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Editorial – A vergonha do estádio municipal


E vão 26 anos a noticiar a região e o país, agora em plano inclinado. A esta distância, folhear os acontecimentos impressos nas páginas amarelecidas do jornal dá-nos uma perspectiva mais clara do caminho percorrido e da razoabilidade ou não das opções tomadas. O tempo tem a virtude da clarividência. O tempo ajuda, os que têm tempo, a ver os seus próprios desacertos. Por exemplo, faz agora precisamente 20 anos que a União desportiva de Santarém inaugurou o relvado do campo Chã das Padeiras, actual estádio municipal de Santarém. Foi a 15 de Novembro de 1991. Vinte anos decorridos, o estádio está uma lástima (um “batatal” pior que o da Bósnia) que não dignifica a cidade e devia fazer corar de vergonha a Câmara Municipal. Domingo passado foi interdito pela equipa de arbitragem à prática de futebol, e as duas equipas que visitaram os iniciados e os juvenis da UDS tiveram de regressar a Benavente e a Abrantes com os respectivos jogos adiados e o humor estragado. É no mínimo surpreendente que, tantos anos decorridos, o estádio municipal da capital de distrito ofereça estas deploráveis condições a quem nos visita, e aos clubes de futebol e de rugby que partilham o campo – estranho convívio, diga-se de passagem, que penaliza mais ainda as condições de degradação do campo. É neste contexto de manifesta falta de infraestruturas desportivas na cidade que, incompreensivelmente, a Câmara pagou e inaugurou há menos de dois meses um novo relvado sintético na Moçarria. Todos nós, cidadãos e clubes, compreendemos as dificuldades financeiras da autarquia – o que de certo modo poderia justificar o estado de abandono do estádio municipal –, mas o que já é mais difícil de entendermos é a opção tomada de instalar um relvado sintético numa aldeia com menos de mil habitantes quando o único relvado sintético existente na cidade está na Escola Superior Agrária e mal chega para as necessidades da Académica de Santarém, com perto de quatrocentos atletas na formação do futebol juvenil. A priorização de uma aldeia sobre a cidade não foi explicada por ninguém. Mas este capricho autárquico sai-nos caro a todos, porque convém lembrar que é pago com dinheiro do erário público. Nós que podemos viajar no tempo, através das páginas do jornal, ainda estamos bem recordados do milhão de euros que a Câmara derreteu há meia dúzia de anos na Quinta do Moucho e onde ainda habita uma lápide com o nome de “Complexo Desportivo Ladislau Botas”. O presidente Moita Flores selou-lhe o destino após mais de meio milhão gastos em terraplanagens e quase outro tanto de indemnização que teve de pagar ao empreiteiro. Meia dúzia de anos depois, temos uma empresa municipal de desporto, melhor gerida é certo, mas sem o essencial que são as infraestruras necessárias à prática desportiva numa cidade da dimensão de Santarém, e com um estádio municipal onde a excelentíssima vereação devia por os olhos… e já agora os pés, se as condições do campo e a equipa de arbitragem o permitirem.

Joaquim Duarte

 

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Publicado por on Nov 17 2011. Arquivado em Opiniões online, twitter. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

13 Comments for “Editorial – A vergonha do estádio municipal”

  1. Sr. Joaquim Duarte, para além de muito infeliz este seu artigo, e de ofensivo ás pessoas que muito toleraram e toleram, que muito trabalharam e trabalham em prol do desporto e da educação e formação de jovens, no caso na freguesia de Moçarria; estas suas palavras são descabidas e reveladoras de má informação (estranho tal facto, visto escrever numa publicação semanal, para a população regional ler, e quando digo população regional não me refiro só à que habita a zona envolvente ao estádio municipal da cidade onde também resido – Santarém). Parece-me importante também informar o sr. que o digno, honesto e trabalhador clube da Moçarria tem 8 equipas de futebol em competição, cerca de 120 jogadores, recebendo atletas a partir dos 5 anos, terminando numa equipa sénior, que a par do Amiense representa o nosso concelho no campeonato distrital, divisão principal. Para além de pagar as suas contas, assumir os seus compromissos, e respeitar todas as instituições com as quais se cruza. Sr. Joaquim Duarte, não foi decididamente feliz nesta sua opinião infundada. Obrigado pela atenção.
    Gonçalo Carvalho

