Através do Espelho – Matéria escura

em Opinião

Somos o resultado de quatro mil milhões de anos de evolução da vida terrestre. A nossa espécie está prestes a decifrar o jogo cósmico. Falta-nos só algumas cartas. Uma delas é saber o que seja a “matéria escura”, responsável por 90% da gravidade universal. Sabe-se apenas que não é feita dos átomos que eu, o leitor, e o nosso primo, o gorila do Bornéu, somos constituídos. E é invisível. Tal o dinheiro dos paraísos fiscais; a publicidade enganosa; e a linguagem camuflada dos tecnocratas. Por exemplo, uma universidade americana apresentou provas de que 2018, devido a factores orbitais da Terra, geológicos etc. é um ano bom para grandes terramotos e fenómenos extremos. Há dias, registaram-se sismos de intensidade média no Alentejo e na zona do vale do Tejo, onde se situam Lisboa, Santarém, Benavente etc., vítimas históricas disso. O tempo para outro grande está chegado. Até lá, as autoridades civis, políticas e religiosas, vão ignorar os avisos, menos crentes na ciência que na Senhora de Fátima, e beijos anestésicos de Marcelo. Matéria escura. Outra. A dívida pública. Terreno propício a um terramoto económico. Ninguém acredita. Está-nos na massa dos genes. Como dizia o ex-presidente americano Reagan, a nossa dívida já é tão crescida que pode bem tomar conta de si. E a seca extrema? (não, não são os beijos do Marcelo). A falta de água, causa de miséria, fome e doenças, neste país, ao longo dos séculos. O chico-espertismo luso já está a pau com o negócio e reza para que não chova. Entretanto deita o olho à profunda nascente cársica do lixado Alviela, afluente do Tejo. O pior, é deixarem depois em seco a poluente indústria dos coiros, lagares d´azeite, pecuárias, esgotos, que estão a contar com o “caudal ecológico” dele. Caudal ecológico? Carga orgânica? Linhas d´água? Comissão d´Acompanhamento? Sabe o que são? Eufemismos para mascarar a realidade. Serve, por exemplo, a políticos que nem atam nem desatam. As indústrias poluentes são de poderosos que contam com o dinheiro; as lacunas da lei; o economicismo; a iliteracia das populações para levar a água suja ao moinho dos rendimentos. Quer saber como funciona? Imagine que é deputado, técnico do ambiente, juiz desembargador, ministro. Tal rio, assim-assim, vai cheio d´espuma, água negra, óleos etc. Você recebe denúncia. Cinco anos depois consulta técnicos, fiscais, análises. Não lhe cheira e comunica que tudo se deve ao “caudal ecológico do rio” que não dissolve a porcaria. Logo, a culpa é do rio não dos poluidores. Carga orgânica? É a merda, peço desculpa, as excrescências obsoletas que as fábricas estão autorizadas a lançar nas águas públicas. As licenças e cotas para isso são cegas e não querem ver. Topa? As análises às águas deverão ser feitas a 50 kms do efluente das fábricas já misturada aí com toda a outra poluição. Isto evita acusações individuais. E nunca devem ser feitas na semana das descargas. Alguns fiscais, de antemão, almoçam com os poluidores num diálogo construtivo. Linhas d´ água? É hoje o nome técnico dos rios. Como são linhas, com que esta gente se cose, não existem. Assim, não podem ser poluídos. Comissão d´Acompanhamento? São os gatos-pingados que acompanham o rio morto. O mesmo que “observatório do ambiente”. No fim mande abrir um inquérito e encerre o assunto. Quando sair vai arranjar emprego numa grande empresa de destruição ambiental do país. E não há justiça imanente? Imanente, não sei. O que há é isto: um sério terramoto para breve; os rios todos lixados; o clima idem; seca extrema no Verão; e 500 acções solidárias a favor das vítimas, incluso a dos beijos contagiosos, e da malta que vai abarbatar os peditórios. O resto, é matéria negra.

Mário Rui Silvestre

 

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