ ela a degradar o meio ambiente, porque nao trabalhar para que sejam outros tambem. A verdade e’ que anda muita gentinha a poluir sem ser importunada por quem de direito. No entanto a sorte nao dura sempre. QUEM CONTINUA A CONTAMINAR O MEIO AMBIENTE TEM DE PAGAR POR ISSO. Claro como a agua que brota.

    R.B. – FI

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