  2. Boa noite.
    Por vezes a vontade de fazer valer o nosso ponto de vista é tão forte que nos alheia da realidade e nos afasta da verdade levando-nos a argumentações falaciosas, ocas e fora de contexto. Mas se isto é compreensível quando se trata de um mero cidadão, em banal conversa de café, o mesmo não se poderá dizer de um jornalista, muito menos sendo o director do próprio jornal onde publica as suas divagações.
    Deveria o Sr. Joaquim Duarte ter-se informado melhor sobre tudo o que diz a respeito do sintético colocado na Moçarria, nomeadamente sobre os seus custos e pagamentos, sobre a necessidade urgente da sua implementação, sobre a sua utilização intensiva e, acima de tudo, sobre como será possível um clube de 'uma aldeia com menos de mil habitantes', sem as vantagens e os apoios óbvios dos clubes de cidade, se estar a bater na primeira divisão distrital e ter vários escalões de formação nas camadas jovens além de múltiplas outras actividades… enfim.
    Esquece-se, o senhor director, de que Santarém não se resume à cidade, e que muitas vezes, quase sempre, quantidade não é sinónimo de qualidade.
    Evidentemente não vou cair no ridículo de questionar a necessidade de um novo sintético em Santarém, tal como o senhor não deveria ter tido a deselegância de o fazer relativamente ao da Moçarria.

  3. Quem fala sobre o que não sabe nem comentário merece… mas a indignação é tão grande que não me consigo calar…
    Não vou explicar o porquê da justiça da colocação do sintético na Moçarria porque isso já foi feito antes. Digo-lhe apenas que o meu filho, apesar de morar a 200 metros do estádio Chã das Padeiras, já jogou na Moçarria, nunca pagou um cêntimo e sempre foi bem tratado. Nunca faltou a sandes, nunca faltou o transporte e quando se aleijou teve todo o apoio do clube.
    Não foi a câmara que pagou o relvado, sr. Duarte. A Câmara deve milhares de euros ao clube (como a outros) que, mesmo assim, mantém, só no futebol, 8 equipas a jogar. Sabe o sr. que grupos informais de enfermeiros, professores, velhas guardas, entre outros, usam o campo da Moçarria para jogar? Sabe, sequer, onde fica a Moçarria?
    E, com a sua licença, faço-lhe uma última pergunta, não deveria o sr questionar o montante que, ao longo dos anos, foi doado pela autarquia ao clube que mais utilizou o estádio? para onde foi esse dinheiro? para a formação? ou para encher, permita-me a expressão, "velhas mulas" que pouco, ou nada deram à cidade.
    Como director de um jornal com a dimensão do Ribatejo, deveria o sr. ter mais cuidado nas suas opiniões… É que, como certamente saberá, uma história tem sempre dois lados (no mínimo).
    Dito isto, penso que o mínimo que pode fazer é pedir desculpa pela ignorância e injustiça do seu editorial. Fico a aguardar!

  4. Relativamente ao assunto em questão venho opinar o seguinte. O Campo sintético da Moçarria em boa hora construido foi uma das promessas, com vários anos, em que a autarquia,a Junta da Moçarria e o Moçarriense foram envolvidos. Santarém, não é só a cidade. Os miúdos daquela freguesia têm todo o direito, como os da cidade, de praticar futebol nas melhores condições. Quanto à falta de condições no Campo Chã as Padeiras é um assunto que já se arrasta há muitos anos. Sem mais infraestruturas para a prática de futebol na cidade dificilmente sairemos deste marasmo. O clube no qual presto serviço desde 1988, tem que treinar e jogar em Alpiarça, porque não existem condições em Santarém. Algo tem que ser feito. Contudo, penso que haverá num futuro próximo condições para alterar esta situação a bem dos jovens deste concelho.Esperemos que o tal projecto se concretize.
    Fernando Graça
    Director dos Caixeiros

