Carta Aberta – E os Mortos Senhor… Presidente?

em Opinião

Ia eu no meu passeio matinal de pré-almoço, ali junto à igreja de Marvila, quando dei de caras com o amigo Carlos: Tás bom?! Aonde é o passeio? Pergunta ele. Até às Portas do Sol, respondi eu. E logo ele: Quem é que morreu?
É isto. As Portas do Sol e a morte estão irremediavelmente ligadas. Pelas sepulturas dos antigos povos que aqui habitaram e, atualmente, pelos nossos mortos que é por lá que passam antes de partirem para o último destino.
Santarém tem uma “Casa Mortuária” que envergonha qualquer escalabitano. Não conheço uma sede de freguesia que não acolha os seus mortos com mais dignidade e que não tenha criado melhores condições para os familiares e amigos lhes prestarem a última homenagem.
Temos uma morgue paredes meias com um dos ex-libris da cidade: o descaracterizado e maltratado jardim das Portas do Sol. O seu novo “look”, não faz esquecer a beleza da nossa antiga sala de visitas com a sua vegetação e arvoredo, com os seus canteiros floridos e bem cuidados, com o lago dos cisnes e parque infantil. Onde antes era alegria e beleza, agora é tristeza e espaço quase nu. Antes eram casamentos, batizados e outros festejos, hoje é mais funerais e gente tristonha que por lá vai passando, num intervalo do velório.
Para além da falta de condições mínimas para acolher mortos e respetivos familiares e amigos, estes ainda têm que pagar estacionamento, quando o conseguem…
Em tempos, já esteve projetada uma Casa Mortuária para junto do Cemitério dos Capuchos. Por razões certamente atendíveis, não se passou do projeto.
Senhor Presidente, o que falta para satisfazer esta urgente necessidade da nossa cidade?
Manuel Rezinga

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