Off-Sides
Opiniões online Segunda-feira, Agosto 30th, 2010Por: José Niza
NÃO BRINQUEM COM A SELECÇÃO – O inacreditável folhetim Carlos Queiroz é mais um exemplo da total incompetência e incapacidade dos madaíls e dos madailzinhos que por aí andam a atrapalhar o futebol português.
Portugal tem dos melhores jogadores do mundo, a jogar nos melhores clubes do mundo, e alguns dos melhores treinadores mundiais à frente das melhores equipas.
Com Scolari ainda vá que não vá: vice-campeão europeu e 4º no mundial de 2006. Mas, desde que a selecção foi entregue a Queiroz, tem sido um martírio. Num grupo com algumas das mais medíocres equipas da cena internacional, Portugal só conseguiu o apuramento para o Campeonato do Mundo no último minuto de um dramático “play-off”.
Não desconheço o mérito que Carlos Queiroz teve na dupla vitória dos mundiais dos sub-20, onde se revelaram Figo, Rui Costa, João Pinto e outros jovens. Mas isto não significa que um bom pediatra possa vir a ser um notável cirurgião cardíaco. É que o “princípio de Peter” de Queiroz esgotou-se nos sub-20. Daí para a frente, nunca mais fez nada.
Acontece que o facto de o seleccionador não prestar não justifica a sacanice requentada que lhe estão a fazer ao pretenderem despedi-lo por causa de um caso que não passa de um execrável pretexto.
Sejamos claros: o único pretexto real, credível e consistente para o despedimento do treinador é, tão simplesmente, o de que ele não presta.
QUEM SOPRA NOS APITOS – O jogo estava quase a acabar e o resultado era de zero a zero. Foi então que o árbitro inventou um penalty contra a equipa mais modesta. E o Porto ganhou.
E foi também nesse momento que eu descobri uma evidência: é muito mais barato comprar árbitros do que comprar jogadores.
Feitas as contas, qual é o melhor negócio? Um árbitro que inventa um golo no último minuto – e que custa apenas umas gajas ou meia dúzia de euros – ou um Ronaldo que custa dezenas de milhões e ainda por cima pode partir uma perna?
O caso “apito dourado” fez correr rios de tinta. Foram divulgadas e conhecidas escutas telefónicas mais do que comprometedoras, nomeou-se até uma juíza cinco estrelas para chefiar as investigações a dezenas de árbitros e dirigentes desportivos. E, quando se esperavam condenações exemplares, o que é que aconteceu? Nada. Rien. Zero.
Portanto – dizia eu – é mais barato e mais seguro comprar árbitros do que comprar jogadores. Por geniais que sejam os Ronaldos e os Messis, nada substitui a eficácia de uma arbitragem viciada.
A MENTIRA DESPORTIVA – A chamada “verdade desportiva” é exactamente o contrário das batotas e das fraudes a que diariamente assistimos nos campos de futebol.
Em futebol é muito difícil distinguir um erro humano de uma aldrabice. E é injusto e perigoso generalizar.
Foi por isso que, conhecendo as limitações da visão humana, houve gente que utilizando os “milagres” das tecnologias da imagem inventou sistemas e métodos para a correcção desses erros visuais.
Há pouco tempo, nos campeonatos europeus de atletismo, só o filme da chegada esclareceu que o nosso Obikwelo tinha, afinal, chegado em 4º lugar, o que o afastou do podium.
No ténis acontece o mesmo. Quem é que nunca viu Roger Federer ou Rafael Nadal pedirem ao árbitro para verem se a bola tinha batido na linha ou fora dela?
No último campeonato do mundo de futebol o golo que apurou a França foi metido com a mão. E quem é que não viu na África do Sul arbitragens escandalosamente contrárias à verdade do jogo?
Tudo isto seria evitável se a FIFA e a UEFA aceitassem o contributo tecnológico dos processos de fixação de imagem, como já acontece há muito noutras modalidades.
Mas não.
Porquê? – “Elementar, meu caro Watson”! Apenas, e só, por uma questão de poder. Isto é, de perda de poder. Está mais que visto que os senhores Blatter e Platini querem continuar, sem qualquer controlo, a escolher os árbitros em obediência aos seus objectivos e interesses. E seria muito incómodo que uma qualquer câmara de televisão viesse a deitar por terra a infaliblidade dos senhores juízes.
Era o que faltava!
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Bolas para o pinhal no estilo inconfundível do Dr. Niza.