Coruche – Primeiro telemóvel português “made in” Portugal com fábrica pronta

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É inaugurada na próxima terça-feira na zona industrial de Coruche a primeira fábrica de telemóveis portuguesa, a Iki Mobile. O investimento tem vindo a ser anunciado e está agora em condições de entrar em fase de produção, depois de a marca já ter entrado no mercado internacional há cerca de três anos, a vender equipamentos online e no retalho, alguns já feitos em cortiça mas ainda fabricados na China.
A escolha de Coruche deveu-se à proximidade com Lisboa e com o aeroporto mas sobretudo por ser o concelho conhecido como a capital internacional da cortiça, precisamente o material que vai distinguir este de outros telemóveis no mercado. “Apaixonámo-nos pelo concelho. Foi o último concelho que visitámos aqui ao redor de Lisboa e depois que aqui chegámos não quisemos visitar mais nenhum. Para nós era essencial a proximidade com o aeroporto. Gostámos da zona industrial e dos planos do município para o futuro desta zona”, refere o administrador da Iki Mobile, Tito Cardoso, numa conversa prévia com O Ribatejo antes da inauguração da fábrica.
A unidade industrial está a nascer nas instalações da antiga Tegael que foram totalmente reconvertidas. “Estamos bem, por enquanto, mas há sempre possibilidade de expansão nesta zona”, adianta Tito Cardoso. O investimento é 100% português, ainda sem apoios comunitários, e ronda os 1,6 milhões de euros, destinados à compra de equipamentos de assemblagem dos telemóveis e à adaptação das instalações. O principal know-how do software e hardware ainda é chinês mas a estrutura, o design e a produção vai ser “made in Portugal”. Aliás, a Iki Mobile pretende diferenciar-se no mercado por ser uma “marca europeia justa”, que produz em Portugal e que vai fazer parte das marcas “Portugal Sou Eu”. A mão-de-obra será em grande parte portuguesa e a fábrica arranca com cerca de 40 funcionários, boa parte técnicos de operação de equipamentos que vão receber formação específica dos técnicos chineses que vieram contratados através da fábrica da China que vai continuar a produzir os componentes eletrónicos para a Iki Mobile. Na prática, estes componentes são adaptados e processados na fábrica de Coruche e toda a “carcaça” dos telefones será feita nesta unidade. Mas a Iki Mobile vai também manter a fábrica na China e abri outra em Angola para servir o mercado sul-africano e eventualmente o mercado da América Latina. Os técnicos contratados em Coruche vão ser formados pela empresa e são sobretudo operários para manobrarem as máquinas. “Esta área não existe em Portugal, portanto não há técnicos com experiência. Vamos ter que ser nós a formar algumas pessoas e estabelecer protocolos com escolas na área da eletrotécnica assim como escolas que já desenvolvam software nesta área”, refere o empresário.
O investimento é direto de investidores portugueses mas a empresa esperar ainda a aprovação de duas candidaturas a fundos comunitários, uma na área da inovação produtiva e outra na área da internacionalização. Uma das inovações claras é a incorporação de cortiça nos materiais de revestimento e de design dos telemóveis. Além de servir como elemento diferenciador face a outras marcas, a cortiça permite um melhor isolamento térmico dos equipamentos, uma melhor proteção dos sistemas seus internos e tem também propriedades antibacterianas e antialérgicas. A empresa encomendou também um estudo ao professor Rodolfo Oliveira, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, para averiguar se a cortiça tem algum efeito na redução das radiações.
Quanto ao plástico da estrutura exterior, que é reciclável, tem também a vantagem de ser menos poluente na sua produção do que a produção do metal. Além disso, é proveniente de uma matéria-prima que vai ser comprada em Portugal, o policarbonato, que é depois moldada pelas máquinas da empresa.
O processo de enchimento dos moldes dos telefones é semiautomático mas a montagem final dos telemóveis é manual, sobretudo a parte eletrónica e a colocação da cortiça, que é cortada à medida e colocada de forma quase artística. “Para nós a prioridade será sempre a aquisição de matéria-prima nacional, depois da Península Ibérica e depois da Europa. A cortiça que usámos é comprada a uma empresa em Santa Maria da Feira que nos garante que a cortiça é proveniente de Coruche. A cortiça é depois trabalhada aqui na nossa fábrica e adaptada às necessidades dos nossos modelos”, explica o empresário.
A fábrica vai também produzir para outras marcas. “Queremos aproveitar esta nossa relação com os países aqui em redor, como os de África, América Latina, e dizer-lhes que, caso fabriquem na China, podem agora fabricar aqui em Portugal”, refere Tito Cardoso. Esta fábrica vai exportar cerca de 96% da sua produção, sobretudo para o mercado europeu. A nova linha já produzida em Coruche, a terceira gama dos Iki Mobile, vão ser mais leve e mais fina. Ao nível dos smartphones vão existir oito modelos, além dos antigos telemóveis com teclado (sem touch screen), alguns modelos sem cortiça e ainda powerbanks.

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