Aumento de vagas e melhor gestão são prioridades no Politécnico de Santarém
Ensino Terça-feira, Agosto 17th, 2010Em entrevista ao Jornal O Ribatejo, o Presidente do Instituto Politécnico de Santarém, Jorge Justino, projecta como será o próximo ano lectivo em tempos de cortes orçamentais.
São conhecidos os cortes no orçamento global do Estado para as instituições públicas. O Instituto Politécnico também sofreu com estes cortes?
Apesar da autonomia do ensino superior e de alguns juristas e políticos concordarem que as restrições, em termos de cativação, não se aplicam às nossas instituições, o Conselho Superior do Ensino Superior Politécnico, numa atitude de solidariedade e de perspectiva de ultrapassar a crise, deu orientações para que as instituições politécnicas fizessem cativação em algumas rubricas de despesas e no PIDDAC. No nosso caso concreto, o montante do total das cativações (337200 euros) corresponde a 20% da cativação em despesas (97200 euros), mais 20% da cativação em PIDDAC (Escola Superior de Desporto de Rio Maior / 240 mil euros).
Que consequências vão ter esses eventuais cortes?
Uma das principais consequências é a concretização de todos os objectivos propostos no Contrato de Confiança. Este contrato tem em vista, fundamentalmente, aumentar o número de diplomados do Ensino Superior comparativamente aos padrões europeus. Também dá grande ênfase à formação ao longo da vida. Acontece que, apesar da autonomia do ensino superior, as perspectivas financeiras na altura da assinatura do contrato eram diferentes das actuais com restrições impostas. Ao nível do controlo de despesas, para além das de funcionamento, deve-se ter uma certa moderação nas novas contratações de pessoal docente e não docente. As receitas também podem ser acrescidas através de uma maior prestação de serviços, aluguer de espaços, candidatura de projectos, aumento de formação, mecenato, etc.
Considera que é necessária uma reorganização interna, nomeadamente ao nível dos orçamentos de cada escola e da mobilidade de funcionários?
Actualmente a mobilidade dos funcionários já é uma prática no Instituto Politécnico de Santarém, conforme as reais necessidades dos departamentos/sectores, dos serviços centrais e das unidades orgânicas. Relativamente ao orçamento das Escolas, também foi exarado um despacho da Presidência com a indicação da percentagem das receitas próprias a afectar às mesmas.
Defendeu que é preciso uma centralização da gestão. Tem sido possível fazer isso?
Estamos presentemente a iniciar um processo de centralização da contabilidade e da tesouraria ao nível das unidades do Campus Andaluz. Terá de ser um processo cauteloso e evolutivo que posteriormente pode ser alargado a outras unidades fora do campus e também a outros serviços. Relativamente à racionalização de custos, vai ser aberto um concurso para a selecção de uma única operadora ao nível de telefones móveis. A nível da rede fixa optou-se pelo sistema VoIP em todo o Politécnico. Estamos também a racionalizar custos através de uma melhor gestão de recursos humanos em todo o Politécnico.
Algumas escolas do Instituto sentem necessidade de aumentar algumas vagas. O Instituto tem condições para pedir um aumento de vagas nos próximos anos lectivos?
As vagas previstas para as escolas do IPS, para o ano lectivo de 2010/2011, são 809 para o ensino diurno e 280 para o pós-laboral, num total de 1089. No Plano de Desenvolvimento Estratégico 2010/2013, com base no Contrato de Confiança, foi proposto à tutela um aumento de vagas de 4384, entre 2009 e 2013, correspondentes a 794 do 1.º ciclo, 75 da Formação Pós-Graduada, 1875 do 2.º Ciclo e 1640 dos CET.
A formação dos professores é uma aposta do seu programa. Existe orçamento para apoiar esta formação?
Presentemente temos 73 professores doutorados no IPS, cerca de 52% do total de docentes. Desde o ano lectivo de 2009/2010 temos vindo a submeter ao PROTEC várias candidaturas, nas diferentes áreas científicas, tendo em vista o apoio a doutoramentos. No ano lectivo anterior foram apresentadas 36 candidaturas, tendo sido aceites 27 e para o próximo ano lectivo foram já propostas 30 candidaturas, mas ainda não sabemos o resultado da avaliação. A Presidência do Instituto entende que a qualificação do corpo docente é um factor muito importante em termos de qualidade de ensino.
POLITÉCNICO DE TOMAR SERÁ “PARCEIRO PREFERENCIAL” PARA CONSÓRCIOS
Qual é a sua visão sobre parcerias com outros institutos, nomeadamente com o de Tomar?
A nossa estratégia passará pelo estabelecimento de um ou mais consórcios nos domínios da pedagogia e da ciência. Faz todo o sentido que, entre as instituições que possam integrar o consórcio com o Instituto Politécnico de Santarém, um dos parceiros preferenciais seja o IP de Tomar, não só pela proximidade mas principalmente pelo prestígio que este instituto adquiriu. Apesar de este assunto já ter sido abordado com o actual Presidente do IP de Tomar, os contactos formais só devem ser desenvolvidos com a futura presidência.
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