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Já fez mais de 10 mil km a pé à procura de emprego

em TVRibatejo/Últimas


Paulo Teixeira, 45 anos e ex-maratonista, anda há dois anos a percorrer mundo a pé, desde que ficou desempregado. Ouvimos a sua história à passagem por Santarém, já com muitos milhares de quilómetros percorridos, sempre a puxar um atrelado, e regressado de Rovaniemi, a icónica aldeia do Pai Natal, na Finlândia.

A viagem de Paulo Teixeira podia ser mais uma daquelas histórias de aventureiros tardios que, já em idade madura, decidem abandonar trabalho e obrigações e partir à descoberta do mundo, numa espécie de “licença sabática” das responsabilidades da vida. Só que a Paulo Teixeira a vida não deu folga. Aos 43 anos viu-se desempregado (trabalhava no setor da hotelaria) e sem casa. O último destes três anos passou-o em casa do pai. Mas a situação familiar também é difícil, e o facto de Paulo viver com três cadelas e não conseguir arranjar sequer um biscate para ganhar trocos, deixou-o sem rumo.
“O ano de 2014 foi muito difícil para mim, estava já há muito tempo sem trabalhar, e os biscates não chegavam para mim nem para as minhas patudas”, recorda Paulo Teixeira, que contudo não se resignou: “estava numa situação de pobreza total e então pensei: se é para ficar pobre em Lisboa, prefiro ir para a estrada”.
E foi a estrada a sua casa a partir do dia 11 de janeiro de 2015, um dia depois do seu aniversário. Não partiu de mãos a abanar. Foi com as suas três amigas, as tr~es cadelas que chama de “patudas”, e todos os seus haveres dentro de um carrinho, parecido com aqueles atrelados que vemos acoplados às motorizadas. Tinha apenas a roupa, uns ténis, dois sacos de comida – um para ele e outro para as cadelas – que lhe tinham sido oferecidos por uma amiga da família, a senhora Rosália, que lhe deu também 50 euros mas sempre a incentivá-lo para não ir. Foi também esta senhora que, nos primeiros tempos, lhe carregou o saldo do telemóvel, indispensável para poder ir partilhando as suas jornadas e para manter contacto com os poucos amigos e família.

Fátima e Serra da Estrela No seu mapa não havia um itinerário bem definido. “Estava com a autoestima em baixo, mas sentia uma certa esperança no resultado desta viagem. Nunca imaginei que iria chegar tão longe”, afirma hoje já com outra visão sobre esse momento inicial. O primeiro destino no mapa foi Fátima. “Não era por ser católico mas porque me dava algum conforto moral. Fátima foi sempre uma esperança, não sei bem em quê. Foram os primeiros 150 km”. Depois veio o desafio da Serra da Estrela. Subiu desde Seia até à Torre. Demorou mais de dois dias. Foi um esforço sobre-humano. O carro que puxava tinha na altura metade do peso e das dimensões do que tem atualmente. “Pensei, se conseguisse vencer os 2000 metros de altitude da Serra da Estrela, conseguia ir à Europa. Porque na minha mente sempre esteve um destino: a Lapónia e em particular a aldeia do Pai Natal”. Paulo viu os pais separarem-se quando era muito novo. Sempre adorou o Natal e sonhava conhecer a terra do Pai Natal na Lapónia. E foi esse o seu destino, um trajeto que o levou a percorrer milhares de quilómetros e de paisagens. “A partir de determinada altura estava a gostar desta caminhada”, conta Paulo, que antes desta reviravolta da vida era atleta amador e corria a maratona.
Conta Paulo que ao longo desta caminhada encontrou “gente boa e menos boa”. “Quem me encontrava perguntava o que andava ali a fazer. E muitos ajudaram-me. Nunca tive coragem de pedir um euro a ninguém. As coisas foram-me sempre dadas de forma generosa pelas pessoas”. Quando alguma família o acolhia em casa, foi registando esses momentos em fotografias de telemóvel, que publicou numa página de Facebook que mantém até hoje. Nesses momentos fotográficos, tinha a singular mania de pedir que colocassem sempre um motivo alusivo ao Natal.

