O movimento Projeto de Cidadania considera que o espaço da antiga central hidroelétrica de Rio Maior constitui “uma mais valia que não pode continuar abandonada, desprezada e desperdiçada, como actualmente se encontra, segundo pôde constatar uma delegação deste movimento que visitou recentemente o local”.
“Está ali, bem perto do centro da cidade de Rio Maior, um espaço muito bonito, nomeadamente com a cascata e a ponte de pedra, que tem um grande potencial para ser aproveitado como espaço de lazer, e de fruição das margens e leito do rio Maior. Muitos riomaiorenses recordam-se com saudade de ali tomar banho, de ali pescar”, refere o documento enviado à Câmara.
O movimento sublinha que o sítio “tem também um valor cultural, histórico e arqueológico. Para além da relação com o rio que dá nome ao concelho, foi a partir dali que, em 1928, pela primeira vez a eletricidade chegou à cidade de Rio Maior”.
“Devidamente recuperado, com um parque de merendas e uma praia fluvial, poderá ser não apenas um fator de qualidade de vida para a população local mas também um ponto de atração turística”, refere a recomendação.
“É seguramente um ponto chave para o reencontro da cidade com o rio que este movimento considera ser um desígnio estratégico para Rio Maior. Ainda por cima, segundo informação de que dispomos, é propriedade do município”, salienta o movimento de cidadania.
A delegação do Movimento Projeto de Cidadania que visitou o local constatou que toda a área está infestada de silvas e canas. O edifício da antiga central hidroelétrica está sem telhado e o respectivo equipamento terá sido vendido como sucata na década de oitenta, pela Câmara. Mas de resto toda a infraestrutura parece estar razoavelmente intacta, desde a cascata artificial à ponte pedonal em pedra bem como o sistema de canais e comportas que desviavam e regulavam o fluxo de água.
O Movimento Projeto de Cidadania considera que “com relativamente pouco esforço económico, mas com visão e força de vontade, se poderá devolver este património aos riomaiorenses e aos visitantes de Rio Maior, a enquadrar numa reabilitação faseada da zona ribeirinha da cidade e do concelho”.
Este movimento recorda a propósito as linhas gerais apresentadas em 2008 pela Câmara Municipal para um projeto de “Limpeza, Qualificação Ambiental e Regeneração Urbana das margens do rio Maior na sua travessia pela Cidade”.
As operações então previstas passavam “pela melhoria do ambiente urbano, em especial, criação e qualificação de espaços verdes urbanos e valorização/recuperação da zona ribeirinha degradada”; pela “Reabilitação da antiga moagem e da central hidroeléctrica, criação de zonas de lazer e de fruição das margens e leito do rio Maior uma zona urbana da Cidade com integração, valorização e reabilitação das ruínas da Vila Romana, integrada na recuperação do Património Cultural, incluindo a refuncionalidade do Património edificado em desuso”.
Na altura previu-se que este projeto traria não apenas uma melhoria da qualidade de vida da população como poderia ter um “grande impacto em termos ambientais e reabilitação de antigas atividades numa vertente cultural, arqueológica e museológica”.
Não foram então mencionados outros pontos a potenciar em torno do rio Maior, como as Bocas; as pontes, açudes e moinhos de água; o Paul da Marmeleira; a estrada do antigo caminho de ferro.
O Movimento Projeto de Cidadania conclui que o reencontro da cidade e do concelho com o rio que lhe dá nome é um desígnio estratégico para Rio Maior. “Perante o atual contexto político e económico, a sua concretização terá certamente que ser faseada, devendo a revitalização da antiga central hidroelétrica ser considerada prioritária”, conclui a recomendação.

