Morreu Luís Eugénio Ferreira

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Luís Eugénio Ferreira faleceu hoje, dia 20, em sua casa, aos 88 anos de idade. Faltou-lhe o coração, num estado físico já algo debilitado, mas senhor até ao fim de uma lucidez invulgar. O seu corpo repousa já na Capela Mortuária de Santarém, junto às Portas do Sol, onde decorre o velório e de onde sairá amanhã, quinta-feira, pelas 12 horas, para a cerimónia fúnebre de cremação.

Há apenas uma semana, foi notícia de capa na edição impressa do jornal O ribatejo, a notícia da festa de homenagem que amigos e antigos alunos resolveram em oportuna hora render-lhe. Agora, quando soubemos da sua morte súbita – o coração frágil não aguentou –, já a edição semanal do jornal estava fechada e pronta para a rotativa. Pelo não damos ainda nota da sua morte na edição que chegará aos leitores esta quinta-feira, no mesmo dia em que ocorrerão as cerimónias do seu funeral.

À sua esposa, companheira sempre presente, e restante família, endereça toda a equipa do jornal O Ribatejo um sentido voto de pesar nesta hora triste e difícil.

Amigo e colaborador de longa data de O Ribatejo, Luís Eugénio Ferreira é desses raros cidadãos de excelência a que Santarém muito deve, e cujo reconhecimento tem tardado pela excessiva reserva e discrição social com que habitou a vida. Aqui fica uma nota breve do seu incontornável currículo:

Chegou a Santarém nos anos cinquenta e aqui constituiu família. Naturalizou-se escalabitano pela ordem dos afectos. Em 1951, a convite de Mário de Castro, integrou o corpo de professores do Ateneu Comercial de Santarém, até à inauguração da Escola Comercial e Industrial de Santarém, a cujo corpo docente pertenceu. Foi também professor no Colégio de Santa Margarida, e assumiu o cargo de professor agregado da Alliance Française, tendo conseguido uma bolsa do Governo Francês para um estágio de pedagogia em Paris, sob direção da Sorbonne. Trouxe a Santarém os primeiros prémios do Conservatório de Paris, realizando as sessões no Teatro Rosa Damasceno. Foi também colaborador do Cineclube de Santarém, onde comentou vários filmes, e depois do 25 de Abril de 1974 foi Diretor do FAOJ. Mas antes já o MFA – Movimento das Forças Armadas, o empossara na Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Santarém, onde teve desempenho cultural d relevo na organização dos velhos documentos históricos, até então empilhados no sótão, e nas diligências para a recuperação do Palácio Braamcamp Freire, onde chovia sobre os quadros de Josefa de Óbidos. Em 1985 passou profissionalmente a Técnico Especialista de Formação dos CTT, tendo sido colocado no Centro de Formação de Coimbra, onde sentiu saudades da sua “civis mater” até à sua aposentação. Continua a escrever no Jornal O Ribatejo, onde já publicou mais de uma centena de crónicas. Mas a actividade literária estende-se também pelos livros que publicou. “Sombra do Mundo”, editado em 1952 é o seu primeiro livro, romance de feição neorrealista. Seguiu-se depois a publicação de “História da Literatura Americana”, “Walt Whitman”, “As Greves de 1917”, e outras edições. Em 2006, escreve “Um certo Olhar pela Filatelia”, onde reflete trinta anos de atividade filatélica. Escreveu ainda “Memórias da Cidade”, que fixa um pouco a história e personagens de Santarém, o “Ensaio Antropológico sobre Amiais de Baixo”, e, mais recentemente, “Plano B do 25 de Abril”, uma ficção sobre a ocupação militar da cidade. Espirito vivo, detentor de uma escrita rica onde a ironia desponta com naturalidade, foi ainda colaborador em diversas publicações.

3 Comments

  1. ………………………………… Ha’ homens que lutam um dia e sao bons. Ha’ outros que lutam um ano e sao melhores. Ha’ aqueles que lutam muitos anos e sao muito bons. Mas ha’ os que lutam toda a vida. Esses sao os imprescindiveis. ( Bertold Brecht ) … RIP Luis Eugenio Ferreira … RUDI B. – FI

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