José Gandarez, um advogado lançado na produção de cinema

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É a indústria criativa a principal actividade de José Gandarez como empresário. Desde a ficção nacional, filmes e séries, além de projectos na área da moda, um outro na área da música, e agora também no desporto (com a SAD da União Desportiva de Santarém). Portanto, tudo isto relacionado com indústria de conteúdos criativos, e centrado na empresa Sky Dreams, com sede em Lisboa.
Como é que chegou ao cinema, a produtor de ficção?
Quase por um acaso, e porque sempre fui uma pessoa de projetos. Mais do que cargos. Desde muito jovem. Fui-o na associação de estudantes no Liceu Sá da Bandeira, como presidente da associação de estudantes na Universidade, e, mal comecei a exercer advocacia, fundei a ANJAP (a Associação Nacional dos Jovens Advogados Portugueses).
A ideia do cinema surgiu numa conversa com um amigo, por acaso jornalista. Estávamos a falar da portugalidade, do ser português e da sua genialidade, de improviso e na argumentação lembrei-me dos grandes actores da época de ouro do cinema português, do António Silva, do Vasco Santana…, e disse: “como é que seria fazermos agora o Pátio das Cantigas ou a Canção de Lisboa?”. E ao mesmo tempo que disse isto, acreditei que era possível. Depois, basicamente inspirei-me no que se faz lá fora, e percebi que era possível fazer um remake desses filmes.

Quando é que isso aconteceu?
Isto passou-se em finais de 2013. Claro que é fácil ter boas ideias, difícil é concretizá-las. E tanto assim foi que estive ano e meio a negociar os direitos desses originais aos herdeiros, que muito a custo acabou por se conseguir adquirir.

70 anos depois não deve ter sido fácil, mas o facto de ser advogado facilitou?
Não foi fácil adquirir os direitos. Mas a Sociedade Portuguesa de Autores ajudou muito. Quando há vários herdeiros, ou seja, quando os direitos de autor são partilhados, em tese, não podem vetar simplesmente a sua cedência, portanto a alternativa é apresentarem preços proibitivos…. E houve um dos três filmes que esteve em risco, exactamente porque um dos herdeiros pediu um valor muito alto. Mas decidimos arriscar, e avançámos mesmo com o remake da trilogia. Não se inventou nada, remakes é o que toda industria internacional faz..

Mas foi um grande risco?
Foi um risco, obviamente, até pelos montantes envolvidos. Mas tínhamos o benefício de serem grandes filmes, verdadeiros ícones do cinema português. Familiares e transversais a toda a sociedade. Dado esse primeiro passo, o passo seguinte foi aliar-me a um realizador de cinema, no caso, o Leonel Vieira e a produtora dele. Fizemos uma parceria, uma co-produção. Com a RTP e as marcas patrocinadoras (CTT e Sagres), e outras parcerias (Cm Lisboa), com que assegurámos a montagem financeira.

Foi grande o investimento financeiro?
Os três filmes significaram um investimento de três milhões de euros. Sendo que tivemos também um forte investimento na promoção.
O sucesso popular foi grande, mas a crítica não foi nada meiga?
Sabíamos que seria sempre um projecto arriscado. De inevitável comparação com os filmes originais. Mas o que nós quisemos fazer foi uma homenagem a esses filmes antigos da época de ouro do cinema português. Os génios não se repetem, nem se copiam. Servem de inspiração. António Silva e Vasco Santana são únicos, pelo que o projeto teria sempre esse risco. O que nós quisemos fazer e foi assim que apresentei o projecto aos herdeiros: foi uma homenagem, e por isso mantivemos os nomes das personagens originais, assim como algumas cenas icónicas… Mas por exemplo, a cena do Vasco Santana com o candeeiro, só passámos ao de leve por ela, não a quisemos replicar porque seria sempre impraticável fazer melhor que o original.
Estes remakes foram uma homenagem, mas reinventada, conforme aos tempos de hoje. São novos guiões, inspirados na atmosfera daqueles populares filmes dos anos quarenta do século passado. E claro que tínhamos de convidar bons actores portugueses…

