O desprezado Mercado Municipal

em Opinião

Projeto de Cassiano Branco, datado de 1930, aplicando a tecnologia do ferro, o Mercado Municipal de Santarém ostenta um conjunto de 66 notáveis painéis de azulejo da extinta Fábrica Sacavém. Nestes quadros revisita-se a monumentalidade e etnografia local, no que concerne aos usos e aos costumes da época. Polo do comércio local durante décadas perdeu fulgor comercial, no que muito contribuiu a instalação das grandes superfícies, mas também as mudanças que à sociedade dizem respeito: hábitos de compra, preferências e necessidades dos consumidores. Ora, o estado de desleixo e degradação do Mercado é bem a prova da inércia do município. Há em Portugal três centenas de Mercados Municipais, cuja importância no sector do comércio a retalho tem sofrido oscilações, daí o interesse que deve ser dado a este equipamento camarário. Entregá-lo à iniciativa privada afigura-se um desastre, igual ou maior ao que se fez com os proventos do estacionamento na cidade, cuja receita vai integral para um operador estranho aos interesses da população. Então, há que tomar decisões e criar um Mercado revigorado e útil, tendo em conta as muitas ideias surgidas noutros locais do país, onde se retomaram as potencialidades proporcionais ao enquadramento que estes espaços contemplam no tecido citadino. Citando apenas alguns: Lisboa, Loulé, Setúbal e Tavira, são prova de um investimento que em seu devido tempo trouxe incremento ao negócio, deu vida ao espaço urbano, fomentou o turismo e revitalizou a economia local. Ora, o estado atual do nosso Mercado, desprezado por quem compete cuidar dele, o Município, longe de servir os minguados mas esforçados comerciantes, afasta os clientes. E até à noite, em que a iluminação oferece um outro vislumbre aos monumentos, nem um jorro de luz enaltece a beleza das suas formas. Por fim, não descurando o que de usos e tradições arrastam os Mercados Municipais, há que pensar mais à frente, trabalhando ideias e concretizando ações, que tenham em vista uma estratégia com modernidade e futuro.

Arnaldo Vasques

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