A Pérola do Ribatejo

em Opinião

Resistente à mudança, honrando a memória dos fundadores, eis a mercearia “Pérola do Ribatejo”. Localizada no Centro Histórico de Santarém, onde se contam pelos dedos as lojas que têm resistido a fecharem portas, esta requintada “Pérola” é uma combatente. Lavra a escritura da constituição da firma que, no dia cinco de agosto de 1954, a Sociedade Comercial Wenceslau & Correia abriu as portas ao público. Foram seus pioneiros, para que conste, António Wenceslau e Deolinda Neves Correia, cujas identidades foram abonadas pelo notário, o Licenciado Amílcar Coimbra Leitão. Teve, assim, o seu princípio aquela que será das lojas mais antigas do comércio a retalho de mercearia da urbe escalabitana. E é um regalo olhar as duas montras, recheadas de vinhos de renome, maduros e Porto, bacalhau de encher o olho, a posta grossa adivinhando as lascas. Artisticamente expostas, para deleite de quem passa, frutas que nos regalam a vista, paleta de cores variegadas, exalam perfume à distância. Entrando na loja, a arrumação dos produtos e a forma prática de se lhes chegar denota uma aplicação de atualizado marketing. Ao fundo, uma moderna e bem apetrechada cafetaria, em que o aroma a café, acompanhado de “fatias paridas”, coscorões e filhoses, além dos salgados, preenchem um momento de pausa no trabalho. Mesmo a calhar, uma calorosa sopinha, mais uns panados a pedir meças, serão outras propostas a levar em conta. Indo mais além, o atual proprietário, José Wenceslau, com uma equipa profissional e atenciosa, idealizou um serviço de entregas ao domicílio a quem o solicitar. Retornando a uma tradição, os clientes dispõem do serviço de compras personalizado: os avios serão entregues por uma furgoneta da “Pérola do Ribatejo”! Longe vão os tempos, o caixeiro montado numa bicicleta, carregando um caixotinho de madeira, à chuva e ao frio, com as mercearias da clientela. Para terminar, recordemos Carlos Vila Nova e Victor Wenceslau, também eles sócios da empresa, ela que é, desde o ano 2000, assumida na totalidade por José Wenceslau.

Arnaldo Vasques

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