Os Missionários e a Guerra do Ultramar

em Opinião

Alguns Missionários editam amiúde livros de massacres, em Moçambique, durante a Guerra do Ultramar, acusando a tropa portuguesa. Acreditamos que tais relatos apontam e refletem comportamentos, numa época tão conturbada. Conheci estes Missionários e algumas Missões onde catequizavam: Boroma e Mecumbura, em Tete, e Massangulo, no Niassa. Que me recorde, nunca abriram a porta à tropa para uma “sede de água”! Mas sabíamos do apoio dado aos guerrilheiros da FRELIMO. Também nunca deles li qualquer relato sobre as atrocidades cometidas por essa mesma FRELIMO. Que entrava de noite nas aldeias, roubando o gado e os víveres, e levando à força jovens para combaterem a “tropa colonialista”. Tão pouco dos julgamentos sumários e execuções, cometidos sobre os seus próprios combatentes, discordantes das diretrizes ou tidos como traidores. Nem nunca li uma palavra, até hoje, desses mesmos missionários, do ataque à minha Companhia 2759 (29.fevº.1972), no Daque, em Tete, onde mataram mais de trinta inocentes aldeões, mulheres e crianças incluídas, pelo simples facto do aldeamento estar circunscrito ao nosso aquartelamento. Noite terrível em que na parada jaziam mais de trinta corpos, entre militares meus companheiros e aldeões com quem convivíamos! Conheci pessoalmente os padres Alfonso Valverde e Martin Hernández, os espanhóis missionários “Padres de Burgos”, da Missão de Mecumbura, autores de denúncias daqueles tempos de guerra. Do padre Martin guardo um episódio. Encontrámo-nos na “picada”, ele de mota e eu com o meu pelotão, em patrulha apeada. Vinha do António, uma aldeia distante, local onde uma mina incendiária, dias antes, nos matara quatro soldados e ferira gravemente mais dezasseis. À pergunta, se não vira ninguém da FRELIMO, respondeu-me: “Não, não vi”. Arrumei o assunto: “Padre Martin, que não mais o encontre na “picada”… Chegado ao quartel soube que se queixara ao capitão. Mas na “picada” é que nunca mais o vi!…

Arnaldo Vasques

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