Ambientalista viu carro abalroado quando filmava poluição no Almonda

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O ambientalista Arlindo Consolado Marques queixa-se de ter sido agredido e do seu veículo ter sido abalroado e danificado por pessoas com ligação à fábrica de reciclagem e valorização de óleos existente na zona da estrada da Sapeira, entre a Meia Via e Torres Novas. Arlindo Marques tinha a sua viatura estacionada junto à berma da estrada, onde estava a captar imagens em vídeo de uma presumível descarga poluente na Ribeira da Boa Água, um afluente do Rio Almonda, quando diz ter sido interpelado de modo agressivo e empurrado por um indivíduo que saiu de um jipe.
Diz o ambientalista que entretanto, já numa troca palavras mais calma, viu “uma carrinha parar bruscamente”, e “em marcha-atrás abalroou a parte da frente do meu carro ao ponto de este quase cair para a ribeira”. Dentro do carro, relata Arlindo Marques, “estava o meu filho de 10 anos, que apanhou um susto e começou a chorar”.
A polícia confirma o sucedido, mas apenas como um mero acidente de viação, uma vez que não recebeu quaisquer queixas de agressões. Arlindo Marques adiantou, entretanto, que vai avançar com uma queixa no Ministério Público contra os dois homens, pai e filho, ambos ligados à empresa de tratamento de resíduos e valorização de óleos vegetais que tem sido mencionada por ambientalistas como fonte poluidora do rio Almonda e que já viu em tempos a sua atividade suspensa, tendo sido alvo de autos por parte da Agência Portuguesa do Ambiente, Inspeção Geral do Ambiente e CCDR para regularizar a sua emissão de efluentes. Contudo, no site da empresa, esta afirma “que as acusações feitas à Fabrióleo eram falsas, as sanções foram levantadas, pela APA, e a Fabrióleo possui desde 16 de dezembro [2015], a licença de descarga no meio hídrico”.

A Ribeira da Boa A?gua e? um afluente do rio Almonda que tem sido fustigado por descargas poluentes relatadas por autarcas e por ambientalistas, e confirmadas por análises realizadas pelas entidades fiscalizadoras. A ribeira passa na zona do Torreshopping e é frequente apresentar uma água escura e um mau cheiro permanente.

Arlindo Marques é um conhecido ativista e ambientalista e presidente demissionário do Movimento SOS Tejo, que tem denunciado a poluição no rio Tejo e seus afluentes.

Num comunicado entretanto enviado à Agência Lusa, a advogada dos responsáveis da empresa, Ana Rita Duarte Campos, diz não ser verdade que Arlindo Marques tenha sido agredido por algum dos seus constituintes. “Não é igualmente verdade que o seu carro tenha sido abalroado intencionalmente”, adianta o comunicado.

A advogada confirma a existência de um acidente que envolveu Pedro Gameiro da Silva (gerente da empresa) e a viatura de Arlindo Marques na estrada que liga a Meia Via a Torres Novas. Diz mais, que o seu constituinte se deslocou ao local após ter sido chamado pelo pai, António Gameiro da Silva (administrador e proprietário da empresa) que estava junto do ambientalista, de quem diz ter recebido ameaças. No comunicado escrito pela advogada, é ainda referido que os António e Pedro Gameiro da Silva vão apresentar participação criminal contra Arlindo Marques.

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