Santarém – Carvalho da Silva falou aos professores de “sonhos que não se extinguem”

em Ensino

Carvalho da Silva veio a Santarém na passada terça-feira. O pretexto foi a inauguração de uma exposição da iniciativa dos professores e educadores aposentados do SPGL. Os trabalhos expostos com a designação: “ Memórias- os sonhos continuam, os direitos não se extinguem” vão estar patentes na Delegação do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa até dia 21 deste mês de junho, e podem ser vistos durante o horário de funcionamento da Delegação.
Manuel Carvalho da Silva, conhecido sindicalista e, actualmente Professor do ensino superior e coordenador de investigação do CES, em Lisboa, falou para uma plateia de professores, na sua maioria já aposentados. Em conexão com tema da exposição, relembrou os sonhos em que nossos pais e educadores emolduravam o futuro de filhos e educandos. Carvalho da Silva percorreu o olhar inquieto dos professores, tentando mostrar-lhes, com conteúdo rico, mas em roupagem simples, quase coloquial, como tudo mudou, entretanto, e tão vertiginosamente: antes, vivendo em chão de terra batida, o sonho de nossas mães realizou-se, adquirindo, mais tarde, casa “limpa”, mas acorrentada ao crédito bancário; do emprego certo e seguro, caiu-se no beco da rotatividade e do trabalho precário, com salário que ainda o é mais e ameaçado pelo machado das tecnologias, apontado ao dia-a-dia da esperança frustrada! É que as tensões geradas devido a comportamentos que insistem em minimizar o valor do trabalho enquanto actividade humana e enquanto direito universal, desprestigiando e denegrindo as profissões, corroem e frustram a vida e a felicidade da pessoa. E alertou para a importância de não nos deixarmos apanhar pela rede da “inevitabilidade e da concorrência”, lançada, com intuitos de pânico, para domínio sobre os trabalhadores, explicando que grande parte do desemprego tem mais a ver com as opções políticas, responsáveis pela má e injusta distribuição da riqueza, do que com as modernas tecnologias.
Carvalho da Silva não se despediu dos professores, aposentados e no activo, sem os incentivar a lutarem por uma escola centrada na transmissão de valores, no despertar da consciência da cidadania, de uma escola capaz de preparar o aluno com competências que o ajudem a singrar no mundo do trabalho. A lutarem, sem desfalecimento, pela recuperação do estatuto social da profissão, a combaterem a inutilidade do trabalho burocrático, a criarem outros novos conceitos de trabalho na escola, dedicando-se a isso com afinco, mais do que desperdiçarem energias a desejarem a reforma.

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