Futebol de poder e violência

em Opinião

Um jogo é um confronto, e o seu resultado uma incógnita. Quando os contendores, de ambas as partes, se “degladiam” sem as regras de civilidade e se comportam como o faziam as hordas selvagens, surge a violência a que assistimos. O futebol, fenómeno recente na história da humanidade, é só mais um dos muitos despiques que coloca adeptos de um grupo contra adeptos de outro grupo. Ressalta, porém, que este fenómeno de massas é um negócio fantástico, com verbas avultadíssimas e uma cadeia de influentes envolvidos, da alta finança à política, tantas vezes sustentada em sinuosos jogos de poder. Ouvir comentadores, muitos dos quais “nunca viram uma bola do tamanho de um comboio”, bem pagos para “analisarem” os factos futebolísticos, é outro espetáculo degradante ao ouvinte e ao telespectador. Deputados, músicos, cozinheiros, empresários, eu sei lá quem mais, atordoam-nos num despique direto, sempre “em prol do desporto rei”, espicaçando-se, como o fazem uma qualquer claque, numa qualquer remota aldeia do país, em apoio da sua equipa. Somos o país na Europa com mais diários desportivos, onde o futebol é tema quási exclusivo. As outras modalidades são as “pobres”, que não reproduzem nem poder nem dinheiro! Em a “Tribo do Futebol” (Desmond Morris, biólogo e etólogo) procura contextualizar o fenómeno; os jogadores, os capitães de equipa, os dirigentes futebolísticos, os apoiantes e admiradores, as claques e o próprio jogo são vistos e descritos como se fizessem parte de uma tribo visitada pela primeira vez por um explorador. Os rituais, as cerimónias, as superstições e crenças são tão interessantes como as de uma qualquer cultura remota. Também, como em cultura de poder, desenvolvem-se “Laços Fracos e Laços Fortes” (Mark Granovetter, sociólogo), que não são mais do que estabelecimento de relações próximas ou afastadas com outros agentes com as mesmas crenças, costumes, visões e valores, projetando-nos a outras realidades e oportunidades. Será o futebol um Estado dentro do próprio Estado, tal como o eram os Senhores Feudais na Idade Média!?…

Arnaldo Vasques

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