Moinho de Vento – Uma declaração de amor

em Opinião

José Miguel Noras*

Enquanto houver, em Santarém, personalidades, solidárias de alma inteira, com a determinação de quem não se deixa abater, nada, mas nada, estará perdido. Vejamos pelas nossas vidas. Quantas vezes não nos atiraram ao fundo? Quantos momentos difíceis não vivemos, até hoje? Quantas horas de amargura já sentimos, em nossos percursos? Quantas vezes não estivemos mesmo em baixo? E depois? O que nos valeu? Sim, o que nos salvou? Foi a nossa resistência, essa vontade de nos reerguermos, de nos levantarmos, para não mais cairmos. Assim será com Santarém. Todos juntos, por ela, conseguiremos pô-la, de novo, como um brinco, bem arrumada, como moça bonita no dia em que vai casar. Cidade é mulher. Por mais bela que seja, de tempos-a-tempos, também carece de uma sessão de maquilhagem. Só quem ama Santarém, poderá ajudá-la a sair do fundo e recolocá-la no topo, como se fosse um ente-querido. Sim, existe algo mais querido, para nós, do que Santarém, com sua Ribeira, Alfange e toda a beleza do seu corpo concelhio? Não! Para quem a ama de verdade, Santarém será sempre, mas sempre, o máximo, mesmo quando, como agora, se apresentar qual modelo, com os dentes estragados e o corpo repleto de celulite.
Ad augusta per angusta.

(* da Academia de Letras e Artes de Portugal)

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