E os actores disponibilizaram-se logo?
O primeiro passo, era gostarem do guião. Mas assusta sempre a responsabilidade do desafio artístico, uma vez que há sempre o risco da comparação – e acabaram mesmo por ser comparados…
Para mim foi uma experiência muito positiva. Aprendi muito. Dos três filmes, estive praticamente em todas as sessões de filmagens de dois deles, e naquele ambiente ganhei muito respeito por toda a indústria cinematográfica. Como é sabido, o mercado do cinema português também não é muito forte, e não sendo forte as pessoas também não são muito bem remuneradas, sacrificam-se… é duro filmar seis dias seguidos em cada semana, dia e noite, e depois, nos poucos tempos de repouso, não há os luxos que vemos nos bastidores de Hollywood. Fiquei com uma grande admiração pelo trabalho dos actores e de toda a indústria, desde os maquilhadores, ao cameraman, ao director de fotografia, ao electricista, ao técnico de som… a todos eles, Cada filme movimenta cerca de 100 pessoas.
Fiquei com o bichinho do cinema e já estou lançado em novos projectos.

Que novos projectos?
A produtora Sky Dreams – em coprodução com outra produtora – está já a desenvolver uma série de Verão, com 13 episódios, inspirada na série espanhola “Verão Azul”. Uma série com guião próprio, uma história diferente em cada episódio, que queremos transversal a todas as faixas etárias, do avô ao neto. Prevemos apresentá-la à imprensa ainda durante este mês de agosto, inicio de setembro.
Estamos também já a preparar a produção de um outro filme. Este sobre a história de amor entre Sá Carneiro e Snu Abecassis e o seu fim trágico. Um filme de época, com guião assinado por Cláudia Clemente. A realizadora é a talentosa Patrícia Sequeira (será o seu segundo filme), vencedora de um Emmy pela telenovela “Laço de Sangue” e realizadora do filme “Jogo de Damas”. Segue-se a contratação de actores…

Tem uma máquina já pesada na área da ficção?
Vamos lá a ver, nesta área, as máquinas são montadas em função dos projectos. Já temos nove pessoas a trabalhar para o filme de Sá Carneiro e da Snu Abecassis – por exemplo, a Helena Matos como historiadora, Luísa Amaral, pesquisadora, Sara Carinhas, atores, a própria realizadora Patricia Sequeira, entre outras …, portanto, contratamos as pessoas em função de cada projeto.
Na produtora Sky Dreams temos, neste momento, um director-geral de empresa e mais duas pessoas a tempo inteiro.

Depois do sucesso da trilogia que produziu, é mais fácil arriscar en novos projectos?
Fácil não é, porque o mercado português é escasso, pequeno. Daí as produtoras portuguesas, com raras exceções, passarem todas por dificuldades. A receita principal dos filmes é o preço do bilhete, que é repartido entre produtor, distribuidor e exibidor. O produtor de cinema, na cadeia cinematográfica é o que recebe menos, cerca de 15 a 20%. Ou se tem apoio publico através do (ICA – Instituto do Cinema e Audiovisual) que viu o seu orçamento reduzido e apenas consegue apoiar 4 a 5 filmes por ano…para 30 ou 40 candidaturas…Ou é preciso coragem, muita paixão, e inovação..
Conseguimos criar novas receitas através dos patrocínios, com um product placement integrado, à americana, ou seja, não fizemos a apresentação explícita de um produto ou marca. O que fizemos foi criar personagens para integrar a marca na história. Por exemplo, o Manuel Marques no Pátio das Cantigas é carteiro. Com a parceria CTT, criamos uma personagem, “o Carteiro”.

 

Gandarez quer eleições na Concelhia do PSD ainda este ano

O conflito na constituição das lista autárquicas não terá ficado totalmente sanado, uma vez que Gandarez propõe antecipar as eleições no PSD

Este conflito público do PSD na constituição das listas para a Câmara deixou mossa ou não?
A Concelhia nunca falou para a comunicação social sobre esse assunto. E uma vez que se trata de uma capital de distrito, tivemos sempre o cuidado de envolver os órgãos nacionais do partido. Mas aquilo que acabou por acontecer foi o acordado, e o assunto está encerrado com as listas entregues no tribunal.

O que houve entre o José Gandarez e Ricardo Gonçalves foi apenas um desentendimento político ou foi um conflito de egos?
Eu acho que às vezes são mais a pessoas à volta que são pouco serenas, e acabam por pôr mais areia na engrenagem, do que propriamente tudo o resto. Todos os processos de escolhas de pessoas, quando há poucos lugares disponíveis, envolvem sempre alguma celeuma, seja a escolha de autarcas ou de deputados… Mas muitas das coisas que saíram publicadas em jornais não foram verdadeiras.