Fome Também passou dias de fome, sobretudo em Portugal e Espanha. Recorda que em Espanha a Guardia Civil o mandou parar muitas vezes, e revistar, talvez por achar que podia estar a transportar armas. Passou depois melhores tempos no norte da França, graças à solidariedade da comunidade portuguesa. O mesmo aconteceu no Luxemburgo e na Bélgica. Mas os grandes apoios da viagem começaram a surgir assim que entrou na Holanda e depois a Dinamarca, de onde fez a travessia de barco para a Suécia. Só neste último país percorreu mais 7 mil km. Sempre a pé, sempre com a fiel companhia das suas amigas cadelas. Foi também na Suécia que lhe deram comida para os animais e roupas mais quentes para suportar o Inverno que estava a chegar. Deram-lhe também skis para colocar no carrinho e ser-lhe mais fácil de circular nas estradas com neve, assim como botas com pitons para o gelo, vários telemóveis e outros utensílios.

Na Lapónia com o Pai Natal

Paulo Teixeira entrou na Finlândia pelo norte da Suécia, já em pleno círculo polar ártico, na região da Lapónia, onde conseguiu chegar na altura do Natal. Mas só alcançou a aldeia do Pai Natal, que fica a norte da cidade de Rovaniemi, no mês de fevereiro de 2016. “Não houve problema porque lá o Natal é todos os dias e valeu muito a pena. Foi um ano e um mês de viagem e foi muito bom, apesar das coisas mais negativas, como a pobreza, a humilhação, o olhar reprovador de algumas pessoas”. “Muitos olhavam para mim como um marginal, como um larápio, porque eu estava muito pálido, não comia o suficiente. Jamais alguém acreditava que um homem de 40 e poucos anos queria ir ver o Pai Natal”. Percorreu dez países na viagem de ida para a Lapónia: Portugal, Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Finlândia. No regresso passou também por Itália, Mónaco e Suíça. “Neste momento tenho que dizer que venho da Lapónia, porque foi onde reiniciei esta viagem que ainda não terminei”, diz-nos Paulo Teixeira.
É a história interminável de um caminhante, que fomos encontrar a puxar o seu carrinho de mão em plena Rua O, em Santarém. A etapa que o trouxe aqui começou nas Caldas da Rainha (Fanadia), de onde tinha partido, há um dia e meio, de casa de uma família amiga que o acolheu. De Santarém seguiu para Almeirim e daí o seu objetivo é voltar a sair do país para passar o Natal num destino estrangeiro por onde já passou, onde uma família de portugueses lhe prometeu dar casa e ajudar na procura de trabalho. “Não regresso a Lisboa porque não tenho lá nada. Fui lá há pouco tempo, visitar a família e renovar o Cartão do Cidadão, mas não fui a pé, fui de transporte. Mas não tenho ninguém à minha espera. A minha casa é onde estou com as minhas patudas e onde eu coloco a minha tenda”.
Ao longo desta viagem recebeu alguns convites de famílias amigas para regressar à França e à Suécia. “Só que nuns locais tenho casa mas não tenho trabalho e noutros tenho trabalho mas não há condições para eu ficar com as minhas patudas. E não as vou abandonar. Além disso, no estrangeiro, há coisas mais bem organizadas no que diz respeito ao cuidado com os animais e nem todos os locais são permitidos para ter cães”, diz Paulo.

Companheiras de viagem inseparáveis

As suas companheiras de viagem são “as patudas”, três cadelas adultas, a mãe, Jacky de 12 anos, e as duas filhas da mesma ninhada, Enya e Heidi, com 8 anos. Paulo chama-lhes a “Team Golden Heart” (coração dourado). Sempre fez questão de manter as cadelas ao seu lado, mesmo nas maiores dificuldades. Nota-se o carinho que tem pelos animais, até porque tem uma especial atenção em encontrar sempre locais com comida e abrigo para elas e também criou um compartimento no seu carrinho onde as coloca a dormir nas noites de maior frio.

Diário no Facebook

Os leitores podem seguir as aventuras de Paulo Teixeira num diário que criou na sua página de Facebook, no endereço facebook.com/paulo.amigo3. Inicialmente começou por ter trinta seguidores mas agora são várias centenas. É através deste meio que legitima a sua aventura e presta reconhecimento a quem o tem ajudado. E são centenas de testemunhos e fotografias dos vários sítios por onde passou. Com este material e a suas memórias, Paulo Teixeira quer publicar um livro com a sua história. Assim haja quem o queira apoiar nessa outra caminhada.

 

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