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Rosário Breve – Valente resposta

Daniel Abrunheiro

Eu era esta semana para embirrar com o vereador António Valente, o qual, numa caricata e obtusa imitação da Rainha Santa, transformou os (muitos, desde Maio de 2010) euros devidos aos Bombeiros do concelho de Santarém em bilhetes para a bola, de onde só pude inferir que bola em vez de bolo só de tolo.

O problema é que o meu irmão Fernando me telefonou para me contar duas histórias verídicas passadas lá por arrabaldes da nossa Coimbra. Das duas, conto-vos uma. Atenção: é verdadeira até ao tutano.

Andava fulano, fora da época cinegética local, à caça do coelho. Não levava espingarda, só quatro cães. Empenhadamente andavam farejando os cinco, quando se lhes deparou a presença inquisitorial de dois fiscais da Venatória (que o povo diz “Abonatória”). E vão os fiscais: – Então anda-me aqui você aos coelhos fora de época? E vai o homenzinho: – Aos coelhos, eu? E os fiscais: – Pois, aos coelhos! Com os cães! E ele: – Quais cães!? (E os cães atrás dele a darem-darem ao rabo.)

– Os cães nem são meus!…

E os fiscais: – Não são seus? Olhe-os aí a andarem atrás de si!

E o inocêncio do homem então: – Vocemecês também andam atrás de mim e não são meus, pois não?

Agarrado ao telefone, chorei a rir em plena rua. Troquei abraços e saudades com o meu irmão Fernando, sentei-me na tasca da Rosa e pus-me a pensar, como não consta que algum ministro o faça. Tinha-se-me esvaído a embirração com o também inocêncio António Valente. Ou não?

Sim ou não?

Aproveitando a historieta, não posso alegorizá-lo como fiscal venatório. Como venal, posso. Como venial, também. Como banal, idem. Mas como “abonatório”, não. Ficar-me-ia mal metaforizar na sua/dele pessoa algum dos canitos do clandestino quarteto. Como coelho, também não: sobra-nos bem (mal) o de Massamá.

Resta-me ver na córnea chico-espertice do caçador furtivo a lerda insensatez do vereador a quem a matilha dos calotes (ou “cães”, no linguajar do povo) não pertence, embora muito lhe ladre às pernas.

De modo que sempre cacei o meu coelho, que, Valente de nome embora, me parece fraquito de acção e pensamento.

(Mas se ele me der um bilhete para o meu Benfica, esta crónica nem é minha, nem me faz, de contente, dar ao rabo.)

 

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