Zeca imortalizado na Galiza

em Opinião

Emocionante a jornada da constituição da Associação José Afonso da Galiza (AJA-Galiza), numa jornada que decorreu em Santiago de Compostela. Recebida a delegação da AJA portuguesa, constituída pelos núcleos de Braga, Lisboa, Setúbal e Santarém, na Casa do Concello (Câmara Municipal), pelo Alcaide Martiño Noriega e representantes partidários do executivo, PSOE e BNG, além de Xulio Vilaverde e demais da AJA-Galiza, revestiu-se a cerimónia de honrosa manifestação de gratidão por Zeca Afonso. Com efeito, o Alcaide recordou “daquel concerto no Burgo das Nacións o 10 de maio de 1972, que forma parte xa da banda sonora da cidade”. Ali, Zeca, terá cantado pela primeira vez em público a “Grândola, vila morena”, mais tarde o hino da Liberdade portuguesa, após o derrube da longa ditadura. Interpretando à capela uma canção de Zeca, Francisco Fanhais, o presidente da AJA nacional, a todos encantou e comoveu. Também, Paulo Esperança, o vice presidente da AJA, referiu-se a Zeca Afonso como alguém que deixou uma profunda peugada na Galiza recordando que, em 2009, se deu o seu nome ao Parque do Burgo das Nacións. À saída, frente à Catedral, Susana e Tiago Fernandes deliciaram os presentes com várias interpretações. Entretanto, falar do génio José Afonso levaria a enorme empreitada, todavia, sempre aquém do legado que nos deixou. A sua obra vinca a canção de protesto, as canções e arranjos da música popular portuguesa, como o caso da Beira Baixa, a denúncia de um país de pobreza e exclusão, de mulheres e homens perseguidos e encarcerados. A sua poesia é um hino imorredoiro, em que a palavra utopia se fez credo! Peregrinando pela Galiza subiu às Astúrias, defendendo a causa dos mineiros ao afirmar a sua solidariedade perante a desumana exploração. Zeca, disse um dia: “talvez ninguém me entendesse como na Galiza”, definindo o amor e o respeito granjeados pela ajuda na luta, em tempos cruéis, sob o regime franquista. E a sua voz, de timbre único, teve outro dom: fez-nos sonhar na Galiza e em Portugal!

Arnaldo Vasques

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