Através do Espelho – Como ganhar o Euromilhões

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Os tempos que correm fizeram do sexo, violência e dinheiro, o melhor dos mundos possíveis. (P’la ordem indicada, pois quem não tem dinheiro pode ter vícios). Nunca na história a forte estimulação sexual, agora mediada pela net, televisão, cinema, atingiu tais níveis. Ao pé do bombardeamento sexual compulsivo de hoje, as odes sáficas, o Satiricon, a ilha amorosa onde Camões intui os “lírios roxos” de Tétis, os poemas eróticos de Bocage, seriam a irmã Lúcia das aparições lúbricas modernas. Crianças na puberdade, jovens adolescentes e adultos, estão expostos a um grau tão intenso de incitamento sexual e cenas correlatas quanto “ignorada” de conjugues, educadores, pedagogos, e políticos. Ante este cenário inelutável Torquemada, Cerejeira, Salazar, e outros censores dos “pecados da carne” morreriam de novo, d’enfarte ou fartura. Das escolas às universidades, alunos e quanto os envolve, excitados em grau crescente de libido tumefacta, só têm uma coisa no capacete: sexo. O leitor ri-se? Têm-lhe pregado que as criancinhas são uns amorosos querubins inatos; os jovens abnegados escuteiros mentais sem obsessões ao serviço de cândidas velhinhas; e os velhinhos uns pobres impotentes dos vícios perdidos, exaltadores da mocidade que passa. Claro que ninguém lhe vai dizer que, entre os jovens, estão os maiores energúmenos deste tempo. Que os recreios de escolas, os campus universitários etc., são antros de pornografia partilhada; praças de sexo virtual (e real); lugares de violência competitiva; palcos d’assédio; plataformas de amores trocados. Que (e isso você não ignora), à porta da maioria das escolas a obscenidade verbal dos “aprendizes”, atinge tais picos que fariam corar o respeitável marquês de Sade. Que, p’los recantos e salas desertas o que se passa espantaria de vergonha as “experimentadas” ninfas do canto nono. Para quem viveu, e protestou, contra a repressão sexual da defunta ditadura, que não deixava casar as professoras nem misturar os sexos na primária, isto é a vingança de Vénus em camisa servida a frio. Mas porra, perdão a Vª Exª, organizem-se as hostes ao menos! E agora digam que os Reich, Freud, Marcuses etc. com a treta das pulsões represas, o édipo desviado e mais tangas, eram malucos. Pode crer, leitor ilustre, que não há força que arrase esta nova Babel de luxúria como, dizem, aconteceu à outra. O princípio da incerteza (do Heisenberg, digo), que relativizou o estado dos electrões e todas as verdades, nada pode contra a “libertinagem” dos instintos actuais; a crise da razão das luzes trocada pelo fanatismo; a imbecilidade veiculada pelos media; ou o ingénuo pedido de continência sexual feito pelo cardeal patriarca aos recasados e padres (ou apenas aos primeiros, não sei). Ok, mas vai-me sair o euromilhões em breve, ou o título desta crónica serve só para atrair os infelizes sportinguistas que não lêem jornais, apenas vêem o canal do clube, e cantam em coro “a saia da Carolina tem um lagarto pintado”? Vai sair em breve o euromilhões. Digo mais, as hipóteses de lhe sair duas vezes em quatro meses é de 1 para 30.Sair-lhe a primeira vez, um pouco mais alta, 1 para 17.000.000.000. É matemática tão pura como o efluente legalizado da Celtejo. Vai sair a alguém em breve. Esse alguém ser o meu amigo só depende de si. Isto é mais certo que a abstinência sexual dos recasados ou você ressuscitar dos mortos calçado no dia do juízo final, (já que o juízo intermédio foi abolido).

Mário Rui Silvestre

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