Sobre a união dos jardins do Cartaxo
Opiniões online Sexta-feira, Agosto 27th, 2010
1- Quanto o executivo camarário do Cartaxo de 1997-2001 propôs a união dos jardins, aprovei a intenção. Quem não desejaria um agradável centro citadino, fazendo da rua Batalhoz um grande centro comercial com soluções de lazer e estacionamento nas imediações?
2- No mandato camarário de 2002-2005, não deixei de equacionar o interesse do eventual projecto, mas entendi que as prioridades teriam de ser outras: a qualificação do parque escolar concelhio (que ainda tarda), um planeamento da cidade, conciliando o património edificado com projectos de qualidade, uma política de proximidade com a rede social concelhia enquanto fórum de participação de todos.
Discordo da centralidade do investimento face a outras necessidades concelhias. Do pouco que conheço do projecto, não creio que corresponda ao proposto em 97/2001. Não vejo a necessidade de mais bares e restaurantes, pois os empresários não precisam de mais concorrência e esta oferta não é vocação municipal.
3- As obras tiveram, contudo, a virtude de relembrar o nosso património histórico. Já antes das obras, um estudo académico de uma jovem do concelho tinha recolhido os elementos necessários para a reconstituição histórica do convento de S. Francisco, que existiu durante séculos no local onde nos habituámos a ver o jardim da cidade.
Em 1973 não tínhamos elementos nem condições para tornar uma contrariedade numa mais-valia, mas hoje temos! Espero que haja sensibilidade e coragem para reconciliar o Cartaxo com a sua história. Até admito que grande parte das descobertas não seja suficientemente valiosa para se garantir a sua total visibilidade.
Deixar os testemunhos do passado às jovens gerações, reformulando o projecto e integrando neste um centro de interpretação da história e do património concelhio, com o envolvimento de instituições académicas ou outras, bem como de particulares, parece-me fazer mais sentido do que fazer do município um investidor em espaços de restauração.
Os bons projectos (arquitectónicos ou outros) são os que têm a capacidade de se reavaliarem e transformar os impasses em mais-valias, privilegiando o bem comum.
Elvira Tristão
(Cartaxo)
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