A falta de médicos no Centro de Saúde de Rio Maior foi o tema de uma audição realizada na Assembleia da República, no passado dia 4 de Julho, pela Comissão Parlamentar de Saúde na sequência de uma petição do Movimento Projeto de Cidadania.
Participou o deputado André Figueiredo (PS), relator da petição, e as deputadas Helena Pinto (BE) e Margarida Neto (CDS/PP). O Movimento Projeto de Cidadania fez-se representar por uma delegação de jovens: Joana Leonardo, 1ª subscritora da petição, Bruna Vicente, Daniel Carvalho e Rodrigo Gonçalves.
Na petição, entregue ao parlamento no dia 17 de Junho, o movimento alertou para o facto de haver sete mil pessoas sem médico de família no concelho de Rio Maior. O Centro de Saúde local está dividido em duas estruturas diferentes: a Unidade de Saúde Familiar Salinas, dotada de seis médicos do quadro; e a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), com um maior número de utentes mas com apenas 3 médicos no quadro.
Na audição, o Projeto de Cidadania acrescentou alguns testemunhos pessoais de problemas que considera serem gerados por esta situação, inclusivamente erros médicos. E apresentou dados mais recentes que traçam uma evolução negativa nos últimos dois anos:
Em Novembro de 2011 a UCSP de Rio Maior dispunha de 4 médicos e contratava mais 108 horas por semana de trabalho médico a uma empresa privada de prestação de serviços.
Dados de Junho de 2013 indicam que esta unidade dispõe agora de apenas 3 médicos e contrata apenas mais 76 horas semanais de prestação de serviços a uma empresa privada.
Segundo o Movimento Projeto de Cidadania, as 7 mil pessoas sem médico de família no concelho de Rio Maior estão “privadas de um acompanhamento médico efetivamente personalizado e continuado. Pois são sempre atendidas por profissionais diferentes. Não podem marcar consultas com antecedência, o que causa transtornos, nomeadamente a nível laboral. Porque quando precisam de uma consulta médica têm de se deslocar ao Centro de Saúde para ficar à espera de ter vez nas consultas de recurso, às quais frequentemente nem sequer conseguem aceder. Por outro lado, os utentes com médico de família chegam a estar largos meses à espera de consulta.”