  5. Bom dia _Senhor Joaquim Duarte, interrogo-me como é possível um respeitado jornalista como o senhor, ainda por mais ocupando a função de director de jornal, escreve um editorial do teor do que o senhor escreveu a propósito do mau estado do relvado no Campo Municipal Chã das Padeiras, eu falo em campo por efectivamente “Estádio” o senhor acha sinceramente que o referido campo tem condições para lhe chamarmos Estádio?_Mas isto enfim é apenas uma mera opinião minha, e não é por aí que eu acho que esteja a gravidade do seu editorial._Agora quando o senhor escreve e vou passar a citar, é neste contexto de manifesta falta de infra-estruturas desportivas na cidade que, incompreensivelmente, a Câmara pagou e inaugurou há menos de dois meses um novo relvado sintético na Moçarria._Todos nós, cidadãos e clubes, compreendemos as dificuldades financeiras da autarquia – o que de certo modo poderia justificar o estado de abandono do estádio municipal –, mas o que já é mais difícil de entendermos é a opção tomada de instalar um relvado sintético numa aldeia com menos de mil habitantes_A priorização de uma aldeia sobre a cidade não foi explicada por ninguém._Caro Director como é possível que o senhor escreva no seu editorial banalidades destas!_O senhor conhece o Moçarriense?_O senhor sabe que na Moçarria se joga Futebol á mais de 60 anos?_O senhor conhece o trabalho desenvolvido pelo clube nos últimos 20 anos?_O senhor sabe quantas equipes de Futebol tem o clube em actividade?_O senhor sabe quantos atletas tem o Moçarriense em actividade?_O senhor conhece o movimento diário dentro do clube?_O senhor sabe quantos habitantes tem de facto a Freguesia da Moçarria?_O senhor sabe que neste momento são o Moçarriense, e Amiense que representam o concelho de Santarém no mais alto escalão do Futebol Distrital._O senhor acha que para chamar a atenção para um facto que esta incorrecto, pois entendo que a União Desportiva de Santarém, tem todo o direito de ter de facto um relvado em boas condições para a pratica do futebol, o senhor faça comparações do teor que fez no seu editorial?_Caro Director muito mais avia para dizer, mas como acho que este comentário já vai longo, vou termina-lo com um convite._Senhor Director venha conhecer a realidade do Moçarriense, para isso pode se deslocar um dia qualquer de segunda a sexta entre as 18horas e as 22horas ao campo da Moçarria._Grato pela atenção_Manuel António Carvalho_Director Moçarriense_

  6. Venho, por este meio exercer a minha indignação em relação a este artigo, que eu pessoalmente considero ofensivo, pondo em causa todo o trabalho realizado por todos aqueles que contribuíram para a construção do novo relvado sintético da Freguesia da Moçarria. Coloco uma interrogação a V. Exa, conhece o clube ou a sua historia, sabe quantos atletas, quantos miúdos jogam no clube, desafio V. Exa, a sair da sua sala e deslocar-se ao campo falar com os pais destas crianças, até mesmo com o plantel sénior e com os seus dirigentes assim poderá ver como cometeu um grave “equívoco” neste seu Editorial. Considero lamentável este seu comentário.Remeto mais um esclarecimento para V. Exa, caso necessite ajuda para pesquisar quantos habitantes tem a freguesia da Moçarria, estarei ao seu dispor, remeto um link: http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Documentos/MAA…. Considerando que o presente artigo é “lesivo” para a Nossa Freguesia e para um clube com mais de 50 Anos, não podia de deixar de efetuar o presente reparo. Marcelo Morgado

  7. Sr. Joaquim Duarte o meu filho é atleta clube da Moçarria com muito orgulho, clube esse que muito tem feito para dar condições aos nossos jovens para praticarem desporto. Quando digo nossos jovens refiro me aos atletas do clube pois nem todos os atletas são da Moçarria que é por exemplo o caso do meu filho. Só tenho mais uma coisa a dizer-lhe pois ja foi quase tudo dito se o "estádio municipal é uma vergonha" provavelmente pode agradecer a propria direção e atletas do proprio clube que não tratam dele como deviam….. portanto vergonha devia ter o sr. de fazer uma publicação destas.

