Nersant Business aumenta exportações de 75 empresas em 28 milhões de euros

em Economia

Está a dar bons frutos o esforço de internacionalização dos negócios que a Nersant tem desenvolvido em concertação com as empresas do distrito.
Um estudo realizado pela Associação Empresarial da Região de Santarém revela que das 102 empresas que participaram no Nersant Business há 75 empresas que aumentaram as exportações 10 começaram a exportar, e tudo isto se reflete num aumento das exportações da ordem dos 28 milhões de euros em 4 anos.
A análise realizada pela Nersant indica os bons resultados da participação das empresas no Nersant Business, encontro internacional de negócios que nas várias edições já proporcionou milhares de contatos de empresários de todo o mundo, muitos deles a abrirem novas portas em mercados internacionais onde muitas empresas ribatejanas se encontram hoje bem implantadas. Este estudo contempla o universo de 102 empresas que participaram no evento nas edições realizadas nos anos de 2014 e 2015.
Para o presidente da comissão executiva da Nersant, os números do estudo confirmam que a realização do NERSANT Business – Encontro Internacional de Negócios da Região do Ribatejo, é uma aposta ganha pela associação empresarial, que tem conseguido realizar anualmente um evento francamente eficaz no que toca ao apoio à exportação e internacionalização dos negócios das empresas da região.
António Campos realça que no último Encontro, em outubro último, a associação reuniu em Tomar 38 países participantes e mais de 100 empresas portuguesas, que ao final de dois dias de trabalho tinham concretizado 1091 reuniões de negócio
A Associação Empresarial da Região de Santarém analisou os dados das empresas participantes no Nersant Business em 2014 e 2015 concluiu que o volume de exportações destas empresas aumentou 28 milhões de euros, ou seja um incremento de 31% das vendas, entre 2012 e 2016.
Nesta análise, a Associação Empresarial verifica que as empresas participantes no Encontro internacional de Negócios do Ribatejo viram também o seu volume de negócios aumentar entre 2012 e 2016 mais de 75 milhões de euros, um aumento de 19%. O mesmo aconteceu com o VAB, que aumentou 41%, tendo um aumento de 28 milhões de euros no mesmo tempo.
Verifica-se ainda que os resultados líquidos do exercício apresentados entre 2012 e 2016, pelas empresas participantes Nersant Business, que era negativo em 3,6 milhões, conseguiram também uma melhoria significativa, na ordem dos 20 milhões de euros, um aumento de 463%.
Os reflexos da internacionalização dos negócios destas empresas notam-se também na criação de 645 postos de trabalho entre os anos de 2012 e 2016, um aumento de 23%.
De salientar que só 64% das empresas exportavam e este numero subiu para 73,5%, passando de 65 para 75 empresas que deram o passo da internacionalização. De realçar que do universo destas empresas, todas elas PME, ficam de fora as grandes empresas exportadoras como a Mitsubishi do Tramagal ou a Renova de Torres Novas, que há muito dirigem os seus negócios internacionais por canais próprios.
António Campos, presidente da comissão executiva da Nersant, sublinha o mérito das empresas neste esforço para melhorar e aumentar os negócios pela via da internacionalização.
“Não basta ir a uma edição do Nersant Business e reunir com empresas ou entidades estrangeiras para começar a exportar”, afirma António Campos, acrescentando que “é necessário estudar muito bem os mercados, as suas leis e burocracias, e depois fazer a mala, partir da zona de conforto, visitar os países, escolher parceiros…” Por isso, sublinha o dirigente da Nersant, “há que reconhecer o valor destes empresários que têm aproveitado as iniciativas da Associação para os ajudar a vencer os desafios difíceis da internacionalização dos negócios”.
Além do Nersant Business – encontro internacional de negócios do Ribatejo, entre as iniciativas que a Associação Empresarial tem dirigido nesta área destacam-se as missões empresariais ao estrangeiro, a formação para empresários, e agora os estudos sobre mercados estrangeiros que a Nersant iniciou na semana passada com o lançamento o estudo sobre mercado marroquino, o primeiro de um conjunto de 10 estudos de mercado, destinados a apoiar as empresas da região na busca de novos mercados internacionais.

N.ºs

73,3
Milhões de euros foi o aumento do volume de negócios em 2016 no conjunto das empresas que participaram no Nersant Business, o que representa um aumento de 392 milhões de euros em 2012 para 468 milhões de euros.

1.091
Reuniões de negócio foi o movimento registado no último Nersant Business em outubro passado, que reuniu em Tomar empresários de 38 países para encontros de negócios com 100 empresários portugueses.

