Ex-EPC é uma espécie de “albergue espanhol”?

em Opinião

Foi inaugurada na passada sexta-feira, dia 2 de Março, a sede da Associação de Estudo e Conservação do Património Histórico-Cultural de Santarém (AECPHCS) e, ao mesmo tempo, celebrados os seus quarenta anos de existência. A atribuição de um espaço digno a uma associação que, durante muitos anos teve um papel importante dentro das áreas em que se propôs intervir, é de elementar justiça e quem sou eu para a pôr em causa. A AECPHCS, como outras associações culturais ou desportivas, merece da parte da autarquia todo o apoio. Apenas posso e devem os escalabitanos colocar em dúvida e questionar os critérios utilizados pelo executivo camarário, para a distribuição e utilização de espaços da ex-Escola Prática de Cavalaria às organizações que por lá têm sido alojadas.

O espaço edificado na Ex-EPC é enorme e grande parte dele está degradado e inabitável se não forem feitas obras de reabilitação de algum vulto. Ainda assim, existem algumas alas já ocupadas por várias organizações e por alguns departamentos da própria Câmara. Desde o edifício, praticamente todo novo, dos Tribunais e as instalações do NERSANT, que ocuparam toda a frente e a antiga Porta de Armas, passando pela Cruz Vermelha, instalações da Assembleia Municipal, sedes da Delegação da Ordem dos Advogados e do Rugby Clube de Santarém, oficinas de artesanato, oficinas dos carros dos Bombeiros, Escola de Toureio, Associação de Comandos, Associação Nacional de Bombeiros, tudo tem cabido dentro da ex-EPC.

Desde que a CMS recebeu este espaço, em 2010, nunca foi realizado pela autarquia qualquer estudo ou planeamento do que poderia ser lá feito e instalado. A sua ocupação foi sempre ao sabor das circunstâncias e dos interesses de momento. Sem visão, sem projeto, sem concurso, sem critério.

Parece que é para lá instalar mais um grande museu (MAVU), um Observatório da Gastronomia (seja isso o que for…), mais um Tribunal, entre outros projetos erráticos e que vão aparecendo à medida da imaginação e das conveniências das brilhantes mentes que governam este Concelho. A irresponsabilidade e o desvario começaram com pompa e circunstância, com Moita Flores e a sua pífia Fundação da Liberdade. Qualquer dia, quando houver um executivo que planeie e tente projetar a cidade com pés e cabeça, vai deparar-se com um espaço de 28 hectares, em zona nobre, mas que, de tão mal gerido, pouco se poderá aproveitar. Um autêntico Albergue Espanhol

Manuel Rezinga

manuel.rezinga@hotmail.com

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