Santarém – Novo vinho da Adega do Cartaxo brilhou Ó Balcão do chefe Castelo

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“Desalmado 2012” é a mais recente referência de vinho topo de gama da Adega do Cartaxo, com uma produção limitada de 3.883 garrafas. Isto, antes deste delicioso jantar, claro, agora serão umas quantas a menos, para prazer dos gastrónomos, enófilos, jornalistas e convidados que marcaram presença nesta apresentação, no Restaurante Taberna Ó Balcão, em Santarém, num casamento feliz com as iguarias do Chefe Rodrigo Castelo.
“O Desalmado nasceu da necessidade da Adega ter um vinho topo de gama –era o Bridão Reserva mas já cumpriu a sua missão – e chegou a hora de termos um novo vinho de qualidade”, disse o diretor executivo da Adega Fausto Silva.
Se o jantar resultou na perfeição no dueto entre as iguarias do chefe Rodrigo Castelo e os vinhos de excelência da Adega, a companhia foi igualmente importante, pois pudemos escutar o enólogo da Adega, Pedro Gil, que nos contou o trabalho de anos que levou a apurar este vinho.
O Desalmado, agora apresentado, é da colheita de 2012. Resultante da conjugação das castas Touriga Nacional (62%), Cabernet Sauvignon, Tinta Roriz, Alicante Bouschet, Merlot e Castelão, beneficiou de um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês grão extra-fino e um posterior estágio em garrafa durante 24 meses. Foram três anos de apurado trabalho do enólogo Pedro Gil e da equipa da Adega do Cartaxo.
O resultado é um vinho “profundo, intenso e exuberante”, não se notando na prova os 15,5º que fazem deste “Desalmado” um vinho com “muita alma e um verdadeiro desafio aos nossos sentidos”. E também para a carteira, a 23 euros a garrafa.
No jantar de apresentação do novo vinho, coube ao enólogo Pedro Gil e ao chefe Rodrigo Castelo comentarem os diversos pratos, cada um harmonizado com um vinho da Adega.
Depois de uma refrescante taça de vinho frisante branco Plexus, uma deliciosa “sopa de peixe do rio com ovas de barbo”, acompanhada pelo Bridão reserva branco 2015. Um branco “exuberante de sabores” que se revelou excelente companhia também para uma “Mãozada de Bacalhau”, inovação do chefe Castelo em que o grão e o molho usado na tradicional mão-de-vaca fazem companhia ao bacalhau cozinhado a baixa temperatura, a lascar, acompanhado por uns saramagos cozidos, legumes parecidos com os grelos, mas de sabor mais acentuado e herbáceo que o chefe Rodrigo nos disse ter colhido junto à aldeia Avieira das Caneiras, onde se terá ido inspirar também para a sua aromática e cremosa sopa de peixe.
Seguiu-se a entrada em cena do Desalmado, para saborear com “Cornos e tentáculos”, nova criação do Chefe Rodrigo. Para a harmonização com este vinho, o chefe criou um prato de aroma e sabor intensos, combinando a carne de toiro bravo e as lulas recheadas com os tentáculos, cozinhadas a baixa temperatura, com umas batatinhas doces às rodelas e uma salada em que as lulas também entram.
Para terminar, o chefe Rodrigo criou uma sobremesa em que, novamente, conjuga com mestria as receitas tradicionais com a cozinha contemporânea. O vinho “Bridão Colheita tardia 2016” foi o escolhido para a harmonização com “Tudo é limão”, uma sobremesa em que o gelado de limão emparelha com um arrepiado de Almoster, polvilhado com umas raspas de queijo de cabra.
No final, aos elogios pelo repasto, juntou-se a palavra de incentivo do presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro, que sublinhou o trajeto da Adega Cooperativa do Cartaxo, com coragem e ousadia, que permitiu transformar uma adega cooperativa numa sociedade anónima no modelo de decisão, sabendo envolver os associados nos objetivos e metas a alcançar. Hoje, são os nossos maiores embaixadores”, afirma o autarca.
O presidente da direção da Adega, Jorge Antunes, recorda que há 14 anos quando tomou posse, fizeram-lhe notar “três coisas depreciativas logo no nome – Adega Cooperativa do Cartaxo, era adega, para mais cooperativa e ainda por cima do Cartaxo”. Hoje, porém, a Adega Cooperativa do Cartaxo soma prémios e o mais recente é o galardão PME Excelência conferido pelo IAPMEI. “Degrau a degrau, temos vindo a combater esses preconceitos, e a provar com a qualidade dos nossos vinhos hoje reconhecida pelos consumidores, pelos distribuidores e os nossos associados”, afirma Jorge Antunes.
Com um investimento contínuo nos seus recursos humanos e tecnológicos ao serviço da produção vitivinícola, a Adega do Cartaxo cobre uma área de 700 hectares de vinhas e produz anualmente cerca de 7 milhões de litros. Os vinhos tintos representam cerca de 70% desta produção, fazendo parte de uma vasta e diversificada gama de vinhos engarrafados. A diversidade do território – dos microclimas e das castas, entre o campo e a charneca – é uma riqueza que ainda tem muito para dar e que permite criar vinhos como este Desalmado”, afirma o enólogo Pedro Gil Franco.

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