Espuma dos Dias – Sarça ardente

em Opinião

Os leitores da Bíblia conhecem o episódio da sarça ardente, um arbusto em fogo, que as chamas não consumiam. Ora, no concelho de Mação as sarças arderam e deixaram um rasto desolador de cinza e destruição. Trago a terreiro o exemplo de Mação quando já se deram outros incêndios tão destruidores como este, acrescentando-se a estúpida morte de dezenas de pessoas no de Pedrógão Grande. Porque sublinho o fogo de Mação? Porque conheço os esforços gastos durante todo o ano na protecção da floresta, conheço as preocupações do executivo municipal no sentido de não conceder nenhuma oportunidade à sarça que consome a riqueza local, e ainda porque todos têm na memória o tremendo fogo ocorrido em 2003.
O que falhou? Sem querer ser mais papista que o Papa, atrevo-me a dizer quão descansadas podem estar as autoridades de Mação no tocante à assumpção de responsabilidades, as chamas irromperam tempestuosas em virtude de um vento assassino, traiçoeiro, cujo capricho maior foi o de em estilo guerrilheiro – fogo e fuga – surgindo metros depois a cercar casas, pessoas e animais.
Ao longo dos anos o Município de Mação gastou esforços e dinheiro de maneira a os seus habitantes poderem dormir sossegados, mas não, voltaram a ser causticados violentamente, em vez do sossego colherem sangue, suor e lágrimas. Apetece perguntar: que fazer mais? Uma popular desanimada a reprimir raivas respondeu: aqui estava tudo limpo, tudo ordenado e nada escapa!
Vejo nas televisões a face de Vasco Estrela, o presidente da Câmara, é a imagem do desalento, porém também demonstra vigor e determinação na prioritária defesa dos seus concidadãos evitando a lamúria do coitadinho. Apesar do evidente desgosto, mostra fibra de serenidade nos momentos de aflição.
O concelho tem de reviver e reverdecer, tal como aconteceu no antecedente, liberto das cinzas e da negritude, secas as lágrimas, aos seus habitantes só resta voltarem a empenharem-se na reflorestação, a repararem os estragos, a reclamarem apoios para o conseguirem. Não pedem nenhum favor, só pedem a completa responsabilização por parte do Estado do seu dever de solidariedade para com as vítimas da sarça selvagem enfunada pelo vento agreste dos dias malditos.
Auxiliar os prejudicados pela calamidade não é desbaratar dinheiro como o foi privatizando empresas lucrativas ao exemplo da Cimpor, EDP e CTT, cujos autores aos costumes preferem ficar calados. Mudos! Já não agem da mesma maneira na pugna política. Não é assim Senhora Cristas?

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