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Freeport

Por: Armando Fernandes

É. Também eu integro o coro dos cantores de dúvidas, perplexidades, espantos e exclamações de pasmo perante a solução final do caso Freeport. Os procuradores que o investigaram no rescaldo sem ponta de entusiasmo deram a conhecer a falência de tempo de modo a fazerem perguntas a José Sócrates, deixando no ar uma corrente de ideias a motivaram uma amplitude dos sons do espantado coro. O Procurador-Geral obrigou-se a dar uma aberta prometendo um inquérito a avivar os cânticos, enquanto a Dra. Cândida Almeida deixa adivinhar a lógica de assunto arrumado e encerrado ao afirmar que não havia necessidade de ouvir o primeiro-ministro. A cruenta prova do nada provado excepto aos dois rapazes cândidos, veio ao de cima pela acção da imprensa sem queixumes ou mágoas, antes na perspectiva de em democracia não existirem vacas sagradas desobrigadas de darem respostas precisas logo rigorosas e irrefutáveis. Ora, a justiça ataviada a preceito sem esquecer a venda de banda larga, melhor dito rendada, tendo nos ouvidos a cera não utilizada por Ulisses, está no pelourinho sendo alvo de toda a sorte de comentários e críticas a começar pelas lançadas por juízes e membros do ministério público a trabalharem no seu seio. A justiça dos regimes democráticos foi dotada com propriedades suficientes a fim de poder resistir a tentações, os seus agentes são remunerados ao mais alto nível (ainda bem), são distinguidos em termos de protocolo e cousas afins. Apesar de assim ser a opinião pública entende mal ou pura e simplesmente nada entende do seu modo de actuar em grandes processos envolvendo gente famosa e competente na defesa ou justificação de actos controversos e pouco claros. Não adianta fazerem-se proclamações de fé, pouco ajuda à causa os ares ofendidos dos actores principais envolvidos em tais processos, os simples e prosaicos portugueses desconfiam e temem as emaranhadas doutrinas estendidas nos paus de secagem de roupa para serem lidas por todos. Os que sabem ler, está claro. No pináculo da dita estação maluca os rostos do poder judicial confiam na firme acção do calor e o apelo da praia de forma a levarem os indagadores curiosíssimos dos jornais desistir e o clamor do coro deixe de ter letras para entoar. Por todas as razões estou convicto que assim não vai acontecer, mas caso os coralistas emudeçam o velhaco e astucioso Aristófanes não deixará escapar a oportunidade de escrever uma espantosa comédia tendo como pano de fundo o finado (?) Freeport.

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Publicado por on Ago 11 2010. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

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