  8. Mas a União Desportiva de Santarém que nem por utilização do espaço paga, visto ser municipal, enquanto outros clubes do distrito de Santarém pagam para poder ter os seus atletas e para a formação de jovens, que ao longo de 20 anos com uma horrivel gestão desportiva "desperdiçou" todos os subsidios camarários (sabe-se lá em quê – em melhoramentos nao foi de certeza) merece mais que outros ter um campo em condições ?

  9. Porque não vão os dirigentes da UDS tratar do mau estado do terreno…Se bem me lembro na Moçarria enquanto pelado, as pessoas do clube tinham de se levantar de madrugada para marcação de campo, antes de uma partida em pleno inverno tinham de ir tapar as valas com as "próprias mãos". Será que outros não conseguem tratar do que teêm em casa ?? Após tantos anos de má gestão a União Desportiva de Santarém (Clube) merece que seja apoiado e que venham publicamente pedir "caridade". Porque o Sr. Joaquim Duarte não se lamentou com a desistência , no campeonato distrital da 1ª divisão, de um histórico do nosso desporto como o Ouriquense ? Porque não se lamenta que em Pernes que movimenta 300 atletas ainda ser pelado ?? Sr Joaquim Duarte faça um favor a todos, demita-se do cargo ! Isso não é jornalismo!! É amadorismo!!

  10. CCDR Mocarriense + – 120 atletas federados, UDS, AAS e GF EMPREGADOS NO COMERCIO +- 600 atletas federados. Vamos fazer contas de matematica. Se 120 jogadores federados e igual a 1 relvado sintetico, quantos sao necessarios para 600 jogadores federados ? Pelas minhas contas y = 5. A cidade de Santarem tem 1 na ERAS. Analisar com a cabeca em vez do coracao. O Sr. Moita Flores presidente da CMS prometeu no ano 2005 a construcao de 4 a 6 relvados sinteticos para o concelho. Em quase 8 anos de trabalho camarario 2 miseros relvados sinteticos !!! E o que diz a senhora realidade. RUDI

  11. Para quem percebe de matematica. Se 120 e igual a 1 ……. 600 e igual a ……. RUDI

  12. Acordei tarde com o editorial do director d ' O RIBATEJO ' sr. Joaquim Duarte. Assim como na entrada no FORUM. Ate os meus comentarios demoraram a ser publicados, o que me deixou um pouco enervado. Esqueci – me da filtragem. Mas tudo acabou em bem. Por aqui, mais uma vez a prova de que os portugueses : cada um na sua quinta. Defendem – na de todas analises, sejam elas positivas ou negativas. A relva do meu quintal e mais verde do que a tua. Eu mereco mais do que tu. Passam a vida a discutir estas e outras questoes, e o FUTURO PODE ESPERAR. Assim nao vamos la. A luta por melhores infraestruturas desportivas para a cidade e concelho de Santarem e de TODOS. O ano de 2011 deixou muito a desejar. Atencao sr. Moita Flores, CMS, as vossa promessas estao por realizar. Disse Belmiro de Azevedo : prometer e nao cumprir E PECADO. O trabalho nao se comeca quando o sol ja vai alto ! ACCAO, NAO PALAVRAS ! RUDI

  13. Os criticos do sr. Joaquim Duarte director d ' O RIBATEJO ' bateram … e fugiram. Neste forum aguardo as suas alternativas desportivas para a cidade e concelho de Santarem. O bota abaixo ainda continua para durar. Muito interessante seguir OS SINAIS DOS TEMPOS. RUDI

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