Fábrica de telemóveis já abriu em Coruche

em Economia/TVRibatejo

O primeiro telemóvel totalmente montado e feito com materiais portugueses vai ser lançado daqui a 20 dias numa feira em Barcelona. É o Iki Mobile da linha Bless 8, a terceira geração de telemóveis da empresa Iki Mobile que abriu oficialmente a sua primeira fábrica e aquela que vai ser a primeira indústria portuguesa de telemóveis em Portugal, com a unidade instalada em Coruche, na zona industrial, na antiga sede da Tegael. A inauguração desta importante unidade contou com a presença do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que destacou o facto desta empresa ter feito o circuito inverso das empresas nacionais, isto é, começou por produzir e vender muito no estrangeiro e só depois deslocalizou a sua produção para o nosso País, particularmente para um concelho do interior como Coruche. Contudo, o ministro destacou que Coruche possui hoje boas acessibilidades à grande Lisboa e ao mercado europeu e que é o local certo por ser o concelho capital mundial da cortiça, que foi a matéria-prima escolhida pela Iki Mobile para aplicar nos seus smartphones mais caros e assim encontrar um ponto de distinção no competitivo mercado dos telemóveis. “Esta empresa começou por pensar no design, na imagem e naquilo que pretendia para diferenciar o produto. Agora começou a sua produção industrial direta, em Portugal, e isso é um sinal de afirmação”, sublinhou Caldeira Cabral. O ministro destacou ainda a presença desta marca em mercados internacionais, como China (de onde produz para Malásia e Indonésia), em Angola (onde vai abrir uma fábrica em breve), no “mercado da saudade” português na Europa, na América Latina e em Timor, preparando-se para se aventurar no Brasil e noutros países da lusofonia. “Sendo um telemóvel feito de cortiça, que é um material relaxante, certamente que este telemóvel só podia ser português e fabricado aqui em Coruche”, disse ainda o ministro da Economia, num tom mais informal.

Antes da sua intervenção, a comitiva tinha visitado a fábrica onde pudemos ver vários operários portugueses na linha de montagem praticamente manual dos vários modelos de telemóveis. Contudo, a coordenação técnica é ainda feita por especialistas chineses, originários da fábrica onde a Iki Mobile tem encomendado até agora toda a produção de telemóveis que comercializa há já quase três anos. Com a abertura desta fábrica em Coruche, apenas os componentes mais técnicos são encomendados na China, passando toda a parte de plásticos, metais e cortiça a ser feita a partir da unidade portuguesa, com recurso a equipamentos de ponta nesta área. Com esta instalação em Portugal, a empresa tem atualmente 36 postos de trabalho, investiu cerca de 1,6 milhões na remodelação das instalações e espera chegar aos 100 postos de trabalho já numa próxima fase de expansão, gerando trabalho para mais cerca de 300 postos de trabalho indiretos em empresas nacionais associadas aos fornecimento das matérias-primas. Desde logo os produtores florestais de cortiça e a indústria corticeira nacionais podem ter aqui um importante cliente. Segundo frisou o CEO da Iki Mobile, Tito Cardoso, o setor da cortiça tem na empresa “um cliente e um agente promotor da cortiça no estrangeiro”. O empreendedor explicou que esta fábrica inaugura uma “nova era na tecnologia em Portugal” e que vai juntar sempre a “responsabilidade social com a ambição de crescer mais” e com o “orgulho” de ser uma marca portuguesa.

Os telemóveis não são feitos totalmente em cortiça. Este material é colocado no revestimento exterior do equipamento mas a Iki Mobile tem estado a incentivar investigação académica na área dos materiais para poder ir substituindo cada vez mais o metal e o plástico pela cortiça. Até porque, como frisou Tito Cardoso, a cortiça protege os componentes eletrónicos do equipamento e tem propriedades antialérgicas e antibacterianas (até 50% menos de bactérias). Este é portanto um telemóvel que se afirma por muitos atributos de valor e só depois pelas características mais técnicas que podemos ou não procurar num telemóvel. Trata-se de um objeto de distinção e que procurar “vender-se” pela sua parte imaterial da aposta numa marca portuguesa, num produto – a cortiça – que representa Portugal no mundo e por uma produção ambientalmente mais sustentável e próxima do mercado europeu. Tito Cardoso explicou ainda que esta unidade em Portugal vai permitir dará resposta a clientes que querem uma alternativa à produção no mercado asiático, tanto ao nível da logística como da garantia após-venda.

A abertura da fábrica foi antecipada de 2019 para este ano, “contra ventos e marés”, conforme frisou o presidente da Câmara de Coruche, Francisco Oliveira, um autarca que, a par do seu vizinho presidente da Golegã, Veiga Maltez, foi elogiado pelo seu envolvimento na concretização do projeto. Francisco Oliveira destacou a relevância da escolha da cortiça e d Coruche para ficarem associadas a este produto, agradeceu os postos de trabalhos criados e a criar, a valorização dos recursos naturais do concelho e disse que, embora a atual zona industrial esteja lotada, a autarquia investiu cerca de 4 milhões de euros de capital próprio para arrancar com o novo parque de localização empresarial com 47 hectares e preços a partir de 50 cêntimos por metro quadrado.

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