Euforia

em Opinião

Portugal está em euforia; porém, os meus últimos dias têm sido bastante atribulados. Passo horas fastidiosas a receber telefonemas e a responder a mensagens de felicitação pela vitória no Festival da Eurovisão. Lá digo às pessoas que não fui eu que triunfei no certame musical; que, apesar do ar desgrenhado, já não arranjo a guedelha em carrapicho; e que também sou Salvador, mas Fernandes! Não sou Sobral! Respondem-me que leram ou ouviram que alguém de nome redentor havia arrebatado os corações europeus com a sua fina e melodiosa voz. Em reacção, lembraram-se, imediatamente, de mim. Compreendo que me tenham na conta de um adubador de arroubos em vida alheia; contudo, inquiro sempre por que motivo pensaram que eu saberia cantar. Entre encolheres de ombros e expressões vagas de incerteza, reconhecem o erro. Aliás, o Distrito de Santarém não é terra virgem neste tipo de equívocos melindrosos. Acometido por similar troca de identidades, figura relevante da política regional sentiu o mesmo dissabor depois de um célebre congresso partidário… Vertido o desabafo, aproveito o espaço para gratular Salvador Sobral por um desempenho histórico que, cum grano salis, engrandece o sentimento de orgulho pátrio! E mantendo a nota alegre, para contrariar as angústias britadas que me ferem o espírito, posso afirmar que não sou um homem da treta, mas sim do Tetra! E tudo graças às façanhas bem-aventuradas do Glorioso Benfica! Mudando, agora, de toada: o estranho caso do brasileiro e do GNR na Repartição de Finanças. Soa a início de anedota, não é? Ora, que não subsistam dúvidas de que o efectivo da força de segurança pública actuou de modo excessivo e ilegal (procurem a opinião da Prof. Inês Ferreira Leite); fico, todavia, espantado por um número assinalável de cidadãos acreditar que os agentes da autoridade não estão submetidos à lei e ao cumprir de procedimentos, desde que haja uma qualquer frágil aparência de justificação. Defendo o ensino, nas escolas, da Constituição da República e dos direitos e deveres inerentes à interacção com a polícia e com instituições semelhantes. Com isto, reforça-se a convicção!

João Salvador Fernandes

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