Da Cidade Esquecida – O maior embuste do século

em Opinião

Na fresca Torres Novas juntaram-se, há cerca de um século, três padres, batina, coroa, e ar de quem partilha das regiões siderais. Sentados no adro, o mais alto interrogou um dos outros: “Então como vai por lá a paróquia?”. “Mal, a terra é pobre e a gente ainda mais” – informou o interrogado. “Queres um remédio p´ra isso, e p´ra ti? Faz aparecer lá uma santa, e não ponho mais na carta”. Foi isto no ano quinto da República e quarto da Lei Laica, ou da Separação entre Estado e Religiões (1911). Aquele padre que teve a ideia da “santa aparecida” tinha saído da cadeia de Santarém havia poucos meses, e chamava-se Benevenuto de Sousa. Os outros eram o pároco de Fátima, Manuel Ferreira; e o prior de Seiça (Ourém), Abel Ventura. Deste encontro nasceu o maior embuste do século, na opinião do chefe de gabinete do Presidente Teófilo Braga; que o ouviu do Dr. Luís Cebola, especialista em doenças mentais, director da Casa de Saúde do Telhal; que o soube do padre Fernando Silva, capelão militar; e que eu agora lhe revelo a si, leitor pio, que ainda se rala com embustes e burlas, diocesanas ou civis, e nada adianta ralar-se. O padre Benevenuto estivera preso por denúncia dos moradores de Outeiro Grande (Torres Novas), por roubos feitos no santuário, dedicado aos “milagres de Lourdes”, que ali erguera em 1910. Dois anos volvidos sobre aquele encontro, a 13 de maio de 1917, acontecia a primeira visão do dito “milagre de Fátima”. O administrador do concelho de Ourém, Artur de Oliveira Santos, a pedido do governo redigiu em Outubro de 1924, extenso relatório onde esclarece que “Lúcia é, na opinião de muitas pessoas, uma doente mental”, e que nem a maioria do povo de Aljustrel nem o pai, por alcunha o Abóbora, e o “homem mais ébrio da freguesia”, acreditavam nela. Conta ainda como Lúcia havia anunciado que a Virgem lhe dissera que iria revelar um “grande segredo”, na aparição de Outubro de 1917. Essa revelação, depois anunciada por Lúcia era, ipsis verbis, que “A guerra (1914-18) terminou. Os soldados vêm já a caminho de casa”. Era mentira. A guerra só acabaria daí quase a um ano. Provada a fraude, juntou-se grande multidão, no Centro Republicano de Ourém, contra a “mistificação de Fátima” e os padres reaccionários e anti-republicanos. Diga-se no entanto que aquele Patriarca de Lisboa que lançara o “Apelo de Santarém” contra a Lei Laica (1913), quando se finou em 1929, honra lhe seja, nunca tinha posto os pés em Fátima. Quem lá os pôs, aos quatro, e foi o arauto-mor do maior embuste do século, seria outra seráfica figura da cidade do excelente Frei Luís de Sousa, (cuja evocação miserabilista em estátua está lá a desfazer-se). “Milagre, só o de Fátima”, anunciou agora o grande beato, e presidente de um Estado laico, Marcelo Rebelo de Sousa. Pois aí o tem. Depois de um breve intervalo revelarei, em exclusivo através deste jornal, aos agnósticos, cépticos cristãos, e restantes religiões do mundo, a verdade de tão sensata afirmação, e direi quem foi o tal arauto-mor dessa cidade esquecida.

Mário Rui Silvestre

1 Comment

  1. O maior embuste e’ este ateu / agnostico anarco – sindicalista vir para aqui denegrir quem nao segue o seu trilho. JEOVA’ DEUS o inimigo figadal. Um egolatra ( I, ME, MYSELF ) que acredita que e’ dono asoluto da verdade. Vide os seus complexos de superioridade que na realidade nao o sao. Antes pelo contrario. Ja’ passou por muitas tendencias politicas assim como profissoes. Devido ao comportamento nefelibata nao tem um ( real ) amigo na sua freguesia rural. Isto diz bem a qualidade deste artista ‘a procura de emprego. Mais um controlado pelas forcas ocultas do mal. VADE RETRO, SATANA. Rudi B. – Fi

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