28
milhões de euros foi o aumento do volume das exportações registado pelas empresas participantes no Nersant Business entre 2012, quando se registavam exportações da ordem dos 88,5 milhões de euros, e 2016, ano em que as exportações atingiram o valor de 116,4 milhões de euros.

73%
das empresas que participaram no Nersant Business passaram a exportar ou aunmentaram as exportações, um indicador também do aumento do número de novas empresas e foram mais 10 as que que deram o passo da internacionalização.

116
milhões de euros foi o volume das exportações das 75 empresas que integraram o Nersant Business e que registaram umincremento do volume de negócios da ordem dos 19 por cento.

 

Três empresas contam-nos a suas experiências na internacionalização dos negócios

 

Jorge Rolão Fonseca – Blue Bau

A BAU Special Solutions nasceu em Barcelona em junho de 2009. Um ano depois, passa a a estar presente fisicamente, também em Portugal na cidade de Lisboa face aos vários projetos que a lançaram no mercado nacional. Aqui inicia-se também a abordagem às obras especiais no mercado nacional, nomeadamente com os trabalhos desenvolvidos em vários túneis urbanos no Funchal – Madeira.

Tendo atualmente a sua sede em Torres Novas, Portugal e com duas delegações: Lisboa e Covilhã no Parque de Ciência e Tecnologia dessa cidade, o PARKURBIS para permitir chegar a todo o territorio nacional e para ao mesmo tempo permitir a conjugação entre serviço e qualidade, respondendo às necessidades do mercado da reabilitação, reparação, impermeabilização e obras especiais e proporcionando valor acrescentado na renovação ou reabilitação de estruturas e edifícios nessas zonas.

“Em 2011, os trabalhos de injeção na Barragem de Capanda em Malanje, Angola, foram um marco histório para a BAU Special Solutions seguido-se a esse, intervenções no Metro do Porto e novamente em Barcelona”, afirma o CEO da empresa.

Apesar da crise na construção que se veio a instalar em 2012, a empresa consegue encontrar o seu lugar no mercado. Em 2013 e 2014 conclui obras na EDIA e EMBRAER e exporta novamente para o mercado internacional africano: Guiné Equatorial e Argélia.

Nesse ano, contou com duas importantes obras na Argélia, uma no “Metro de Argel”, para o Agrupamento que inclui as empresas dos Grupos Teixeira Duarte e Andrade Gutierrez e outra no projecto ferroviário “Thenia – Tizi Ouzou” directamente para a Teixeira Duarte. Neste momento tem duas empreitadas a decorrer, Metro de Argel com o parceiro SOTECNISOL e uma outra com a Teixeira Duarte no Gulf Bank, ambas em Argel.

Ainda em 2014, iniciou negociações para uma obra no Metro de Tbilisi na Geórgia que foi finalmente conquistada no final desse ano prolongando-se para 2015.

Actualmente, apostou na Internacionalização na América Latina, com o início da BAU COLOMBIA em maio deste ano, tendo já um projeto executado e terminado em Bogotá, onde tem a sua sede.

“Neste processo de internacionalização dos negócios temos procurado estar acompanhados, sempre tentando estar junto dos melhores profissionais e associações empresariais, câmaras de comércio, entidades exportadoras, sejam empresas parceiras, assim como outras que já, pela sua experiência, nos podem auxiliar nos processos de internacionalização”, afirma Jorge Rolão Fonseca.

“Não vemos o mercado apenas como nacional, mas sempre sem fronteiras. Temos capacidade técnica, comercial e produtiva que nos permite entrar e participar em projetos internacionais, sem qualquer dúvida. Não nos esquecemos nunca de onde viemos nem onde nascemos e a nossa primeira internacionalização, foi de facto a vinda de Barcelona para Lisboa em 2010”, sublinha Jorge Rolão Fonseca.

A empresa tem acompanhado o trabalho da Nersant de forma direta e muito ativa. “É realmente uma associação que ajuda as empresas e o tecido empresarial da região do Medio Tejo e Ribatejo”, afirma o empresário, sublinhando que “tem sido um associado bastante participativo nos diversos NERSANT Business e participámos há um ano numa missão empresarial a Toronto, Canadá. Estamos muito satisfeitos com a parceria com esta entidade e queremos, cada vez mais, ser um associado ativo e válido nesta associação empresarial”.