Mas acabou por trocar de lugar com o Nuno Serra nas listas, passou de segundo na Câmara para primeiro na Assembleia?
Como todos sabem, a minha entrada na lista foi uma “exigência” do candidato à Camara Municipal. Foi ele que solicitou a minha integração como n.º 2 da Lista à Câmara. Nesta fase da minha vida profissional, sempre recusei assumir funções executivas. Só perante o impasse verificado e considerando as minhas responsabilidades como Presidente da Concelhia não podia dizer que não à única solução que permitia a obtenção de um consenso. A Concelhia do PSD seria sempre a solução e não o problema!
A solução encontrada deixou-me muito feliz… e vai servir os interesses de Santarém pela capacidade e honradez política do Eng. Nuno Serra. Jamais permitiria que por causa do meu nome ou de um pretenso lugar que nunca desejei se verificasse uma situação de ruptura.
De qualquer modo, e como não conseguimos agradar a todos, já informei os militantes no plenário realizado na passada semana que iremos antecipar as eleições para a Concelhia para o final do ano de 2017/inicio de 2018 de modo a dar oportunidade aos críticos. Informei igualmente que a “política de proximidade” se iria recandidatar.

O que é que espera que o novo executivo camarário faça?
Os projectos futuros da autarquia não podem voltar a por em causa a sanidade das contas da Câmara, e desse modo penalizar fornecedores, pequenos parceiros e o pequeno comércio que dela dependem. A Câmara tem que ser uma pessoa de bem. E tem que ter a capacidade, não só de fazer um aproveitamento máximo dos fundos comunitários disponíveis no 2020, como de atrair investimento e de promover parcerias público-privadas. Tem que ter uma visão estratégica e, idealmente – assim como este Governo defende que para a realização das grandes obras públicas devia haver uma maioria de dois terços na AR, ou seja, o acordo do PS e o PSD –, também acho que aqui, em Santarém, devia haver um acordo para as questões essenciais.
É obrigação dos principais partidos, no início deste novo mandato, terem a capacidade de se sentarem e de se entenderem no que é essencial para a cidade e o concelho, e depois terem a co-responsabilidade na execução dos projectos. Acho que esse esforço de participação e cooperação das forças políticas devia ser feito num prazo curto após as eleições, logo nos primeiros meses. Para isso é preciso deixar a partidarite de lado…

O que é que Santarém precisa?
De uma cidade com passado temos que passar a ser uma cidade com futuro. Temos boas gentes, recebemos bem! Santarém tem que ser capital de novo. E aproveitar o que Lisboa já não tem capacidade para albergar, mais portugueses… Lisboa neste momento, pelo seu custo de vida, afasta os portugueses. E tem como prioridade os turistas.
Santarém tem que ter a capacidade de os atrair: estamos mais “perto” de Lisboa em termos de acessibilidades ferroviária e rodoviária que muitos concelhos da área metropolitana de lisboa.
Herdámos uma câmara “tecnicamente” falida. Agora que o garrote financeiro aliviou, é altura de avançar com a execução dos projectos estruturantes que todos conhecem, mas ninguém ainda executou.

 

BI de José Gandarez

Natural de Santarém, 42 anos, casado e com dois filhos, José Francisco Gandarez é advogado, gestor de empresas e produtor de ficção (cinema e televisão). Na actividade política ocupa o cargo presidente da Concelhia do PSD de Santarém e é cabeça de lista à Assembleia Municipal nas próximas eleições autárquicas. Profissionalmente é sócio fundador da sociedade de Advogados Private Lawyers; Administrador da Corporación Financeira ARCO; gestor das sociedades Sky Dreams Investments e da Sky Dreams Entertainment;. No currículo académico, além da licenciatura em direito, conta com duas pós-graduações, em Gestão e Direito das Empresas, pela Universidade Nova, e em Ciências Políticas e Relações Internacionais, pela Faculdade de Direito de Lisboa, assim como o Executive LL.M (Master of Laws) pela Northwestern University (Chicago) e o Instituto de Empresa (Madrid).

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