Espuma dos dias – Censura incolor

em Opinião

O ministro Cabrita é personagem pesada do aparelho socialista. Lembro-me dele a disputar um microfone a Paulo Núncio, numa hilariante cena na Assembleia da República digna de figurar na Bíblia do desenho animado. Há anos o ministro Cabrita foi figura principal em prol do regionalizar o País, averbou obesa derrota no referendo mercê da enérgica intervenção de Marcelo, ao tempo líder do PSD.
Pois bem, o Ministro cujo apelido é sinónimo da dita igualdade do género tutela uma coisa denominada Comissão do género igual, cuja comissária de nome Teresa Fragoso, na SIC tentou justificar o amuo ministerial por via de um livro cor-de-rosa e um livro azul, na vontade de os mesmos serem banidos porque os rosas dedicados às meninas, e os belenenses aos rapazes. A censura incolor fez efeito e os livros saíram do mercado, a Porto Editora investe fortemente nos livros escolares e o Diabo é tendeiro.
É aberrante esta censura canhestra, como sempre achei todo o rol de censuras, o Estado Novo ainda persiste na minha memória, daí a aversão a muros carcereiros da liberdade de expressão do pensamento por palavras e obras.
Em vez de deixar as inclinações ao cuidado dos progenitores, a Senhora Teresa entendeu ser mensageira de uma atitude castradora da vontade de cada um, e levou a carta a Garcia conseguindo o desejado exílio dos livros.
Se a moda pega será que poderei beber vinho rosé? E vinho tinto? O branco para quando e com quem? Estas minhas interrogações são entendíveis para a maioria dos leitores, no entanto, aplicáveis na comida, no vestuário, em tudo quanto nos dê na real gana.
O episódio não pode ser colocado no cacifo da estação maluca, tem de ser entendido na perspectiva de a pulsão censória crismada no devir do politicamente correcto é expressão do desejo de tudo ser controlado de forma a nenhum suspiro sair do peito dos insubmissos a cangas ou jugos políticos.
A funcionária Teresa ganhou para toda a vida o ferrete de censora, nesta altura dará uma gargalhada de desdém, daqui a alguns anos quando lhe lembrarem a desastrada atitude talvez compreenda a vingança da memória, já que se serve fria. No respeitante ao ministro Cabrita nada a fazer, a sua vesguice é atávica e perene.
Será crível o assentimento de Costa ao distúrbio de interferência no domínio do privado artístico e intelectual? Custa-me a crer, mais que não seja porque tanto o pai como a mãe sofreram na carne e no espírito as consequências do lápis azul. Talvez não houvesse lápis rosa!

Armando Fernandes

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