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Exposição solar como fonte de saúde

Por: Beja Santos

Toda e qualquer agressão à nossa pele, por mais pequena que seja, ficam sempre registadas e soma-se a todas as anteriores e posteriores. A pele é um órgão visível, privilegiado para a vida de relação, desvela ou trai emoções e sentimentos que podem, por exemplo, traduzir-se por uma palidez extrema ou por um rubor súbito. A pele participa na vida social efectiva, incluindo a sedução e a vida amorosa, é um verdadeiro interface entre o indivíduo e os outros, nela estão inscritas as cicatrizes indeléveis das feridas, das marcas do tempo e as transformações do corpo.

Dentro das estruturas que fazem parte da pele existem células que produzem uma substância escura, designada por melanina. Conforme a maior ou menor quantidade de melanina produzida, assim é o tom de pele que cada um de nós apresenta. Uma das funções da melanina consiste na protecção do organismo contra a penetração das radiações solares ultravioletas (prejudiciais pela sua alta energia).

Qualquer um de nós, quando se expõe à luz solar, vai necessariamente estimular a produção desta substância, o que lhe pode dar um ligeiro ou forte tom bronzeado.

A exposição desprotegida ao sol pode ainda, muito vulgarmente, causar a “pele de lagosta”, que corresponde a uma queimadura muito séria, porque a pele se expôs demasiado tempo sem ter havido uma necessária adequação para a produção de melanina.

Que conceitos a desfazer sobre a exposição e o protector solar

Para garantir a saúde da nossa pele há medidas preventivas que não devem ser descuradas: exposição solar moderada; desconfiar dos sinais que aumentam de tamanho ou sangram e consultar, sempre que surja uma suspeita, o dermatologista.

Há preconceitos quanto ao facto de toda a exposição solar ser fonte de saúde, o que não é inteiramente verdade: as crianças e os adultos têm necessidade de luz natural para sintetizar a vitamina D, mas basta um quarto de hora de luz no rosto. Demasiado sol na infância potencia o risco de cancro de pele na idade adulta.

Também sobre o protector solar há crenças sem fundamento. Por exemplo, quando se diz que ele é o melhor meio de protecção contra os ultravioletas. Se é verdade que o protector ajuda a prevenir queimaduras e agressões mais profundas da pele, o mais eficaz é evitar o sol nas horas mais escaldantes do dia e cobrir-se com vestuário apropriado.

É importante conhecer as diferentes radiações ultravioletas. A radiação ultravioleta A provoca um bronzeado rápido mas de curta duração enquanto que a radiação ultravioleta B provoca o espessamento da pele e garante um bronzeado mais lento mas mais duradouro. Assim, é também falso dizer-se que uma queimadura é dano temporário da pele, pois um escaldão pode ter consequências 20 ou 30 anos mais tarde e provocar um envelhecimento prematuro da pele ou até uma doença muito grave.

Protector solar: dar o seu a seu dono

A exposição solar desregrada tem sempre consequências para a saúde: torna a pele seca, pouco elástica enrugada e com aspecto envelhecido (o chamado fotoenvelhecimento). Está hoje bem documentada a relação entre a exposição solar cumulativa e o aumento crescente da incidência e cancro cutâneo.

Como devemos agir, o que podemos fazer para nos proteger do sol? Como a pele não se esquece da radiação a que foi sujeita, duas coisas são importantes: adoptar comportamentos na exposição, roupa adequada e outras precauções (como por exemplo ingerir água em abundância) e usar um protector solar. Como se disse, o protector só diminui os efeitos da radiação solar sobre a pele. Escolhe-se o protector de acordo com o tipo de pele e quando aplicado regularmente, a melanina é produzida de uma forma sustentada, permitindo a consolidação do bronzeado. Devemos estar atentos ao significado do factor de protecção solar. Trata-se do poder de filtragem das radiações ultravioletas que cada protector solar contém. Sem estes filtros, a nossa pele é rapidamente agredida em poucos minutos. Há quem pense que com o índice de protecção 20 pode estar 20 vezes mais tempo exposta. Nada de mais errado, a eficácia depende da correcta escolha do protector em função do tipo de pele. Os protectores solares ao inibirem a queimadura poderão dar uma sensação de falta de segurança e em caso algum devem ser usados para proporcionar exposições ao sol mais prolongadas.

A aplicação do produto 15 a 30 minutos antes da exposição e uma reaplicação precoce 15 a 30 minutos após o início da exposição solar é essencial. A aplicação deve fazer-se de forma generosa, incluindo os lábios, as orelhas, à volta dos olhos, couro cabeludo (nas pessoas calvas) pescoço, mãos e pés.

Recomendações para uma exposição solar tonificante

  1. Expor-se ao sol até as 11 horas e depois das 17 horas (neste intervalo, as radiações solares estão na vertical, são muito mais ricas em radiações ultravioletas A, que penetram mais profundamente na pele)
  2. Iniciar a exposição solar progressivamente, isto é, expor-se pouco tempo nos primeiros dias e ir aumentando a exposição diariamente
  3. Aplicar de 15 a 30 minutos antes da exposição solar um protector adequado ao seu tipo de pele e reaplicá-lo frequentemente durante o período de exposição, particularmente após o banho ou devido à transpiração abundante
  4. Usar chapéu, preferencialmente com abas, durante a exposição solar
  5. As crianças, e mesmo os adultos, beneficiam sempre do uso de uma t-shirt enxuta
  6. Ingerir água em abundância
  7. Os bebés só devem iniciar as épocas balneares após autorização do pediatra
  8. À chegada a casa, e após o banho, é recomenda a aplicação de uma loção adequada para, em certa medida, ajudar à reposição das propriedades cutâneas, nomeadamente a hidratação
  9. Nunca aplicar, antes da exposição solar, quaisquer perfumes, loções de banho, desodorizantes e produtos afins

10. No caso de estar a tomar medicamentos, convém esclarecer-se junto do seu médico ou farmacêutico sobre eventuais incompatibilidades com a exposição solar.

Os protectores solares e a informação do consumidor

Em toda a Europa está a vigorar um novo regime de rotulagem nas embalagens dos protectores solares, que no essencial prevê o seguinte:

- Declarações como “protecção total” ou “ecrã total” devem deixar de ser utilizadas, já que nenhum produto protege completamente contra a radiação ultravioleta;

- Devem ser utilizadas categorias normalizadas (como protecção “baixa”, “média”, “elevada”, e “muito elevada”) a par dos indicadores do factor de protecção solar habituais para facultar orientações relativamente ao protector solar adequado.

Estas normas estão em consonância com uma recomendação da Comissão Europeia relativa à eficácia e às propriedades reivindicadas dos protectores solares. Nela se diz que os consumidores devem ser informados sobre os riscos provenientes da exposição solar excessiva e, além disso, eles têm necessidade de orientações relativamente ao protector solar adequado, em termos de eficácia, tendo em conta o grau de exposição solar e o tipo de pele.

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Publicado por on Ago 9 2010. Arquivado em Blogue de Notas. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

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