 

 

Vítor Rego – Festivo Começo

A administração da Festivo Começo destaca a importância do Nersant Business para criar redes de contatos. “Não se trata tanto de negócios que tenhamos feito durante o encontro mas mais dos contatos de intermediários e de potenciais fornecedores que conseguimos angariar”, refere o responsável da empresa, engenheiro Vítor Rego. O administrador da Festivo Começo conta-nos que conheceu um representante inglês e outro português com ligações ao Médio Oriente e, através deles e de modo próprio, tem desenvolvido uma forte presença em países como Arábia Saudita e mais recentemente no Dubai, Líbano, Líbia, Bahrein e Omã. Estes contatos, agora já realizados de modo próprio e já há três anos consecutivos, traduzem-se no aumento de exportações: em 2016, a empresa fechou o ano com 12% de quota de exportação; vai fechar 2017 com 14% e espera chegar aos 42 a 45% em 2018.
O aumento exponencial no próximo ano vai trazer a possibilidade de contratar mais pessoas e de aumentar a faturação de 2,5 milhões de euros para quase 8 milhões de euros, diz-nos o responsável da empresa.
Contudo a Festivo Começo não tem só recebido, também tem feito parte do esforço de criar rede. Assim, foi esta empresa que apoiou a Nersant a levar outras empresas para estes mercados, nomeadamente, uma empresa de comercialização de pedra e outra de cápsulas de café. “O Nersant Business é importante porque tem gente de todo o mundo e todas estas pessoas fazem rede, trazem conhecimento de intermediários e de possibilidades de negócio que sozinhos não se teríamos acesso”, afirma Vítor Rego. A Festivo Começo está de tal forma já enraizada na Arábia Saudita que já formou operadores de mercado próprios para estabelecer as relações comerciais neste país.

A Mundiarroz, produtora da famosa marca de Arroz Cigala, tem participado nos encontros e missões empresariais da Nersant, sobretudo para marcar a presença da empresa e para encontrar alguns contatos que possam ser úteis para futuros negócios. “Até agora realizámos contatos exploratórios e ainda não concretizámos negócio mas também o arroz é um produto específico e está dependente da regulação e da procura dos mercados internacionais”, refere o administrador João Poitier. A empresa tem estabelecido sobretudo contatos com parceiros dos países de língua portuguesa para comércio de arroz por grosso, conforme hábito de alguns destes países. Nas missões, o foco tem estado em encontrar parceiros para negócios industriais e parcerias de representação, sobretudo em África e no Médio Oriente. Nos mercados europeus e onde existe maior comunidade portuguesa de emigração, surgem também algumas oportunidades para as marcas da Mundiarroz. “Enquanto marca estabelecemos alguns contatos, durante o Nersant Business, com clientes que já representavam na nossa marca de forma indireta e, graças a este encontro, passamos a negociar diretamente”, acrescenta João Poitier.

José Coimeiro – Cabena

A Cabena é uma das empresas do distrito de Santarém que tem investido na internacionalização dos negócios. Um caminho difícil, mas que está a dar bons frutos, como nos conta o empresário José Coimeiro. “A Cabena iniciou a internacionalização dos negócios em 2011 em Espanha onde a atividade ainda hoje é pouco significativa, porque não conseguimos o objetivo de encontrar um parceiro com importância no mercado”, afirma José Coimeiro. Uma experiência negativa que o empresário atribui a “comportamentos batoteiros dos espanhóis para nos impedirem de ganhar concursos” e que a Cabena tem conseguido tornear com a conquista de nichos de mercado.
Já em França a experiência da Cabena tem sido positiva. Apesar da concorrência pesada e de haver também algum fechamento do mercado à concorrência estrangeira, a Cabena conseguiu penetrar em França pela via das obras para grandes arquitetos e intervenções em edifícios e monumentos franceses. “É uma área diferente para a empresa, mas permite-nos estar confortavelmente instalados num mercado muito rico e com interesse para o nosso produto”, afirma José Coimeiro.
A empresa iniciou o processo de internacionalização por conta própria, e tem participado nas iniciativas de fomento da internacionalização dos negócios das empresas da região organizadas pela Nersant – Associação Empresarial. “Tem-nos ajudado a consolidar o nosso trabalho em Espanha e em França, e por isso estamos presentes até hoje nestas iniciativas promovidas pela Nersant”, afirma José Coimeiro. O empresário manifesta agora o interesse em explorar outros destinos. Nesse sentido, considera de “muito interesse o Nersant Business, encontro internacional de negócios que é o caminho para procurar e encontrar parceiros e iniciar os estudos de mercado para a colocação dos nossos produtos”. Salienta ainda a importância das missões empresariais em que tem participado, entre as quais algumas organizadas pela Nersant e que considera bem organizadas e outras de associações setoriais. “Tem havido muitas missões e algumas deixam muito a desejar, pelo que defendo que a necessidade de repensar a organização destas missões, que devem ser bem pensadas e preparadas, evitando sobreposições de mercados e datas, e obrigando as organizações a apresentar os resultados do trabalho realizado.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Ultima de Economia

0 0.00
Ir para Topo